Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Budah lança ‘Frequência Lunar’ e troca o R&B pela noite

Cantora capixaba fala à Billboard Brasil sobre o disco com IZA e Pabllo Vittar

Budah e o brilho prateado de 'Frequência Lunar', álbum feito para atravessar a noite (Divulgação/Mateus Aguiar)

Budah e o brilho prateado de 'Frequência Lunar', álbum feito para atravessar a noite (Divulgação/Mateus Aguiar)

Antes de Budah convidar Pabllo Vittar para o disco “Frequência Lunar”, houve um sonho. Nele, a capixaba chamava a cantora para participar do projeto e era bloqueada. Horas depois, já no estúdio, ela ouviu uma voz vazando no microfone da sala ao lado. Era justamente a protagonista do sonho aquecendo a voz. As duas ainda não se conheciam, não se seguiam e nunca tinham interagido. Ela tuitou sobre o encontro inesperado, os fãs enlouqueceram e o feat aconteceu. A diva entrou em “VAMPIRA” e a faixa virou um dos retratos mais exatos do que o álbum quer ser: uma playlist para a madrugada.

“Frequência Lunar”, lançado em 27 de maio, troca o roxo de “Púrpura” por uma estética prateada e noturna. São 14 faixas que misturam rap, R&B, boombap, drill, ragga, house e pop contemporâneo, com participações de IZA, Pabllo Vittar, Duquesa, Tasha & Tracie, AJULIACOSTA, Vita e Franco, The Sir!

“Com certeza é um álbum noturno” diz Budah à Billboard Brasil. “Quando comecei a fazer, eu ainda estava pensando em ir um pouco mais para o R&B, que é a minha zona de conforto. Mas eu sentia falta de uma entrega diferente, tanto nos shows quanto quando eu saía com minhas amigas e queria ouvir uma música mais animada, mais noturna, mais agitada, com um grave envolvente, para dançar”.

A mudança de rota foi deliberada. Depois de “Púrpura”, álbum de estreia lançado em 2024, Budah queria chegar a outro lugar: menos contemplativo, mais físico. O novo disco nasceu com uma lógica de madrugada. Durante o processo, ela e a equipe chegaram a atribuir horários às faixas. “A gente entendeu que ele começava no pôr do sol, umas 17h40, e ia até 5h da manhã. Foi quando ficou claro: esse álbum é para a noite”.

Budah sai do R&B e reajusta a rota

A direção musical de “Frequência Lunar” é assinada por Budah, Debby Freitas e Tibery. O álbum reúne 13 produtores: Douglas Moda, Iuri Rio Branco, Tibery, DONATTO, Larinhx, Iamlopess, Vitão, Lucas Vaz, DJ Caetano, AmandesNoBeat, André Nine, Calixto e The Sir!

A multiplicidade poderia ter virado dispersão. Segundo Budah, a costura veio justamente da decisão de sair do lugar conhecido.

“Quando cheguei para eles, falei: ‘Vamos recalcular a rota, vamos sair um pouco do R&B, vamos arriscar mais’. A gente queria ser diferente, arriscar mais, pensar mais nas letras, trazer uma parada um pouco mais difícil para a galera pensar e também conseguir tocar em outros lugares”.

Entre as faixas, “VAMPIRA”, com Pabllo Vittar, leva a cantora para um drill; “SALTO 15”, com IZA, aposta numa levada de ragga; e “SKIN AFROPATY” aproxima Budah do house.

“VIDA DE ARTISTA”, com Tasha & Tracie, entra no lado mais debochado do disco, falando de flashes, camarins, gastos e símbolos de uma vitória que ela não trata como futilidade. “Eu queria fazer uma música sobre isso e me gabar disso. Dançar no show. Acho que é uma música de vitória, apesar de ter essa letra mais irônica, debochadinha, sobre a vivência artística”.

Com IZA, a lógica foi mais direta. “SALTO 15” já estava gravada, mas Budah continuava ouvindo a cantora na segunda parte da música. “Mandei uma mensagem despretensiosa, achando que talvez ela nem fosse responder. Falei: ‘Amiga, tem uma música aqui no meu álbum que já está pronta, mas eu vi você cantando ela. Para mim, precisa ser você’. Ela respondeu: Óbvio, me manda”.  Fiquei sem entender o que estava acontecendo.

De Cariacica para São Paulo

A noite de “Frequência Lunar” também passa por São Paulo. Budah nasceu no Espírito Santo, cresceu em Cariacica e se formou musicalmente na cena de hip hop da Grande Vitória, entre batalhas de rima, grafite e os primeiros lançamentos autorais.

Há dois anos morando em São Paulo, ela diz que a mudança foi total. “Vim para cá realmente para fazer as coisas acontecerem. Todo mundo me falava: ‘Vai para São Paulo’. E é engraçado porque eu sempre fui mais escutada aqui, mesmo quando morava em Vitória”.

A adaptação teve custo. Budah cita a distância da família, da praia e da qualidade de vida que tinha no Espírito Santo. Mas também reconhece que a capital paulista ofereceu uma escala que Vitória não tinha.

“Aqui em São Paulo, as coisas acontecem muito. Mesmo que tenham cinco shows de cinco minas do rap no mesmo dia, todos podem estar lotados. Tem público para todo mundo”.