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‘Bagunça organizada’: WIU e Teto falam sobre show no Plantão

Artistas apresentam 'Colapso Global' neste sábado (25)

WIU e Teto (créditos - @juarez)

WIU e Teto (créditos - @juarez)WIU e Teto (créditos - @juarez)

Neste sábado (25), o Festival Plantão, criado por Matuê, celebra os dez anos da gravadora 30PRAUM, também comandada pelo artista. O evento rola em Fortaleza, e um dos destaques da programação é a parceria entre Teto e WIU em “Colapso Global”, encontro criativo que rendeu álbum e que agora se torna um show especial.

A Billboard Brasil conversou com os artistas sobre o disco e a performance conjunta no festival, que coloca o trap nordestino como protagonista.

Para eles, a apresentação no festival é também a comemoração de uma grande caminhada. “É uma responsabilidade imensa fazer parte de tudo isso, ainda mais numa edição tão especial, celebrando os 10 anos da 30PRAUM e da força de permanecer se reinventando no mercado todos esses anos, conquistando o público de uma forma diferente, trazendo coisas que possam gerar essa interação”, conta Teto.

“Estar mais uma vez no Plantão, ainda mais junto com o WIU, com show novo, estética nova, lançamento novo, um álbum novo… nós colocamos muito carinho e coração nesse show desde o começo e eu tenho certeza que vai ser massa demais, sem dúvida”, complementa.

Lançado em 27 de janeiro, “Colapso Global” traz dez faixas inéditas. A estreia oficial do espetáculo que leva o mesmo nome foi pensada para oferecer uma experiência imersiva do universo do álbum. “A gente fez totalmente pensando nesse universo do disco. Eu gosto pra caramba e queria ver na pista. Então é um show muito de celebração, assim como o Plantão inteiro. Eu sinto muito esse lado da gente estar em casa. É um show que a gente fez pra situar a galera dentro do nosso mundo e trazer realmente a vibe do ‘Colapso Global’. Acho que a energia, a bagunça do ‘Colapso Global’, a pluralidade que eu e o Teto temos juntos… é um show de festa, mano”, conta WIU.

O fator “casa” também muda a dinâmica emocional. “E o que muda é a sensação. A gente sente que está jogando em casa, no Nordeste, sendo um festival nosso. Então é um pouco mais tranquila a responsabilidade”, completa Teto.

A relação com o público, aliás, é um dos pontos cruciais da performance. “Eu sei que aquela galera ali está conectada com a gente, com a nossa ideologia, com o nosso movimento, e espera o ano inteiro por aquilo”, explica Teto.

“Quando a gente sobe no palco, é uma identificação instantânea, eu me conecto com a galera. Eu me divirto muito”, diz WIU. A sensação, segundo eles, se aproxima de “curtir um som com amigos”.

Teto e Wiu no Festival de Verão de Salvador 2026 (créditos Leawry)
Teto e Wiu no Festival de Verão de Salvador 2026 (créditos Leawry)

No palco, a união dos universos individuais se transforma em um dos principais desafios, mas também em um dos maiores trunfos do projeto. “Cara, eu acho que é sempre um desafio tentar unir os dois mundos musicalmente, mas ao mesmo tempo é muito prazeroso ver o resultado dessa mistura. Eu gosto de pensar que existe uma parte do meu show que é muito boa e que se completa com a parte do show do Teto, que também é muito boa — na performance, na interpretação. Se eu tivesse que expressar minha sensação com uma imagem, era tipo a capa do ‘Colapso Global’, mano. Define muito bem: é muita coisa irada ao mesmo tempo e se completa muito bem. Eu sou muito fã do Teto, eu faço as dobras dele, ele faz as minhas quando eu estou cantando… a gente se diverte muito junto. Na real, o que muda é mais a ordem das músicas, porque se pudesse, eu cantava uma dele, uma minha…”, conta WIU.

Ele completa: “No Plantão, a gente tá fazendo uma experiência nova, com coisas ali que a gente leva pro palco pra trazer uma relação maior com o público e enxergar ainda mais o significado disso pra nós. Pra gente é um tiro no escuro, a gente não sabe como a galera vai receber, mas é muito divertido criar tudo isso e acreditar. Eu não vejo a hora de apresentar. A gente junta os músicos, produz coisa nova, como se fosse lançar uma nova versão daquele projeto ali. Mão na massa mesmo.”

“Colapso Global” é considerado pelos artistas um manifesto sonoro. O álbum tem misturas e experimentações, que passam pela música eletrônica ao jazz, adicionando diferentes camadas ao trap. A recepção do público, segundo a dupla, revelou uma nova percepção sobre o trabalho deles. WIU explica:

“Eu sinto que a galera entendeu o quão músico a gente é e o que a gente busca. Muita gente ficou muito feliz com isso. E também tem quem escuta e fica surpreso, por não saber que a gente ouve aquilo ou gosta daquela vibe. Mas eu sinto que o público abraçou a gente como músico de um jeito que eu nunca tinha sentido antes, de verdade. Isso é muito massa. Principalmente eu, que faço vários beats — fiz uns beats pra esse álbum também — fico muito feliz de ver quando a galera escuta algo 100% novo meu e fala ‘mano, isso é muito quente’. Essa é a surpresa que eu busco toda vez que lanço alguma coisa”.

Teto complementa:

“É sempre um papel do artista trazer essa divisão, sabe? Como a gente vai surpreender, como vai chocar, como fazer a galera ter essa perspectiva de curiosidade, mesmo que não goste de primeira. Existe um trabalho muito grande nisso. Nosso papel é acreditar no que a gente faz, fazer bem feito e gerar esse movimento. É importante que exista essa divisão pra amadurecer a ideia da galera”.

Essa busca por ruptura também aparece no conceito do álbum. O “colapso” do título não se limita a uma leitura única. “Tem a ideia de que o mundo pode acabar a qualquer momento e a gente está aqui fazendo música, criando motivo pra dançar”, explica WIU. Ao mesmo tempo, o caos se reflete na própria construção sonora. “É uma bagunça organizada, com contrastes fortes entre as faixas. Isso também traduz como a gente enxerga o mundo.”

“A gente foi construindo esse significado juntos. É um reflexo da realidade, das mudanças rápidas, de uma situação pra outra. Tudo isso está dentro do disco”, esclarece Teto.

Apesar do caráter experimental, o projeto nasceu sem grandes amarras ou estratégias rígidas. “Sempre foi muito despretensioso”, afirma Teto.

“A gente queria achar uma forma de fazer essas músicas chegarem ao público, criar uma narrativa. Eu tinha o sentimento de que, antes de começar uma nova grande jornada individual, a gente devia essas músicas pro público. Eram músicas que a gente guardava e elogiava entre nós. A gente trabalha muito com o prazer de criar, de fazer nossos fãs ouvirem mais do que eles pedem. Sempre foi despretensioso, mas, independentemente de onde for, a gente só quer estar cantando essas músicas ao vivo. Onde a gente estiver junto, a gente vai querer cantar junto.”

No Plantão, essa proposta encontra o cenário ideal.

Ouça ‘Colapso Global’, de Teto e WIU