Veja o que fãs fazem para ficar ‘no front’ e perto dos DJs no Só Track Boa 2026
Festival acontece nesta sexta-feira (5) e sábado (6) em São Paulo

Palco NSD no Só Track Boa 2026
Em todo festival há quem goste de ficar na grade. Sempre há histórias de pessoas que acampam na fila ou chegam cedíssimo só para garantir um lugar na frente do seu ídolo. Há inclusive relatos de fãs que usam fralda para não precisar sair do lugar para ir ao banheiro. Na cena da música eletrônica, ficar perto do palco é chamado de estar no front.
E não é difícil encontrar amantes desse espaço. No primeiro dia da Só Track Boa 2026, por exemplo, a Billboard Brasil encontrou vários deles. Mas a conversa rolou longe do palco, claro, porque ficar de papo no front não é muito bem visto.
Paulo Vento, 41, é produtor de eventos em Piracicaba, no interior de São Paulo, e sua especialidade, para a surpresa de alguns, é em rodeios. Ele organiza shows de música sertaneja, mas sua grande paixão é a música eletrônica. Nesta sexta-feira (5), ele foi ao festival com a namorada Isadora Silva, 34, que aprendeu a curtir o rolê eletrônico com ele.
“A gente gosta de vir assim no front pra conferir toda a estrutura, toda a energia, a experiência que traz cada palco, né? Aqui cada palco tem sua identidade trazendo aquela emoção do som e de cada DJ que está tocando no seu set”, explicou sobre sua preferência por ficar perto de cada estrutura.
“Então, é mais impressionante, principalmente aqui que tem quatro palcos, se você não tiver no front você não vai sentir a emoção de cada palco, né?”, brinca.

A Só Track Boa de 2026 acontece no Autódromo de Interlagos, na capital paulista, e conta com quatro palcos: NSD, Oca, Luvlav e Organic, com 40 atrações que passeiam por diversas vertentes da música eletrônica.
Karina Roberta, 29, e sua amiga Jessica Akeny, 28, se conheceram por conta da música eletrônica. E o primeiro rolê delas foi indo curtir front. Elas garantem que fazem o que for possível para aproveitar o espaço.
“Ah, a gente já fez loucura sim. Ficamos segurando o xixi pra nao sair do front! Na hora que a gente entra, a gente fica, não sai, pode estar acabando o mundo”, brincam.
O motivo de curtir a festa próximo ao DJ é explicado pela bancária e pela enfermeira: “A energia, o som, você está perto do DJ, vê o que está acontecendo de fato. A batida entra realmente dentro de você, né? Eu acho que tem essa coisa da força do som ali na frente. A gente escuta em todo lugar, mas ali no front a gente sente dentro do nosso coração. É bem diferente. É mágico.”

E de loucura para ficar bem perto do palco e tentar conhecer os seus DJs favoritos as amigas Isabela Iscalfi, 30, Barbara Morasi, 30, e Valquíria Oliveira, 36, entendem.
“Eu já invadi quase o palco uma vez, era o Berg que estava tocando, foi quando eu fui numa rave faz muito tempo, mas eu tentei invadir, eles não me deixaram subir em cima do palco, mas a gente sempre tenta”, contou Isabela sobre querer tirar uma foto com seu ídolo.
“A gente sempre se prepara, chega mais cedo, já se alimenta bem antes, toma bastante água, se organiza. Para ficar direto lá, não é fácil, né? Aí às vezes dá uma saidinha e daqui a pouco a gente volta de novo.”
As amigas que moram em Valinhos, interior de São Paulo, completam: “É emocionante, a gente que ama a eletrônica não tem como não gostar do front.”

A cena da música eletrônica também é cheia de pessoas que viajam para curtir as festas em outras cidades, estados e até mesmo países. Esse é o caso do amigos Oseias Pereira, 27, e Alex Silva de Oliveira, 27, de Minas Gerais.
Eles frequentemente viajam para acompanhar os artistas que amam, principalmente o anfitrião da Só Track Boa, o Vintage Culture, já tendo ido para diversas cidades de São Paulo, como Guarujá, Campinas e Ribeirão Preto, e até mesmo para Ibiza, na Espanha, para curtir o som do ídolo.
É claro que eles também são amantes do front e chegam cedo para garantir um espaço que definem que é o “melhor lugar do rolê”.
“Eu acho que a energia do pessoal, o astral, não que do meio pro fundo seja morto, mas lá na frente eu acho que a energia é dobrada, sabe? O pessoal se joga mais, se entrega mais, canta mais, pula mais, sem ligar muito. O que a gente vê na cena eletrônica é muita gente que não se solta por medo das pessoas do lado olharem. E no front não tem isso. Todo mundo dança, ninguém repara em ninguém, e a gente está ali pra se jogar”, conta Oseias.
“A gente já nasceu preparado e vem pra arrasar”, brinca Alex. “Eu acho que o preparativo é só a energia, as vibes mesmo. Se o DJ estiver na mesma onda que a gente, a gente fica enquanto ele estiver lá, enquanto ele estiver tocando ali na CDJ dele, a gente está lá de frente com ele. Se ele não vai no banheiro, a gente não vai, se ele não come, a gente não come também”, completa o amigo.
O bancário e o coordenador de projeto revelam que já chegaram a ficar mais de 11 horas curtindo na frente. “A gente sabia que se a gente saísse dali, a gente não conseguia voltar. Além de tudo, íamos perder toda aquela energia maravilhosa, coisa surreal, de outro mundo. Aí a gente ficou. Foram mais de 11 horas, nós fomos os primeiros a chegar no front e os últimos a sair. E ainda fomos para o after depois, direto”.

O festival continua neste sábado (6).
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