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Entenda por que o Só Track Boa encerra edição de 2026 como terapia para 80 mil fãs

Festival de música eletrônica aconteceu no Autódromo de Interlagos

Só Track Boa 2026

Só Track Boa 2026

“Isso não é terapia… mas é terapêutico”, escreveu Vintage Culture no céu do Autódromo de Interlagos neste sábado (6). Os drones do anfitrião do Só Track Boa reforçaram o que o público frequentemente comenta nas redes sociais: um festival de música eletrônica serve mais do que um ambiente de festa, mas também um local de alívio emocional.

É claro que o processo conduzido por um profissional qualificado é de extrema importância e não pode ser substituído, mas não podemos negar que, embora não seja um tratamento médico, ouvir uma boa música ou dançar ao som do seu DJ favorito são atividades que proporcionam relaxamento, alívio do estresse e promovem bem-estar. Bom, ao menos é isso o que mais de 80 mil pessoas que frequentaram o festival em 2026 parecem pensar.

O Só Track Boa encerrou a edição deste ano na capital paulista com a maior estrutura já realizada, com quatro palcos e mais de 40 atrações. Para ter ideia, o palco NSD (Never Stop Dancing) tinha 1 quilômetro quadrado de LEDs imponentes. Foi o maior palco já construído no festival.

Por ele, passaram neste sábado (6) grandes nomes do techno melódico, como o israelense Adam Sellouk, o holandês Colyn e o alemão Kevin de Vries, além da dupla brasileira Departamento, que promoveu sua nova faixa, uma colaboração com Vintage Culture, em um truck pelo festival.

Um dos destaques do NSD, claro, foi o anfitrião. Vintage Culture reuniu uma multidão de pessoas, como o previsto, que lotaram o espaço para ouvir hits como “Lost”, por exemplo. Próximo ao final do set, rolou um show de drones, como citei no início do texto. Formando imagens desde seu símbolo até uma caricatura de seu cachorro, o Bento, os drones no set do DJ e produtor trouxeram um tom emocional para a apresentação, e, ao mesmo tempo, nostálgico, porque ele também foi realizado em 2023, quando o festival ocorreu pela primeira vez no Autódromo de Interlagos.

E se depender de Vintage Culture, até mesmo o Hexa vem. Ao lado da imagem de uma taça da Copa do Mundo de futebol, a frase “Somos campeões por natureza” também foi promovida.

Ao final, o palco recebeu dois grandes nomes do psytrance brasileiro, Vegas e Blazy, acelerando mais uma vez os BPMs durante o encerramento.

No Oca, Liu mostrou por que é um dos artistas brasileiros que mais faz sucesso fora do país, abrindo os trabalhos para Max Styler, norte-americano super aguardado pelo público para um set solo no sábado depois do b2b no dia anterior com Vintage Culture. Ele lotou o espaço e fez uma apresentação forte.

Mochakk, que na sexta-feira (5) havia cancelado sua apresentação com Clementaum para cuidar da saúde, também não pôde comparecer ao festival no segundo dia. Em publicação no X, ele explicou a situação: “Tomei um susto e fui internado ontem pra fazer uma bateria de exames, saí hoje aqui do hospital mas ainda tô em observação e preciso repousar e monitorar alguns sinais vitais, infelizmente não vou poder me apresentar hoje também no sotrackboa 🙁 espero que vocês entendam, tô bem triste mas estou bem e estou me cuidando, vcs não precisam se preocupar.”

Ele, então, foi substituído por Solarce Brothers, que assumiu o espaço com seu som que bebe de referências da música brasileira, além de disco, jazz, funk e soul. Em seguida, vieram Damian Lazarus e Dixon, nomes prestigiados e conhecidos por proporcionar verdadeiras viagens sonoras. Por fim, o brasileiro Beltran ficou incumbido de encerrar o palco, após o britânico Ben Sterling também cancelar sua vinda ao país devido a problemas de saúde do seu pai.

No Luvlab, o sábado recebeu apresentações de Chediak, Young Clubber, D. Silvestre, Dayeh b2b Bonequinha Iraquiana, Ramon Sucesso e Eli Iwasa b2b Deekapz, mostrando a pluralidade da música eletrônica brasileira, celebrando o bass, o house e o funk, em uma mistura de sons que balançou a pista.

Por fim, preciso confessar que o palco com menos luzes e estrutura foi o meu preferido. O Organic mostrou uma curadoria de primeira ao colocar nomes de diferentes gerações em b2bs interessantíssimos. Ele foi criado para esta edição do festival e espero que continue a fazer parte da estrutura, porque foi de lá que vieram apresentações que foram verdadeiras aulas.

Bruno Be tocou junto com o belga Kolombo, e Meca com o belga Loulou Players, dois nomes internacionais que foram importantes para o desenvolvimento da cena e da criação também do Só Track Boa. Destaque para o set de Meca e Loulou que manteve a energia do início ao fim, com um house de qualidade, e, para mim, um dos melhores da noite.

Além disso, dois nomes importantes da cena se uniram em b2b, Gabe e Volkoder, além de Mila Journée junto com a alemã Magdalena. Um encerramento digno para o festival.

No fim das contas, a mensagem gravada no céu fez todo o sentido. O público permanecer em um festival por 12 horas é a prova de que a pista de dança pode ser um divã coletivo. Mesmo sem substituir a terapia convencional, a experiência de um festival pode curar qualquer semana difícil. Como dizem os drones… será que o público já está com “saudadis”?

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