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Prêmio da Música Brasileira 2026: ‘Tem tudo para ser o mais bonito’, diz Zé Maurício

Diretor da premiação conversou com a Billboard Brasil

Zé Maurício Machline, diretor do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira (divulgação)

Zé Maurício Machline, diretor do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira (divulgação)

A contagem regressiva para a noite de 10 de junho já começou. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro se prepara para sediar a 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, que trará Cazuza como o grande homenageado da cerimônia. Sob a direção geral de Giovanna Machline e Zé Mauricio Machline, a noite promete ser um marco, revisitando a trajetória de um dos poetas mais intensos e transformadores do país, com transmissão ao vivo pelo YouTube.

Em entrevista à Billboard Brasil, Zé Mauricio Machline, idealizador do evento, conta que essa homenagem ao eterno “Exagerado” era uma dívida antiga. “Eu acho que nós demoramos muito, inclusive, para fazer essa homenagem ao Cazuza. Mas acredito que também seja o momento certo, porque a obra dele é extremamente relevante e, mais do que isso, atual. Os temas que o Cazuza traz em sua poesia parecem ter sido escritos ontem ou para o amanhã. É um momento ideal pela importância da sua obra e, principalmente, pelo trabalho que a Lucinha Araújo vem fazendo ao coletar materiais, cuidar e preservar a história pessoal e artística dele”, destaca. A escolha, inclusive, foi aprovada por unanimidade pelo Conselho do Prêmio, que conta com nomes como Gilberto Gil e Ney Matogrosso.

O complexo trabalho de curadoria musical, liderado pela direção artística e pela direção musical de Pretinho da Serrinha, começou com a difícil missão de selecionar quais hinos fariam parte do espetáculo. Ao explicar os critérios de seleção, Zé Maurício revela os bastidores do processo: “O critério começa quase como um sonho. O trabalho de curadoria das músicas já é extremamente difícil porque, na verdade, o desafio é selecionar o que fica de fora dentro de um universo tão rico. Começa por essa dor de desconsiderar uma faixa e assistir em outra, criando um quebra-cabeça complicado. Depois de definir a narrativa que queremos contar através das canções, começamos a idealizar as parcerias. Pensamos: ‘Nossa, essa interpretação nunca foi feita com essa temperatura ou com esse ritmo’, e a partir daí vamos escolhendo os nomes. Esse é o processo que utilizo na curadoria.”

Essa mistura de liberdade, lirismo e rock de clássicos como “O Tempo Não Para”, “Codinome Beija-Flor” e “Brasil” dialoga diretamente com a pluralidade do país. Questionado se a sociedade compreendeu esse legado, ele é categórico: “A maior prova de que o Brasil entende isso muito bem é o fato de o Cazuza continuar tão atual. A obra dele segue sendo trabalhada e cantada por todas as vertentes da música brasileira. Esse é o sonho de qualquer compositor: ver sua obra ser utilizada permanentemente. O Cazuza alcançou esse patamar, assim como outros grandes nomes. O Gonzaguinha, por exemplo, é cantado e recitado até hoje, e suas canções parecem feitas ontem ou escritas para o futuro.”

Com o palco do Theatro Municipal transformado em um grande encontro contemporâneo, o público pode esperar uma estética completamente inovadora. “É difícil escolher um ‘filho preferido’, mas, comparando com as edições anteriores, a grande diferença será a linguagem utilizada para apresentar a obra do Cazuza. Será um espetáculo muito emocionante, impulsionado pelo histórico dele e pelo cuidado que a Lucinha Araújo teve com o acervo. Tivemos acesso total aos arquivos dele e descobrimos materiais inéditos. Isso nos trouxe uma inspiração enorme para mudar toda a linguagem cenográfica. Como o conceito visual foi totalmente extraído do que descobrimos na obra dele, o resultado será tocante. Estamos trabalhando com duas cenógrafas incríveis, a Luísa Boca e a Nídia Aranha, que estão trazendo uma roupagem inédita para as músicas. A grande maioria delas será interpretada por esses artistas pela primeira vez. Estou muito animado e acho que este tem tudo para ser o nosso prêmio mais bonito”, revela o diretor.

Mais do que uma noite de festa, o evento reflete a própria evolução do mercado fonográfico. O prêmio aprendeu a acompanhar os fluxos da cultura, abrindo espaço e adequando suas categorias para abraçar a força da música urbana, como o rap, o trap e o funk, além da cena independente. “O prêmio acompanha de perto a evolução e o andamento do mercado. Os ritmos musicais são cíclicos: há momentos em que determinados estilos são mais ouvidos e consumidos do que outros. Nós vamos acomodando as categorias e as formas de avaliação de acordo com esse fluxo, porque, do contrário, ficaríamos fechados em uma bolha. A música brasileira é extremamente ativa no que diz respeito a novidades, mudanças, ritmos e formas de interpretação. Nossa pluralidade musical e artística é imensa, e acredito que esse seja o nosso maior legado como cultura: a qualidade presente nessa imensa diversidade.”

Essa busca incessante por excelência, e não por meras métricas de algoritmos e streamings, é o que equilibra o jogo. É essa filosofia democrática que permite ao prêmio tirar uma fotografia fiel da nossa cultura em 2026, colocando lado a lado na lista de indicados das 18 categorias nomes da nova geração como João Gomes, Marina Sena e BK’, junto a ícones como Alcione, Djavan e Marisa Monte.

“Graças a Deus a fotografia é justamente essa”, comemora Zé Maurício. “O critério básico e primordial de avaliação do prêmio é a qualidade, independentemente dos números de audiência. Isso permite que as pessoas concorram em igualdade de condições, bastando que o produto artístico tenha excelência. Para a premiação, não importa se o artista tem bilhões de audições nas plataformas de streaming ou não; o foco é o valor da obra. Isso garante o equilíbrio e a pluralidade, e é o motivo pelo qual o prêmio se mantém forte há tantos anos.”

Ao longo de 33 edições, a premiação se tornou um patrimônio dos próprios músicos. “O prêmio atingiu um patamar diferenciado e se consolida mais a cada ano. Ele deixou de pertencer à nossa empresa e passou a ser da classe musical. A adesão que temos de artistas de todos os gêneros do Brasil é imensa. Praticamente toda a música brasileira já passou pelo nosso palco, seja como concorrente, ganhador ou convidado, sem distinção de ritmo ou alcance comercial. Ao longo de todos esses anos, essa postura construiu uma expectativa muito positiva e um respeito enorme entre os artistas que produzem música no Brasil”, finaliza.