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Para DJ Meme, o Brasil ‘tem essa coisa de moda’ com estilos musicais

Em entrevista à Billboard Brasil, ele fala sobre a house music no país

DJ Meme no Hot Beats Music Conference (@bruno_contrino)

DJ Meme no Hot Beats Music Conference (@bruno_contrino)

DJ Meme é reconhecido como o padrinho da house music no Brasil: foi um dos pioneiros do remix no país, ainda nos anos 1990, e desde então já produziu para nomes como Shakira, Lulu Santos e Fernanda Abreu, além de ter sido convidado pelo lendário Frankie Knuckles para integrar a Mix, uma das agências de DJs de house music mais importantes do mundo.

Lá fora, seu trabalho é celebrado por selos de peso como a inglesa Defected — cujo fundador, Simon Dunmore, já disse publicamente ter ficado impressionado com a forma como o brasileiro mistura a batida disco com a música latina do seu país de origem.

Aos 50 anos de carreira, DJ Meme também toca regularmente fora do Brasil, com passagens frequentes por países como Indonésia, Inglaterra, Suíça, França e Alemanha. Mas, quando o assunto é o próprio Brasil, ele tem uma visão crítica sobre como o gênero é tratado por aqui — e não poupou opiniões em entrevista à Billboard Brasil, concedida durante a Hot Beats Music Conference, evento que reuniu entusiastas e profissionais da cena eletrônica.

Apesar de ser tratado como padrinho do estilo, DJ Meme diz que a house music no Brasil “é confundida com outros gêneros” e que “não é tão difundida” como poderia ser. Ele faz questão de separar o que produz da house clássica dos anos 90, deixando claro que não é esse o som que toca hoje.

Na visão do DJ, o problema é que o público brasileiro só presta atenção ao gênero quando alguma faixa de house estoura lá fora — “aí todo mundo fala: agora é house”. Para ele, o Brasil “tem essa coisa de moda”: abraça o estilo por um tempo e depois segue para a próxima tendência.

Essa relação sazonal, segundo DJ Meme, já se repetiu mais de uma vez nos últimos anos. Ele cita o exemplo do colega Mochakk, que ao lançar uma faixa e apresentá-la como house fez com que “todo mundo virasse house de novo por dois, três meses”. O mesmo aconteceu, lembra ele, quando Vintage Culture colocou uma música na Defected, um dos selos mais respeitados da cena internacional: por um tempo, todo o país voltou a falar que “o Brasil é house” — até a atenção migrar para outro assunto.

Mesmo com essa crítica, DJ Meme afirma que não guarda ressentimento com o mercado brasileiro. Ele diz que “o trabalho que eu faço serve para cá e para o mundo todo”, independentemente de o público local acompanhar ou não o momento certo do gênero.

E, apesar de já ter tido oportunidades para se estabelecer em outros países ao longo de cinco décadas de carreira, ele reforça a escolha de continuar no Brasil: “O Brasil é lindo, é fofo, e eu continuo aqui. Se eu quisesse, já tinha saído, mas é aqui que eu quero ficar.”

Ouça os maiores sucessos de DJ Meme