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Madonna faz aniversário e mostra por que ainda é a Rainha do Pop

A cantora americana revolucionou não apenas a música mas várias formas de arte

Madonna

Madonna (Rafael Pavarotti)

O universo pop gerou inúmeras divas nos últimos tempos. Katy Perry, Lady Gaga, Rihanna, Dua Lipa, Sabrina Carpenter… (enfim, coloque a sua escolhida nesse espaço). Nenhuma delas, no entanto, chega aos pés de Madonna, seja no quesito musical ou –acima de tudo– cultural.

A cantora americana chega aos 68 anos com seu melhor disco em duas décadas – “Confessions II”, lançado no início de julho– e do jeito que gosta: de volta ao topo das paradas, reverenciada por astros de diversas gerações e modalidades (o que foi aquele show no final da Copa do Mundo?) e alimentando a indústria dos factuais – as fofocas mais recentes falam de uma visita à suíte do presidente americano Donald Trump na partida final da competição futebolística (que negou) e uma performance no histórico festival de Glastonbury, na Inglaterra, em 2027 (boato que fez questão de deixar no ar).

Quando pode –e, principalmente quando QUER–, Madonna solta trabalhos que ditam o caminho pelo qual a música popular deve seguir pelos anos seguintes. Durante a audição de “Confessions II”, a cantora parece dizer nas entrelinhas para todas suas sucessoras e rivais: “OK, meninas, vocês se divertiram, mas deixem-me mostrar como se faz.”

E que aula ela dá. Concebido por ela e pelo produtor Stuart Price, o disco tem uma hora e três minutos de duração e funciona como um set de DJ, ou seja, alternando canções mais eufóricas com momentos de reflexão –e nesse quesito, “Fragile”, feita para o irmão, Christopher Ciccone, e “The Test”, parceria dela com a filha Lourdes Leon, estão entre as composições mais delicadas que Madonna lançou.

Madonna
Madonna (Reuters)

Madonna é uma revolucionária, não somente no mundo da música. Claro, o formato canção foi a melhor maneira que ela encontrou para expor suas ideias sobre liberdade sexual e empoderamento feminino e trazer a cultura underground para o universo do mainstream. Mas ela é muito mais do que uma diva pop. Para começar, foi a primeira cantora branca a falar explicitamente sobre sexo em suas letras.

A maioria fazia uso de metáforas e cabia às intérpretes afro-americanas a função de serem mais, digamos, explícitas. Donna Summer simulou 22 orgasmos em “Love to Love You Baby” (sim, a faixa é bem longa), por exemplo. Patti Labelle perguntava “você quer dormir comigo essa noite?” (“Voulez-vous coucher avec moi, ce soir”) em “Lady Marmalade”, clássico da disco music.

Pois o primeiro disco de Madonna, lançado em 1983, trazia letras como “Você diz que quer passar a noite/ Mas vai me deixar amanhã/ Não me importo/ Cada movimento seu é certeiro/ Podemos levar isso aonde quisermos…”, de “Physical Attraction”, ou “Você quer me ver de joelhos?/ Ou se eu me desdobrar toda, isso te agradaria?/ Ao contrário das outras, eu faria qualquer coisa/ Não sou como as outras, não tenho vergonha/ Estou em chamas”, de “Burning Up”.

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O cancioneiro de Mrs. Ciccone chegou acompanhado por uma das principais invenções dos anos 1980 –o videoclipe.

Ela usou essa ferramenta como nunca, muitas vezes para provocar. “Like a Prayer”, de 1989, fez uso de cruzes em chamas (artifício utilizado pela organização racista Ku Klux Klan) e um beijo interracial; “Express Yourself”, do mesmo ano, trazia uma versão estilizada do cenário de “Metropolis”, obra-prima do cinema onde, na posição de líder suprema, ELA escolhe seu objeto de desejo; “Justify My Love”, de 1991, e “Erotica”, de 1992, traziam cenas de encontros bissexuais, nudez e sadomasoquismo.

Muitos diretores desses vídeos, aliás, começaram com Madonna. David Fincher, de “O Clube da Luta” e “A Rede Social”, e James Foley, de “50 Tons de Cinza”, trabalharam com a diva.

Madonna divulgou a cultura underground de Nova York como poucas. Nos seus primeiros anos na cidade, encantou-se com os desenhos de Jean Michel Basquiat (com quem, aliás, namorou) e Martin Burgoyne e os grafites de Keith Haring. Ela traduziu essa arte marginal para seus discos, videoclipes, concertos e coreografias –a “vogue dancing”, por exemplo, foi importada por ela para a grande mídia.

A cantora é o símbolo máximo do empoderamento feminino. Não apenas por falar abertamente sobre sexo, como já pontuamos, mas também por apregoar o sexo sem culpa e seguro –uma atitude que tomou depois de ver seus melhores amigos sucumbirem à Aids.

Consciente da importância do voto, liderou nos anos 1980 uma campanha para que os jovens fossem às urnas. Senhora da sua própria imagem, Madonna negocia pessoalmente seus contratos e aparições. “Sabe a diferença entre uma popstar e um terrorista? Com o terrorista, pelo menos dá para negociar”, disse ela numa entrevista à revista Harper ‘s Bazaar, em 2006. 

No universo da moda, Madonna utilizou em suas turnês figurinos criados por, entre outros, Jean Paul Gaultier, a dupla Dolce & Gabanna e Karl Lagerfeld. Além da indústria fashion, ela ainda criou uma estratégia impecável de autopromoção, a indústria do factual: podem notar, cada single, disco, turnê e filme de Madonna foi precedido por alguma fofoca, algum “escândalo” para que o produto não passasse despercebido (como se isso fosse possível).

Madonna, a aniversariante de hoje, chegou a dizer certa vez que é relativamente fácil abrir as portas do sucesso. “O desafio é você ter talento suficiente para ficar na sala.” Pois a cantora, do alto de seus 68 anos de idade e 43 de atividade artística, demonstrou que seu talento a liberou para percorrer todos os cômodos da casa. 

Madonna no Super Bowl. Convidada do Coachella?
Madonna no Super Bowl (Grosby Group)

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