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MC Lele JP é uma das vozes mais ouvidas no funk e trap brasileiro, com impressionantes 700 milhões de streams no Spotify. Entre singles lançados desde 2019, seu álbum de estreia, “Chatão”, lançado no ano passado, foi o grande responsável por conquistar números expressivos. Agora, ele amplia esse alcance apresentado no debut com o novo disco “O Poderoso Chatão”.
O apelido, que começou como uma gíria despretensiosa durante sua vivência no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, se transformou em conceito e narrativa. Em entrevista à Billboard Brasil, Lele conta que tudo aconteceu de forma orgânica, assim como seu sucesso. “Onde eu vou é ‘Chatão’ para cá, ‘Chatão’ para lá, que parece que o Lele ficou pequeno perto do ‘Chatão'”, brinca.
O novo álbum chega como uma evolução do anterior e levou, no mínimo, quatro meses de preparo. “Na rua eu vi que a galera estava começando a consumir muito esse nome. Falei: ‘Nós temos que fazer um álbum novo. Não dá para ficar por aqui e colocar um ponto final. Vamos evoluir essa parada’.”
Inspirado pelo cinema de máfia, o projeto mostra Lele como uma figura de poder e traz alianças dentro dessa estética. A construção, segundo ele, veio de forma coletiva, com muita dedicação. “Foi trabalho em equipe. Fizemos um camp de criatividade para decidir o nome do álbum e das faixas.”
MC Lele JP (divulgação)
“O Poderoso Chatão” reúne um time da elite do funk, com colaborações com MC IG, MC Tuto, Oruam, MC Negão Original, MC Kelvinho, DJ Oreia, Leozinho ZS, MC Neguinho PRT, TrapLaudo, entre outros, em uma tracklist de 17 faixas com narrativas que vão da sobrevivência à ostentação.
“Tem muitos artistas aí que, além de serem amigos, eu sou fã, né?”, contou. “Mas tem muitos que ficaram de fora, fiquei triste por isso, mas tem a próxima etapa”, revelou.
Já a quantidade de músicas não foi um problema: “Pra mim, quanto mais tiver, melhor. Eu soltaria mais músicas ainda, sabe? Graças a Deus, eu estou no momento mais inspirado da minha carreira. Eu parei para ver que, se juntar 2023 e 2024, não dá a quantidade de música que eu trabalhei em 2025 e 2026. É o momento em que eu estou mais criativo, a inspiração está transbordando.”
Com pelo menos seis faixas no Hot 100 da Billboard Brasil – e o “Famoso Ímã O Poderoso Chatão” em segundo lugar na parada -, Lele explica que é preciso equilíbrio na hora de produzir, porque há uma lógica acelerada nas plataformas. “Isso traz uma cobrança de criatividade, de estar no estúdio fazendo mais músicas. Hoje, para mim, se eu entrar no estúdio e não fizer três músicas, não está valendo. É alta produção mesmo. Eu já acordo me cobrando.”
O artista entendeu seu público e passou a apostar em uma conexão com sua base, mesmo em um cenário que pede músicas curtas e virais. Quando questionado sobre a pressão, ele explicou que ela existe, mas que também é um “presente alcançar esses lugares”, e complementou: “É levar como comprometimento e alimentar essa galera aí. Tem que manter a constância”.
Os números podem impressionar nas plataformas, mas, no dia a dia, esse impacto tem se materializado. MC Lele JP também contou que estava mais confiante e seguro no processo de produção deste segundo disco. Agora, se sente realizado com toda a repercussão.
“Agora mesmo eu estou cortando o cabelo aqui na comunidade onde eu nasci, já passaram uns dois carros aí tocando as faixas. Eu me sinto realizado, né? Acho que essa sensação nós temos que sentir sempre, porque antes era só um sonho, hoje, graças a Deus, é realidade. E eu peço para Deus nunca tirar isso de mim, sabe? Igual aquele frio na barriga que nós temos sempre, quando vamos subir no palco, quando acontece alguma coisa. Faz parte do jogo.”
Se na capa MC Lele JP está no centro da disputa, na contracapa aparece encarando o próprio passado. “Ele te incomoda ou te move?”, pergunto. Ele responde:
“Acho que é impulso, né? O que passou, passou, mas não dá para descartar o passado. Ele faz parte da nossa evolução. Eu evoluí bastante como pessoa, como ser humano. Até a minha criatividade vem disso. Se eu não tivesse passado por certas coisas, eu não estaria com a mente que eu tenho hoje. Coloquei em mente que eu não posso deixar a peteca cair. Por isso eu tenho essa constância no estúdio, trabalho dobrado. E eu enfrento o meu passado com toda convicção.”
Parte essencial da construção artística de Lele vem de um lugar menos óbvio: a igreja. “Eu escuto louvor todos os dias. Quando eu estou no estúdio, eu sou o Lele; quando eu estou nos meus momentos, eu sou o Alessandro, sabe? Aí eu busco a minha essência, me conecto mais com o espiritual. Tem que ter equilíbrio, senão a gente fica doido. E acho que é isso que faz alcançar o sucesso também”, considerou.
Ele explicou que acredita que o preconceito com o funk está “sendo quebrado dia após dia”. “É só um ritmo, assim como outros gêneros também falam um monte de coisa, e está tudo certo. É música.”
Agenciado por Guilherme Sérgio Ramos de Souza, o MC IG, MC Lele JP faz parte do primeiro projeto brasileiro da Gringos World e da plataforma norte-americana Vydia, marcando o primeiro elo internacional da produtora. Tal posição permite expandir seu território de atuação.
“O contrato foi uma virada de chave na minha vida, eu nunca imaginei chegar nesses números. Eles estão abrindo um leque para a gente migrar para outros mercados. Estou ansioso. Eu falei: ‘O que vocês falarem, só me dá a missão que eu estou à disposição’.”
E parece que ele já tem novas ideias em mente. “Eu estou querendo me aprofundar agora no espanhol, né? Vai que nós acertamos um reggaeton”, brincou.