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Fresno fala sobre o ‘adeus bem resolvido’ do novo disco: ‘É um expurgo’

Antes do lançamento oficial, fãs com ingresso receberam o álbum completo

Lucas, Guerra e Vavo, da Fresno

Lucas, Guerra e Vavo, da Fresno (@andrezs)

Com 26 anos de carreira, a Fresno voltou aos palcos neste sábado (18) para a estreia ao vivo de “Carta de Adeus” em um Espaço Unimed lotado, em São Paulo. O 11º disco da banda ainda não chegou às plataformas digitais — isso só acontece na próxima quinta (24) —, mas já conquistou os fãs antes mesmo de qualquer lançamento oficial.

Nas semanas que antecederam o evento, a banda foi liberando trechos das músicas nas redes sociais, e a reação de parte do público foi de ceticismo. As prévias dividiram a timeline entre curiosos e desconfiados. Duas semanas antes do show, os fãs com ingresso receberam acesso antecipado ao álbum completo via Samply – e o tom mudou. O disco foi aclamado (com razão, 10/10), e alguns internautas até pediram “desculpas” para a banda.

“Isso prova que a gente faz um tipo de música muito ruim pro TikTok”, diz Lucas Silveira, vocalista, compositor e produtor da Fresno. “O trecho não diz nada, fomos entregando aos poucos. A escolha dos trechos, claro, foi carregada de intenção. Tem músicas que nada se repete e é uma construção. É tipo você pegar um filme e botar só uma cena do meio sem contexto.”

Lucas também fala sobre a postura que um artista deve ter diante dessas reações desconfiadas ou até mesmo negativas. “Acho que a pior coisa que um artista pode fazer é ficar tentando corrigir a percepção de um fã sobre o que o cara achou. E lembrando que se você ouviu um negócio e não bateu, isso não é nada. Eu tenho tantos artistas que eu amo que saiu disco novo e eu ouvi assim [sem gostar], mas isso não diminui em nada o que eu sinto por aquela banda.”

“O que eu sinto que as pessoas às vezes buscam é sentir de novo coisas. E você não vai sentir de novo coisas nunca, elas nunca serão as mesmas coisas. Talvez não seja as mesmas, porque você também já vai ser outra pessoa.”

Fresno
Fresno em ‘Carta de Adeus’ (Camila Cornelsen/Divulgação)

“Carta de Adeus” é, nas palavras do baterista Guerra, “um adeus bem resolvido” – aquele que, em outro momento da vida, teria deixado alguém destruído, mas que agora é dado com leveza e clareza. “É aquele tchau assim: ‘Valeu, bicho. Vida que segue”, sabe?”.

Lucas complementa. O disco inteiro orbita em torno de como a banda lida com perdas, encerramentos e transformações de relacionamentos, de fases, de versões de si mesmos. “A gente a vida inteira fica investigando como que a gente lida com as perdas, com os finais, com os encerramentos, todas as coisas. De todo e qualquer tipo de relacionamento, seja com um sócio, um amigo, uma namorada.”

“É um expurgo. Ao mesmo que tento abraçar aquele cara que viveu aquilo, também estou abandonando aquela carga para não trazer aquelas histórias comigo. Às vezes isso pode transformar a nossa vida numa coisa muito pesada”, diz o vocalista. “Podia se chamar, ‘Carta de Adeus: Terapia’. Tem despedidas que são massa assim, que são bem resolvidas. É como terapia, né? Você vai lá e resolve”, brinca Guerra.

O processo de produção do disco incorporou equipamentos analógicos dos anos 1980, como câmaras de eco e unidades de chorus. Lucas descreve o processo com uma imagem afetiva. “Tem músicas com a cara da música que eu ouvia no banco de trás do carro com a minha mãe dirigindo para me levar na escola. Aquela música que rolava naquelas rádios. Eu lembro que tinha um rádio relógio que acordava com um despertador tocando uma rádio tipo uma antena. A gente procurou ter isso assim.”

“A gente procura não ficar enchendo de intenções um processo que é sobrenatural e que às vezes vai gerar coisas inesperadas. A música que se pede ali para existir. Não é mágica, é um trabalho igual de padeiro fazer pão.”

Com o tempo, as escolhas sonoras foram revelando uma identidade. “A gente foi percebendo que o disco tava ganhando essas cores e aí sim, aí você começa a botar intenção para embalar, ver o que falta, o que pode reforçar”, acrescenta Vavo.

Fresno no I Wanna Be Tour 2025
Fresno no I Wanna Be Tour 2025 (b+ca/Divulgação)

Auto-referência sem nostalgia

Ouvindo o disco com atenção, é possível perceber ecos da própria discografia da Fresno – passagens que dialogam com fases anteriores da banda, mas sem tentar repeti-las. Para Lucas, isso é simplesmente consequência de quem eles são.

“Mais do que ser auto-referente, é você ter um repertório que é teu. Não é que a gente busca a referência da gente. A gente é a gente. Então vamos andando com aquilo, em um cardápio do que está dentro de nós.”

“A gente começou a trazer elementos musicais de fora do emo e da Fresno, mas que queira ou não queira são formadores pra gente enquanto banda. Essa é a parte mais divertida. Conseguimos brincar com isso de esconder coisas e mostrar coisas ali que são da nossa discografia.”

Constância como filosofia

Na discografia, a Fresno acumula diversos hits. Alguns deles seguem no setlist da banda – como “Eu Sei”, “Desde Quando Você Se Foi”, “Quebre As Correntes”, entre outras, apresentadas no show em São Paulo.

“A gente é muito uma prova viva de que esse sucesso ele se constrói de várias formas, mas o talvez o mais saudável e duradouro vem de uma constância”, diz Lucas. “E essa constância vem de você fazer o que você acredita. Não é o que uma outra pessoa mandou, não é ir atrás de uma trend daquele momento, ou porque a música agora tem que fazer isso, a banda tem que ser isso. Porque várias vezes você vai estar fazendo isso de graça, e para fazer isso de graça tem que ser algo que tu ama muito fazer.”

“O som que a gente faz é um som que eu faria se eu tivesse uma outra profissão também e a banda fosse um hobby. Porque aí isso traz uma leveza para a criação, porque não está atrelado ao resultado.

Lucas completou o raciocínio com uma visão sobre o que torna o trabalho sustentável ao longo do tempo. “Acho que a constância só pode ser construída se o trabalho for muito gratificante, o próprio fazer mesmo. Que acho que para a gente é isso — é muito gratificante simplesmente fazer, produzir música, gravar, ter ideia, se juntar para ouvir as coisas que a gente gosta.”

Fresno em 'Carta de Adeus'
Fresno em ‘Carta de Adeus’ (Camila Cornelsen/Divulgação)

O disco na íntegra e o que vem depois

Nessa primeira fase da turnê, o set completo de “Carta de Adeus” será tocado na íntegra — uma decisão que, segundo a banda, serve tanto ao público quanto aos próprios músicos.

Junto ao disco novo, a turnê também vai resgatar parte da história da banda. “O grande lance é justamente mostrar que aquela banda que esta lançando um bagulho novo agora também tem toda uma história para trás. Tem um disco todo novo e ainda um apanhado de sucessos, algumas coisas que a gente tem desenterrado também”, diz Lucas.

Os shows de lançamento percorrerão também, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba, com mais datas a serem anunciadas.

“Estamos muito felizes de estar nesse bom lugar [de carreira] de novo, vivendo o mesmo amor, com a vivência, com a estrutura, com o pensamento mais evoluído. Então tipo, colem lá que vocês vão ver coisas muito mais legais do que vocês viram em outros momentos”, promete Guerra.

Veja o setlist da primeira fase da turnê de ‘Carta de Adeus’, da Fresno

  1. “Eu Não Vou Deixar Você Morrer”
  2. “Carta de Adeus (Bye Bye Tchau)”
  3. “Tentar de Novo e de Novo”
  4. “Sóbria”
  5. “Pessoa”
  6. “Logo Agora Que o Meu Mundo Girou”
  7. “Tudo Que Você Quer”
  8. “Se Foi Tão Fácil”
  9. “Cantor e Taxista”
  10. “Eu Não Sei Dizer Não”
  11. “Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco De Minhas Lágrimas”
  12. “Redenção”
  13. “Porto Alegre”
  14. “Diga Pt. 2”
  15. “Infinito”
  16. “Deixa o Tempo”
  17. “Eu Sei”
  18. “Eu Nunca Fui Embora”
  19. “Manifesto”
  20. “Eles Odeiam Gente Como Nós”
  21. “Sua Alegria Foi Cancelada”
  22. “Milonga”
  23. “Eu Sou a Maré Viva”
  24. “Casa Assombrada”
  25. “Quebre as Correntes”
  26. “Desde Quando Você Se Foi”