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‘Daqui a uns anos vão perguntar o que faço e direi: Sou a Paloma’

A artista discute o futuro de sua carreira em papo com a Billboard Brasil

Paloma (divulgação)

Paloma (divulgação)

Aos 21 anos, a parisiense Paloma representa com perfeição a nova dinâmica da Geração Z no mercado criativo global. Além de sua crescente trajetória como DJ internacional, ela atua intensamente como modelo e influenciadora digital de lifestyle, sendo embaixadora de marcas de luxo.

Em entrevista à Billboard Brasil, a artista foi honesta e surpreendeu ao revelar que, ao contrário do que muitos pensam, as pistas de dança não ocupam o topo de suas prioridades profissionais.

“Para ser bem sincera, a música não está no centro da minha carreira. A moda é o centro. É o que eu sempre quis fazer: direção criativa, estilismo, desde a fotografia até a modelagem, tudo o que gira em torno da moda. Eu sempre amei roupas. Trabalhei como stylist por muito tempo e foi maravilhoso, quero trabalhar em revistas e tudo mais. Acho que hoje, nesta geração, temos muita sorte porque as gerações passadas precisavam se colocar em uma caixa, você precisava de um rótulo. Te perguntavam o que você fazia e você tinha que ser aquilo”, analisou Paloma.

Embora esteja pavimentando seu próprio caminho na moda, a jovem carrega a música em seu DNA. Paloma é filha de Bob Sinclar, um dos mais influentes nomes da história da música eletrônica mundial, dono de hits globais que marcaram gerações como “World, Hold On”, “Love Generation” e “Rock This Party”. Crescer sob a influência de um gigante das pistas deu a ela uma bagagem musical única, servindo como uma base sólida para que ela explore o mundo das artes sem se limitar a apenas uma vertente.

Paloma entre as pistas e as passarelas

Para ela, o cenário em 2026 permite uma liberdade de trânsito artístico sem precedentes. “Hoje em dia, com o tempo e as redes sociais, o seu trabalho é a sua própria pessoa. O que você gosta? O que quer fazer? Quem você quer ser? Você consegue misturar tantas coisas diferentes e é isso o que estou tentando fazer. Acho que, no fim, o objetivo final sempre será a moda. Eu quero ser a editora-chefe da Vogue, esse é o grande plano.”

“Mas como eu tenho apenas 21 anos e tudo é tão aberto agora, podemos tocar em tantas áreas diferentes. Especialmente no campo artístico, se você se define como artista, esteja você pintando, desenhando, fazendo styling, discotecando ou produzindo música, acho que tudo se complementa. Tenho muita sorte por isso. É algo lindo. Existem muitas coisas negativas sobre a nossa geração, mas essa flexibilidade é um ponto extremamente positivo.”

Essa visão integrada de suas habilidades dita a forma como ela planeja seu próprio futuro e a percepção do público sobre sua marca pessoal. “Vou tentar, com o tempo, misturar tudo o que amo. Eventualmente, acho que em uns três, quatro ou cinco anos, quando as pessoas me perguntarem o que eu faço, vou responder apenas: ‘Eu sou a Paloma’. Você poderá ver o que eu faço nas minhas redes sociais, em diferentes plataformas, na revista para a qual eu trabalhar, mas também nas músicas que forem lançadas – que eu potencialmente queira fazer.”

“O nome Paloma vai significar muitas coisas diferentes. A música será uma grande parte disso, mas talvez não o centro. Eu sou o centro, e então terei todos esses ramos saindo de mim com tudo o que eu amo. No final das contas, o questionamento difícil é apenas a cereja do bolo. É como dizer: ‘Sou uma artista, e o que eu faço? Bem, eu sou DJ, sou modelo, faço styling, escrevo, faço muitas coisas’. Eu quero atuar, quero experimentar cada parte da arte que existir”, confessou Paloma.

Essa postura aberta e experimental também se reflete em sua percepção sobre o mercado da música eletrônica atual e os desafios que enfrenta ao redor do mundo. Paloma revelou que o comportamento do público muda drasticamente dependendo da região geográfica, o que torna o trabalho nas picapes um desafio complexo.

“Acho realmente difícil, para ser honesta. Meu pai costuma dizer muito que está preso nos seus próprios hits. Bem, eu não tenho nenhum hit próprio, mas meio que me sinto na mesma situação: estou presa nos hits dos outros. Aqui na Europa, e acho que principalmente na França, as pessoas são muito ansiosas para ouvir apenas as músicas que elas já conhecem, em vez de estarem abertas a escutar faixas novas.

“Percebo com muita frequência nos meus sets que o público fica ali sentado esperando a música que conhece; aí eles acham incrível, dançam e levantam as mãos. Quando é uma música que não conhecem, mesmo sendo uma faixa excelente,, os frequentadores de clubes de hoje em dia não são realmente receptivos a novidades. Eles querem segurança, querem ser levados para o que já conhecem.”

Segundo a DJ, essa resistência cultural é uma característica muito específica da Europa.

“Acho que é uma coisa muito da Europa, e da França acima de tudo. É um comportamento muito dos franceses, porque eu já toquei na Itália e na Espanha e senti que as pessoas são muito mais abertas a escutar músicas novas. Nos Estados Unidos também é diferente. Um amigo meu me pediu para tocar na festa dele uma vez, apenas por diversão, entre amigos. Lembro que tive uma reação completamente diferente da multidão, com pessoas que nem sabiam quem eu era. Elas não conheciam nenhuma das músicas e eu as assisti dançar por duas horas; estavam totalmente dispostas a ouvir algo desconhecido. É realmente difícil hoje em dia.”

Para contornar essa barreira, Paloma aposta na própria performance no palco para contagiar a pista, diferenciando-se, inclusive, do estilo de seu próprio irmão, que também atua na área. “Eu adapto meus sets, mas preciso gostar do que faço. Eu sei que toco músicas que eles não conhecem, eu gosto disso e sinto que tenho muita energia. Quanto mais energia eu coloco para fora, mais as pessoas querem se juntar a essa vibração. Então, às vezes, independentemente de conhecerem a música ou não, consigo me conectar com eles, mas é sempre através da minha presença física e menos pelas faixas em si. Se eu ficasse em silêncio, seria diferente, e eu já vi isso acontecer antes.”

“Meu irmão também é DJ e, honestamente – ele me manda não dizer isso e odeia quando eu falo -, ele é um DJ ainda melhor do que eu. Ele se conecta de música para música, explora as faixas e mixa as coisas de um jeito muito especial. Mas, justamente porque ele toca músicas que as pessoas não conhecem, o público não vibra tanto com ele quanto vibra comigo, porque eu sou muito mais focada em agradar a multidão e toco muito mais músicas que as pessoas gostam”, concluiu Paloma.

 

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Paloma tem sua estreia marcada no Brasil em novembro como uma das atrações da festa oficial do GP São Paulo de F1, no Posh Club.