50 melhores álbuns brasileiros de 2026 (até junho), segundo a Billboard Brasil
Veja as escolhas favoritas da equipe!

Álbuns do 1º semestre (Arte/Billboard)
Estamos na metade do ano, e muito som passou pelos fones e caixas de redação da galera da Billboard Brasil. A seleção abaixo, com os 50 melhores álbuns do semestre, nasceu da escuta cuidadosa e genuinamente apaixonada da redação, ao longo de todos esses meses – de 1 de janeiro até o último dia de junho, literalmente.
Os álbuns reunidos aqui são fruto de uma curadoria coletiva que celebra a riqueza de sons, vozes e ideias que marcaram a música brasileira até aqui. São 50 trabalhos que nos atravessaram de alguma forma: pela emoção, pela originalidade, pela capacidade de fazer pensar…
As obras aparecem em ordem alfabética, já que aqui não se trata de disputa ou de definir um pódio. Ao fim da matéria, uma playlist com músicas desses álbuns espera por você. Boa escuta e boas descobertas!
Esta lista foi escrita por Alexandre de Melo, Bruna Monteiro, Claudia Assef, Isabela Pacilio, Marcão Blognejo, Mauricio Dehò, Sergio Martins e Vitória Zane. Edição de Maurício Dehò.
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50 melhores álbuns brasileiros de 2026 até agora
Ana Castela – “Fire Arena”
A boiadeira Ana Castela dá continuidade à sua guinada para o country. Mas, se antes a sonoridade ainda pendia mais para o sertanejo do que para o country em si, desta vez ela incorpora elementos mais claros da música americana atual, principalmente efeitos de mixagem que não haviam sido utilizados no disco anterior e que são comuns no som praticado lá fora.
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Anitta – “EQUILIBRIVM”
O disco já é um marco para a “patroa” Anitta e para a música brasileira. Ele traduz a coragem de uma reinvenção após um colapso, trazendo um tom confessional que abraça o sincretismo e a espiritualidade. Além disso, destaca-se pelas parcerias ecléticas — que vão de Marina Sena e Liniker a Shakira — e pela exploração de raízes sonoras brasileiras ainda pouco difundidas no mercado pop global. E ela deu sinais de quem vem parte 2 por aí…
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Aya Ibeji – “ATiVAÇÃO TRAVESTY”
Em seu potente álbum de estreia, “ATiVAÇÃO TRAVESTY”, Aya Ibeji resgata as raízes negras e LGBTQIA+ das pistas para assinar um trabalho poderoso da cena eletrônica nacional. A DJ e produtora entrelaça sua ancestralidade como mulher preta e suas vivências como travesti em uma jornada de afirmação altamente dançante. Ao longo de 12 faixas, o disco transborda versatilidade ao fundir seu house característico a techno, funk e vogue beat, entregando picos de euforia e momentos de introspecção elegante.
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Bebé – “Dissolução”
Bebé exala um poder que não surpreende quem a acompanha há anos. Ela assume a produção deste terceiro álbum e leva ao estúdio sua profunda vivência no jazz, a MPB que carrega entranhada e a diversidade de estilos de quem é fã de divas como Billie Holiday. Bebé rompe a estrutura para conseguir dizer o que quer para o mundo que a cerca. Muitas das sonoridades do álbum chamam atenção pelo caráter disruptivo, de estranheza, dentro do contexto pop e delicado em que é inserido. Bebé sempre vai além.
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Bia Soull – “Pornografia Auditiva”
Estreia de Bia Soull, o disco reúne 13 faixas que transitam pela música urbana, com o funk como espinha dorsal e beats contemporâneos que sustentam um universo em que humor, provocação e liberdade feminina andam juntos. Com participações de Nanda Tsunami e Yuri Redicopa, o projeto marca um novo momento criativo da artista. Ela só está começando!
Budah – “FREQUÊNCIA LUNAR”
Em “Frequência Lunar”, Budah deixa de lado o tom intimista de seu trabalho anterior para arquitetar um álbum dançante e banhado por uma estética prateada. Composto por 14 faixas estruturadas para acompanhar a dinâmica da noite, do crepúsculo ao amanhecer, o disco marca uma transição que injeta graves encorpados e uma energia física ao seu R&B de origem. Mostrando sua versatilidade, o disco passa por vertentes que vão do rap e drill ao house e pop, em uma celebração urbana e magnética.
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Buhr – “Feixe de Fogo”
Buhr mantém a chama inquieta em um disco em que as guitarras conduzem o caminho por rock, MPB, manguebeat e experimentação, sem perder identidade. O disco ganha força em faixas intensas, como “Ânsia” e “Chão Frio”, e no canto característico de Buhr, em momentos mais íntimos.
Bullet Bane – “O AGORA QUE COBRA VIVER”
Em um álbum que une passado e presente para mostrar o futuro, o Bullet Bane cria um manifesto sobre a transformação e a urgência de estar presente. O disco cresce a cada audição e faz o ouvinte refletir sobre o caminho que escolheu seguir, com letras profundas e perfeitas para shows, com destaque para “Uma Vida” e “Decisão”. O trabalho é uma aposta all-in da nova formação, com Lucas Guerra (ex-Pense) nos vocais, prometendo ganhar cada vez mais destaque na cena do hardcore/metalcore.
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Criolo, Amaro Freitas & Dino – “Criolo, Amaro & Dino”
Há encontros artísticos que desafiam o mercado e obedecem apenas aos afetos. É o caso deste álbum colaborativo que une Criolo, o pianista de jazz Amaro Freitas e o cantor luso-cabo-verdiano Dino d’Santiago. Gravado de forma espontânea nos intervalos de suas agendas, o projeto foge dos algoritmos ao equilibrar um instrumental sofisticado com letras urgentes sobre ancestralidade. De forma inovadora, o disco funde jazz, rap e MPB a ritmos tradicionais de Cabo Verde, como o batuku, a morna e o funaná, tendo como destaques “Você Não Me Quis” e “Menina do Coco de Catité”.
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Capas de Buhr – “Feixe de Fogo”; Bullet Bane – “O AGORA QUE COBRA VIVER”; Criolo, Amaro Freitas & Dino – “Criolo, Amaro & Dino” (Divulgação)
Deafkids – “CICATRIZES DO FUTURO”
Foram sete anos sem lançar um álbum, fora os colaborativos, e o duo carioca Deafkids voltou experimental, como sempre, mas mais certeiro do que nunca. Em meio a loopings, distorções e noise, há uso de ritmos do Bumba Meu Boi e música marroquina. O espírito punk é a base para um som eletrônico e percussivo. É para quem curte peso, barulho e psicodelia.
Edu Falaschi – “Mi’raj”
Exaltado nos shows especiais que fez recentemente com o Angra, Edu Falaschi apresenta um disco que poderia se destacar na discografia da ex-banda. Metal melódico com peso, velocidade, melodias marcantes e orquestrações como as que o fizeram famoso na era “Rebirth” e “Temple of Shadows”. Os solos de guitarra são um show à parte, em um disco com muitos pontos altos.
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Fabiano do Nascimento & Vittor Santos Orquestra – “Vila”
O violonista carioca Fabiano do Nascimento evoca as ruas do Rio de Janeiro, em um disco daqueles pra ouvir numa tarde de sol de outono. Fabiona passeia pelo violão com técnica, criatividade e sensibilidade, e aqui ganha o acréscimo de lindos arranjos orquestrais da Vittor Santos Orquestra. Seja na cantada “O Tempo (Foi Meu Mestre)”, ou nas instrumentais, como a virtuosa “Tema em Harmônicos”, Fabiano cria climas envolventes e sofisticados, que chamaram atenção até do jornal inglês The Guardian.

Febem – “BRIME!!”
O novo álbum mostra que há muito fôlego no projeto que reúne os rappers Febem, voz influente da cultura de rua brasileira, e Fleezus, potência do grime, e o produtor CESRV. Desta vez com o lendário Zagallo na capa, “BRIME!!” vai da mistura de funk e rap da abertura, “M.P.B”, ao peso de “Meu Bairro Não tem Airbnb”, passando pela bela “São Paulo Aquariana”. Ousado, criativo e cativante.
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Felipe & Rodrigo – “Velhos Hábitos”
A dupla que mais acerta hits sertanejos atualmente não parece ter se acomodado na premissa de que “em time que está ganhando não se mexe” e aproveitou o hype country para agregar bons e inesperados elementos à sua sonoridade, bebendo inclusive da fonte original, com três faixas gravadas em Nashville. O resultado é um álbum mais maduro e diferente do que estamos acostumados a ver no sertanejo atual, o que, aliás, é um anseio urgente. Ousado, alcançou um ótimo resultado.
Ferrugem – “Sentimento”
Ferrugem abraça a tradição do pagode romântico que marcou os anos 1990. Em vez de seguir tendências passageiras, o cantor aposta em melodias emotivas, refrãos marcantes e histórias de amor que remetem à era de ouro do gênero. Faixas como “Casal do Mal”, “Não Vai Ter Lágrima” e “Arrependidaço (Onde Você Anda)” ajudam a construir um repertório coeso, um álbum que reforça a identidade de Ferrugem e sua conexão com o público.
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Fresno – “Carta de Adeus”
“Carta de Adeus” transforma perdas, despedidas e recomeços em matéria-prima para um dos trabalhos mais reflexivos da Fresno. Com 26 anos de carreira, a banda revisita sua própria trajetória com clareza e leveza, sem soar nostálgica. Gravado com equipamentos analógicos dos anos 1980, o álbum evoca as sonoridades que marcaram a infância dos integrantes, ao mesmo tempo em que aponta para novos horizontes. O resultado é um disco que reforça a longevidade de uma banda que construiu uma relação duradoura com seu público ao longo de quase três décadas.
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Getúlio Abelha – “Autópsia+”
Getúlio Abelha expande o universo de “Autópsia” ao aprofundar a mistura de forró eletrônico com brega, rock e psicodelia. Mesmo guiado por imagens de morte, enterro e assombração, o disco mantém o impulso dançante, transformando temas sombrios em faixas vibrantes e cheias de personalidade. O álbum diverte com seus momentos nonsense (“Freak”), o forró eletrônico de “Brincadeira de Ossinho” e a ousadia eletrônica de “Engulo ou Cuspo”.
Gilsons – “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção que a Escuridão”
Ao longo de dez faixas inéditas, Gilsons utiliza a música como uma ferramenta de luz e travessia diante das sombras e saudades da vida, sem perder de vista a esperança por um futuro mais justo. “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção que a Escuridão” impressiona por fugir das fórmulas prontas e abraçar uma maturidade artística. O álbum ainda conta com um elenco estelar de colaboradores, que inclui a dinastia de Caetano, Moreno e Tom Veloso, além de vozes potentes como Julia Mestre, Narcizinho e Sona Jobarteh.
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Capas de Fresno – “Carta de Adeus”; Getúlio Abelha – “Autópsia+”; Gilsons – “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção que a Escuridão”
Gusttavo Lima – “Feito à mão”
O embaixador foi co-responsável por muito tempo pela dominância da bachata na música sertaneja, fazendo questão de incorporar seus elementos originais dominicanos. Mas o longo tempo em que esse som foi praticado e imitado por boa parte do mundo sertanejo parece ter obrigado Gusttavo Lima a repensar um pouco a própria sonoridade. Ele aposta em sons inéditos, mas mantém contato com o público latino que tanto almeja conquistar, em ritmos como a cumbia. Entretanto, ainda é no romantismo nostálgico, que remete a elementos mais tradicionais do sertanejo, que ele se destaca. É o caso da ótima “Retrovisor”.
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Hiran – “Imundo”
Hiran poderia ter seguido um caminho pop, mas fez questão de gravar um disco de rap para seguir na luta LGBTQIA+. O resultado foram ameaças, críticas e esperneio. Certo está ele. Entregou em “Imundo” um disco sensível, confrontador, rimando bem como sempre e criando melodias que grudam. Tem samba, solo de guitarra e participações mais que especiais de Luedji Luna, Tassia Reis e Tom Veloso. Destaque para a mensagem de “Rap Não”, em que ele canta sobre todos que acreditaram nele. Aqui, a gente bota fé, sim!
Jáder – “Deixa o Mundo Acabar”
Jáder amplia sua base de ritmos nordestinos, alcançando as prateleiras do funk, pagode e música eletrônica. A voz do pernambucano faz a maior parte do trabalho – mas o capricho do material completo carimba a qualidade de um disco que se encaixa bem na boa fase das “brasilidades” na música.

JIRAYAUAI – “Cowboy Maluco”
Um cara tatuado, com alargadores na orelha e fantasiado de herói no palco de um rodeio: é difícil explicar o que é, mas você reconhece de longe. Esse é o JIRAYAUAI. O DJ e produtor prometeu explicar sua verdadeira essência em seu álbum de estreia, “Cowboy Maluco”, após o sucesso estrondoso nas plataformas e redes sociais. Firmando-se como um dos grandes pioneiros e principais nomes do eletrofunk, ele carrega uma estética visual e sonora marcada por irreverência e bom humor, o que permite costurar diferentes mundos de forma orgânica e contagiante: funk, música eletrônica e sertanejo. E ele estava certo: o disco é a prova definitiva do que o tornou um fenômeno.
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Jota.pê, João Gomes e Mestrinho – “Dominguinho 2”
O álbum chega para atender ao chamado dos fãs e confirmar que o projeto de João Gomes, Jota.pê e Mestrinho é muito mais que um encontro casual. Em 12 faixas gravadas nas ruas do Pelourinho, o trio mantém a proposta intimista e acústica do primeiro volume, misturando forró, piseiro e MPB com releituras divertidas — como “As Quatro Estações”, de Sandy & Junior, e “Se Ela Dança Eu Danço”, de MC Leozinho. A sequência do álbum vencedor do Grammy Latino de 2025 reafirma que a química entre os três é maravilhosa.
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Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Dessemelhantes”
A voz e a interpretação viscerais de Juçara Marçal e a experimentação do piano de Thais Nicodemo se encontram em um álbum pra ser contemplado várias vezes. Os arranjos e mudanças de intensidade e textura enriquecem a parceria, indo de momentos mais intimistas, como a faixa-título, à peculiar “Cavaquinho” e o clima de faroeste (ou seria do sertão brasileiro?) de “Eu Não Duro”. A música brasileira realmente é incrível.

Katy da Voz e as abusadas – “SANDRA ELETRÔNICA”
O trio formado por Katy da Voz, Palladino Proibida e Degoncé Rabetão, do Grajaú, em São Paulo, lançou um disco e um EP em 2026 – o último é ainda mais interessante. A banda acerta ao vir pesada na música eletrônica neste lançamento, com techno, house e club music. A atitude é punk e os elementos brasileiros são bem encaixados – as letras são um show à parte. “Amor, eu tô brincando, não me leva a sério”, canta Katy. Tarde demais.
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Loulu Gilberto – “Loulu Gilberto”
Loulu é Luísa Carolina Gilberto, filha de João Gilberto e da jornalista Cláudia Faissol. Se filho de famoso já chega com uma cobrança extra, imagine ser descendente de um dos mentores da bossa nova? Mas Loulu faz bonito em seu disco de estreia, produzido por Mario Adnet e Cézar Mendes, duas grifes de respeito na MPB. Dona de voz pequena, porém afinada, e com a emoção na medida certa, a pequena cantora desfila um repertório que vai desde o samba canção a clássicos, além de criações de herdeiros do gênero – caso de “Avarandado”, de Caetano Veloso, discípulo de primeira hora do violonista baiano. “João”, de Cézar Mendes e Arnaldo Antunes, e “Mr. Sandman”, pop americano dos anos 1960, estão entre os muitos destaques desse álbum delicado.
Luísa Sonza – “Brutal Paraíso”
“Brutal Paraíso” mostra uma Luísa Sonza inquieta e disposta a explorar diferentes caminhos sonoros, transitando entre synth-pop, bossa nova, funk, trap e reggaeton sem perder sua identidade. O álbum ganha força ao longo da audição e revela uma artista cada vez mais segura. Destaques como “Loira Gelada”, “E Agora?” e “Tropical Paradise” mostram isso, culminando na emocionante faixa-título. Ambicioso e versátil, reforça a capacidade de Luísa de se reinventar e expandir os limites do pop brasileiro.
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Luise Volkmann & Kiko Dinucci – “Canto de Olho”
O álbum traz o violão de Kiko Dinucci (do Metá Metá) dialogando com o sax da alemã Luise Volkmann, que tem o Brasil como velho conhecido. O jazz experimental é salpicado de cantos e influências de povos originários. “Canto de Olho” é feito pra ouvir com calma, enquanto violão e sax se provocam, conversam, brigam e brincam.
Matogrosso & Mathias – “Pedaço de Minha Vida”
Uma das mais longevas duplas do sertanejo celebra 50 anos com um dos repertórios mais adorados e elogiados do segmento. Faltava um projeto que os posicionasse na prateleira à qual pertencem, já que Matogrosso é um ícone sertanejo à altura de José Rico, Tião Carreiro e outros. Neste álbum, a dupla convida astros do sertanejo para reinterpretarem as principais músicas da história da dupla, com orquestra e arranjos grandiosos. O resultado é espetacular, um prato cheio para os amantes do sertanejo de raiz.
Matuto S.A. – “Terra Vermelha: Do interior pro interior”
O rap tem uma força urbana, é inegável. Mas quem diria que a viola caipira lhe cairia tão bem? Este disco é um estudo de anos de Matuto S.A., que rima no que chama de regional beat. Para além de qualquer simples curiosidade pelas violas, há muito mais presente ali: flows, samples ousados e rimas certeiras se espalham pelas 14 faixas. “Nosso sotaque é nosso ataque”, canta o caipira, com orgulho.

MC Fr da Norte – “Terror da Panelinha”
O disco de estreia da revelação do funk gruda na cabeça com batidas de mandelão, baixo pulsante e a voz inconfundível do MC Fr da Norte. Radicado em Guarulhos, ele aproveita o instrumental certeiro pra rimar e disparar refrãos que ficam na cabeça na primeira audição. Grande estreia!
MC Lele JP – “O Poderoso Chatão”
Com instrumental simples, mas potente e envolvente, “O Poderoso Chatão” dá espaço para MC Lele JP se firmar como um dos nomes fortes do funk. A pesada “Contada de Mestre” e a marcante “Perfil do Mohamed” estão entre os momentos de alta.
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MC Luanna – “Irrefreável”
Num momento de ouro para as mulheres no rap, MC Luanna chega pesado, como indica o título “Irrefreável”. O disco é direto, vai do boom bap e da sonoridade dos anos 2000 a elementos de funk, mas é liderado pela voz grave de Luanna, que impõe respeito em cada verso. As letras exaltam as mulheres sem cair em lugares comuns e põe homens em seus lugares com bom humor. Um petardo certeiro.

Melly – “MAIS FORTE QUE A DÚVIDA”
Melly tinha a difícil missão de lançar um segundo álbum que pudesse continuar a história primorosa do disco de estreia, “Amaríssima”, aclamado com indicação ao Grammy Latino. Em “MAIS FORTE QUE A DÚVIDA” a baiana consegue impactar já no título. Entre as 14 faixas, prova sua força dentro do pop nacional ao explorar uma estética afro-baiana própria, mas que se reflete em conexão e comunidade. Autoconhecimento e espiritualidade são abordados com leveza e bom humor.
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Nervosa – “Slave Machine”
Criada em São Paulo e hoje mais internacional, a Nervosa segue com Prika Amaral à sua frente. No segundo disco em que está também no vocal, Prika se mostra ainda mais segura, o que transparece nas composições marcantes e no passeio por estilos. O thrash metal está lá, mas ganha mais influências do death metal melódico. O álbum soa moderno e ganha muito com variações entre velocidade e cadência, violência e refrãos grudentos. “Slave Machine”, a faixa-título, é prova dessa evolução do grupo, que vive seu melhor momento.
Os Garotin – “Força da Juventude”
O trio de São Gonçalo convoca as novas gerações para um grande baile. Com uma sonoridade solar, o projeto transita com naturalidade por funk, samba, pop e R&B, apostando em grandes parcerias. Entre os destaques estão a enérgica faixa-título e a sofisticada “Soul Brasileiro”, com Lenine e Hamilton de Holanda, além de colaborações certeiras com Marina Sena, BK e o maestro Arthur Verocai. Os garotos estão mais maduros, coesos e envolventes.
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Pedro Emílio – “Vende-se Lembrança”
Baiano radicado em São Paulo, Pedro Emílio consolida sua identidade em uma mistura contemporânea de MPB, soul e R&B. Indicado ao Grammy Latino de 2025 pelo álbum “Enquanto os Distraídos Amam”, aposta agora em um trabalho mais narrativo, guiado por memória e identidade. O álbum reorganiza referências como Djavan, Sandra de Sá, Carlos Dafé e Lincoln Olivetti. Com produção direta e sem nostalgia, ele reafirma sua estética e ainda conta com participações de Luedji Luna e Ryan Fidelis.
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Pedro Mizutani – “NOVA BOSSA: aquele abraço aos ratos vivos”
Depois de despontar no TikTok e iniciar sua carreira na bossa nova, Pedro Mizutani rompe barreiras e não tem medo de ousar – como se vê no título de seu primeiro álbum. Sua “nova bossa” parte do consagrado estilo de Jobim e Gilberto e aterrissa em muitas outras áreas: MPB, pop, rock, indie e folk. Com uma produção sofisticada e criativa, as músicas vão do orgânico ao eletrônico com facilidade. A voz tem um tanto de Tim Bernardes e Cazuza, com a segurança de quem achou o caminho que quer trilhar, com muito potencial para brilhar.
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quedalivre – “seres urbanos”
O disco de estreia dos jovens cariocas do quedalivre — todos com 21 anos no momento do lançamento — é estranho, na definição mais positiva do termo. Peso e leveza se revezam e os vocais etéreos de Lore se sobrepõem a guitarras distorcidas e bateria pesada. Metal alternativo, shoegaze experimental, breakbeats e noise se intercalam, com destaque para “pq vc n olha mais pra mim???”, que gruda na mente e surpreende.

Rancore – “Brio”
Nem o vocalista Teco Martins achou que o Rancore um dia voltaria, muito menos que gravaria um álbum. O resultado tem tudo a ver com o título “Brio”. Com uma sonoridade que mistura pós-hardcore, psicodelia, hardcore e emo, o disco traz letras mais densas, explorando dualidades que vão das profundezas à libertação. Músicas como “Eu Quero Viver” e “Nascente” já nasceram bem recebidas ao vivo.
Rincon Sapiência – “Um Corpo Preto”
Aos 45 minutos do segundo tempo, em 30 de junho, Rincon Sapiência botou no mundo seu primeiro álbum em 7 anos, uma pérola. O início, principalmente, é arrebatador, mostrando um rapper irriquieto (mas focado) e influenciado por tudo, da música eletrônica ao samba. O flow de Rincon é um dos mais reconhecíveis e ele parece ter trabalhado cada verso e cada batida para voltar com um disco que o representa, nas letras e nos ritmos percussivos bem brasileiros e africanos.
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Ryan Fidelis – “Tons de Marrom”
Em poucas semanas de lançamento, “Tons de Marrom” ultrapassou 1 milhão de streamings, sinalizando tanto a tração imediata do projeto quanto a consolidação de Ryan Fidelis na cena do R&B brasileiro. Produzido pelo próprio artista ao lado de Julio Mossil e JOK3R, o álbum costura R&B, pop e elementos da música brasileira em torno de uma narrativa afetiva preta.

Sangue de Bode – “O Funeral de Tudo”
Vindo da região serrana do Rio de Janeiro, o Sangue de Bode lança seu quarto álbum em seis anos. “O Funeral de Tudo” mistura black metal com influências de death e thrash, sem perder identidade. Pelo contrário: cada vez mais o grupo encontra seu caminho — mais sujo, ousado, pesado e também sofrido. Letras como “E meu caixão,/ quem vai carregar”, de “O Mundo Acabou e o Mundo Novo Também”, são exemplo desse ápice do caos.
Sepultura – “The Cloud of Unknowning”
O Sepultura faz seu manifesto de despedida com um EP. E, mais do que pensar no passado, a banda entrega algumas coisas que nunca realizou antes. Tem solo de piano com levada de jazz — fruto da entrada do baterista Grey Nekrutman no lugar de Eloy Casagrande — e até uma balada inédita na trajetória do grupo. Soa como Sepultura? Sim e não, mas serve como fotografia da última versão do maior nome do metal brasileiro internacionalmente antes da despedida dos palcos. Valeu, Sepultura!
Seu Jorge – “The Other Side”
“The Other Side” é uma celebração do tempo. O novo trabalho de Seu Jorge levou 16 anos para ficar pronto e carrega o peso de sua própria maturidade: um disco paciente e essencial, que sabe ser grandioso sem esforço. Gravado na Califórnia ao lado do produtor Mario Caldato Jr. (em um processo que atravessou toda a década passada), o registro deixa de lado o samba de raiz e o balanço das pistas. A aposta aqui é em uma atmosfera imersiva e poética, que bebe direto do jazz, da música de câmara e da bossa nova.

Supercombo – “CARANGUEJO”
Em “CARANGUEJO”, a Supercombo reafirma sua principal virtude: a capacidade de contar histórias. Afinal, quem cantaria sobre chegar num piseiro e estar tocando Black Sabbath? O álbum expande essa característica ao incorporar elementos de baião e piseiro em diálogo com emo e rock alternativo. O trabalho é uma mudança de perspectiva em relação aos discos anteriores, explorando novas texturas e caminhos sonoros sem abandonar a identidade criativa que tornou a banda uma das mais singulares do rock brasileiro contemporâneo.
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Teto e Wiu – “COLAPSO GLOBAL”
O álbum colaborativo de Teto e Wiu, “Colapso Global”, consolida a evolução de ambos ao expandir as fronteiras do trap através de experimentações ousadas que abraçam da música eletrônica ao jazz. O single de destaque “ISSO AQUI É BRASIL” é o maior exemplo, contando com a produção de Deekapz. Mais do que um sucesso comercial, o projeto provocou uma virada na percepção do público, que passou a enxergar a dupla sob a ótica de uma musicalidade madura e surpreendente. Um reconhecimento que valida tanto a versatilidade deles quanto a faceta de WIU como produtor, como em “REF”.
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VITA – “VITA’S HOUSE”
Ex-integrante do Irmãs de Pau, VITA estreia solo em “VITA’S HOUSE” com um álbum que cruza house, funk e dancehall a partir da ideia de corpo como território criativo. O disco se sustenta na energia de pista e nas letras malemolentes, com faixas como “MARRETADA” e “TREME A LÍNGUA” e participações de Linn da Quebrada e Candy Mel. No conjunto, é uma estreia que aposta na força performática e na fusão de cenas do pop eletrônico brasileiro.

Yunk Vino – “MR.”
Um dos grandes nomes do trap brasileiro finalmente soltou seu primeiro full-length. O álbum traz participações que se destacam, como Duquesa e Veigh, e mostra a identidade que Yunk Vino criou com cada lançamento. A duração acaba arrastando um pouco a audição, mas o trapper foge de soar genérico e mostra força nas batidas, rimas e flows. O primeiro álbum vem com uma mensagem de afirmação. Para os próximos, será interessante ver um Yunk Vino saindo da caixinha.
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Zélia Duncan – “Agudo Grave”
O timbre aveludado de Zélia já seria suficiente para seduzir qualquer ouvinte com suas composições que passeiam entre MPB, jazz e folk. Mas ela vai além. É nítida a solidez dos 45 anos de carreira da cantora, em um trabalho que diz muito com uma sonoridade inquieta e experimental. Sob a produção de Maria Beraldo, o disco esbanja poesia e senso crítico, trazendo reflexões existenciais e provocações afiadas sobre a atualidade, como em “E aí, IA?”.
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Menções Honrosas (bônus)
Bia Ferreira – “Améfrica”
A cantora e compositora mineira Bia Ferreira se tornou conhecida por suas letras politizadas e pela militância à frente de causas feministas e LGBTQIA+. Em seu terceiro disco, “Améfrica”, a luta vem embalada de celebração, envelopada musicalmente por uma sonoridade de reggae, forró e sons derivados de gêneros latino-americanos. Um álbum de festa, que traz luz para as origens diaspóricas do Brasil, miscigenado pela África e países sul-americanos, mas que, na voz, canetada e produção de Bia, deixa uma mensagem forte e poética.
Juliana Linhares – “Até Cansar o Cansaço”
A cantora, diretora e atriz natalense Juliana Linhares é uma força da natureza; consegue costurar a música tradicional do Nordeste com a contemporaneidade, como se fizesse uma ligação direta entre Amelinha e o forró repaginado de “Dominguinho” e Mariana Aydar. Com seu background de atriz e um corpo que é pura dança, Juliana traz a performance para o fonograma e construiu, em seu segundo álbum, uma poética fotografia do estado de espírito do brasileiro, esse povo cansado da batalha do dia a dia, mas que carrega pedra dançando. Um disco belíssimo, denso, com grandes participações (Ney Matogrosso, Anastacia, Agnes Nunes) e letras inspiradas do cotidiano até a neurociência.
Tiê – “Esgotada”
“Hoje eu tô tão de boa, que não quero ver ninguém”. Mães estafadas entenderão a letra de “Contato”, faixa do sexto álbum de estúdio da cantora e compositora paulistana Tiê. O disco foi feito como reflexo da exaustão da artista, diante da missão de criar três filhas e equilibrar pratinhos para seguir com sua arte. Como contraponto das letras, a produção musical assinada por Tó Brandileone, André Whoong e Marcus Preto trazem leveza e conforto ao ouvinte.
Rael – “Nas Profundezas da Onda”
Logo no título, Rael estabelece uma conversa direta com seu disco anterior, “Onda” (2025), preservando uma estética leve e pop. Ele mistura rap e reggae em um caminho que incorpora MPB e afrobeat. Contudo, essa sonoridade serve de pano de fundo para reflexões densas e contestadoras. “Forma Abstrata” desponta como destaque, trazendo uma crítica afiada à pressa e às superficialidades do mercado fonográfico. Rael optou por não trazer participações especiais, escolha ousada, na contramão da indústria musical atual.
Barona – “Meus Erros de Novo”
A safra recente do rap feminino tem sido responsável por grandes lançamentos no Brasil. Se 2025 foi o ano que consolidou carreiras de nomes como ajuliacosta, Ebony, Duquesa e Stefanie, este ano de 2026 já elegeu uma nova rainha do rap, a paulistana Nanda Tsunami, e, seguindo seus passos, vem Barona, com um disco de estreia que expõe seus erros e desejos mais impublicáveis. O disco mostra flow potente, letras afiadas e a produção de bom gosto dessa artista que tem tudo para chamar 2026 de seu ano do estouro.
Detonautas – “Radio Love Nacional”
Dar o play no novo disco do Detonautas surpreende e traz alguns sorrisos ao rosto. Se a década de 1980 está na moda – a Fresno que o diga -, o grupo carioca bebe na mesma fonte. São canções que soam relaxadas, sem pressão de mostrar algo. “Potinho de Veneno” gruda na cabeça, “Vampira” é a mais absurda e engraçada, e o tempo passa rápido até a excêntrica “Espadachim”. É como se ligar a radinho do Detonautas em um trajeto de 40 minutos desacelerasse nossos tempos tão acelerados.
Fossilization – “Advent of Wounds”
A banda paulistana de death e doom metal entrou em listas de melhores do semestre, como a do Metal Injection, e tem feito turnês recorrentes na Europa. O segundo disco vem com mais influência de black metal, riffs matadores e o vocal sempre soturno de V. Barulho de qualidade.
Guilherme Arantes – “Interdimensional”
Lançado no comecinho de 2026, o álbum “Interdimensional” faz um resgate da fase pop-romântica do artista, celebrando seus 50 anos de carreira com um repertório de 15 faixas, incluindo inéditas e releituras. A obra mescla MPB, pop e rock progressivo, com produção caprichada e arranjos marcantes de piano e sintetizadores. Arantes se reafirma um eterno romântico e lança uma âncora definitiva rumo às fundações do synthpop romântico e açucarado, que marcaram sua carreira.
Ouça a playlist da Billboard Brasil: os melhores álbuns brasileiros de 2026
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