Descubra os melhores momentos da primeira noite do Só Track Boa 2026
Festival acontece no Autódromo de Interlagos nos dias 5 e 6 de junho

Palco NSD no Só Track Boa 2026
Com a primeira noite entregue nesta sexta-feira (5), o Só Track Boa continua a mostrar o porquê é um dos maiores festivais de música eletrônica do Brasil. A edição deste ano acontece no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, reunindo pessoas do país inteiro.
O festival, que já teve outros estádios como sua casa na capital paulista, como o Canindé e a Neo Química Arena, retorna ao autódromo, local que o abrigou em 2023. Mas esse retorno marca a maior edição do evento: com quatro palcos e mais de 40 atrações em 12 horas de música eletrônica.
Com início às 16h de sexta-feira (5), quem emendou o feriado teve a oportunidade de pegar a programação completa e chegar cedo ao autódromo. Mas quem teve que esperar o encerramento do expediente para ir à Zona Sul de São Paulo encontrou uma fila curiosa: não era o trânsito, mas sim as pessoas esperando para entrar no festival.
Passado esse momento de aguardar a validação do ingresso, a entrega da doação de 1kg de alimento, a verificação da meia-entrada e a revista, a entrada no autódromo já dava de cara com a imponência do NSD, o palco Never Stop Dancing. Certamente, a estrutura mais marcante e icônica da história do festival.
O palco tradicionalmente tem um estilo arquitetônico, mas nesta edição rolou uma megaestrutura, quiçá a maior de todas. O local recebeu apresentações de grandes artistas, como Above & Beyond, conhecido por um som etéreo e cheio de mensagens positivas, daqueles de colocar as mãos para o alto e fechar os olhos.
Há também um momento muito tradicional do trio — que se apresentou como dupla por aqui: o “push the button”, em que fãs sobem ao palco para dar play em uma música. Geralmente, o público fica com cartazes na plateia esperando ser escolhido. E pensar que esse momento especial aconteceu de forma mais curiosa ainda: Jono, um dos integrantes, sofreu um acidente cinco horas antes do voo para o Brasil. Ao chegar ao país, ele foi ao hospital com dores e descobriu microfraturas no braço. Mas para quem nunca cancelou um show, não seria diferente: ele se apresentou usando uma tipoia.

A sequência contou com Artbat, que também veio desfalcado. A dupla ucraniana na verdade se apresentou solo: é que Artur não pôde vir ao Brasil por motivos de saúde e precisava se recuperar. Então, Batish tocou sozinho e, claro, agradou ao público com os inúmeros hits do duo, como “For a Feeling” e “Return to Oz”.
O NSD ainda recebeu o britânico Eli Brown junto com o brasileiro Victor Lou, em um passeio entre o house, o techno e o tech house; o alemão Boris Brejcha, um artista que tem uma relação muito forte com o Brasil desde o início de sua carreira — aliás, o país foi um dos grandes fomentadores da sua trajetória —, apresentando sua sonoridade única, o hi-tech minimal, e considerado por muitos a melhor apresentação da noite; e Kobosil, encerrando a estrutura com o BPM acelerado e fazendo o gosto dos fãs de hard techno e schranz.
Vale destacar o “Momento NSD”, que acontece às 2h, com um grandioso show de fogos em homenagem à história do Só Track Boa. Com certeza, aquela parte da festa em que todo mundo olha para cima, pega o celular e se emociona.

O Oca, palco em formato circular, tem essa ideia de acolher o público, numa referência mesmo ao povo indígena e à ancestralidade da comunhão. Preciso confessar que nesta edição ele superou minhas expectativas. No line-up, depois do brasileiro Maz com Bedouin, baseada nos Estados Unidos mas com heranças do Oriente Médio, que entregaram uma apresentação que adicionou essas pitadas culturais ao house, um dos nomes clássicos chegou: The Martinez Brothers. Os irmãos com ascendência porto-riquenha mas criados nos Estados Unidos são conhecidos por performances energéticas. E foi isso que eles entregaram no Autódromo de Interlagos: um set animado, que casou perfeitamente com o artista seguinte. Não dava para sair do palco.
Quem foi a algum evento em Interlagos sabe bem como o ambiente pode ser frio, a temperatura baixa somada aos ventos pode atrapalhar um pouco a disposição para o evento. Mas parece que esqueci o vento batendo na orelha quando Sammy Virji subiu ao palco. Na minha opinião, o melhor artista da noite. O britânico entregou um set que não deixou ninguém parado, num set quente, que subiu a temperatura em um frio congelante de 13 graus. Passeando pelo house, garage e bassline, Sammy Virji fez dessa estreia no Brasil algo histórico.
Em seguida, ainda no Oca, o encerramento ficou por dois dos nomes mais bombados. O norte-americano Max Styler se tornou sensação de todos os festivais e plataformas de streaming, além dos sets de DJs pelo mundo todo — afinal, ele foi o produtor com mais músicas tocadas por outros DJs no mundo em 2025. Adicione esse hype a um dos nomes que sempre está no topo, Vintage Culture, e imagine um palco lotado. O anfitrião da festa tem uma legião de fãs que o acompanham não importa onde ele vá. E nesse b2b aguardadíssimo, não foi diferente.
O Luvlab ganhou um lugar estratégico este ano: ele fica no caminho para basicamente todos os palcos. Então é muito fácil dar uma passada ou ser conquistado por alguém que chame a atenção na estrutura. Ele é conhecido por sua curadoria que visa as experimentações musicais e à pluralidade brasileira e, claro, por dar cada vez mais espaço para o funk brasileiro, que é a música eletrônica fundamentalmente criada no Brasil.
A estrutura recebeu nomes como Nora, Cesar Nardini e Valentina Luz, esta que é um expoente brasileiro pelo mundo afora. Mas o grande destaque foi Clementaum, que inicialmente faria um b2b com Mochakk, mas acabou se apresentando sozinha por mais um artista fora do line-up devido à saúde. Mochakk publicou que, por orientação médica, foi recomendado permanecer em repouso por 24 horas, e que precisava se cuidar. A missão de controlar a pista ficou com a DJ, que obviamente realizou com sucesso e muita bateção de leque.
O palco mais recente foi o Organic, criado especialmente para 2026. A estrutura contava com uma área de backstage com acesso livre para qualquer pessoa. Era também o menor palco, com menos luzes, tudo para oferecer algo que literalmente estava estampado em seu nome: organicidade. Ali a música acaba falando mais alto que qualquer coisa — e bota alto nisso, o sound system estava potente.
No line-up, nomes que têm uma ligação forte com a história do Só Track Boa e expoentes que devem ganhar mais atenção na cena daqui para frente, como Nocapz b2b Sterium e Giu b2b Gabbs, mas como não falar de Amine Edge b2b Classmatic? O espetáculo uniu o francês que é um dos grandes desenvolvedores do g-house e tem uma história forte com o nosso país, além do brasileiro que despontou como uma das referências do tech house nacional. Esse encontro de gerações criou um dos momentos mais especiais da edição.
A sequência final do palco Organic manteve esse clima de energia compartilhada em comunhão, com Roddy Lima aumentando o som ainda dentro do house e do tech house, e Fran Bortolossi b2b Albuquerque entregando um som fino e elegante no encerramento da noite.
O festival continua neste sábado (6).
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