O pássaro e o ovo: a filosofia por trás do show de TAEMIN no Coachella
Cantor do SHINee falou sobre os bastidores de sua estreia histórica no festival

TAEMIN (Grosby)
Na tenda Mojave do Coachella, com sua atmosfera úmida, TAEMIN surge para sua apresentação na noite de sábado (11) de uma gaiola esférica e carnuda. É mais do que apenas um elemento estético no cenário — em entrevista posterior à Billboard, o cantor explica que o adereço representa uma frase comovente de “Demian” (1919), de Herman Hesse (1987-1962), sobre um pássaro que se liberta do ovo: antes de poder viver de verdade, é preciso desconstruir o único mundo que você já conheceu.
O cantor de 32 anos sabe um pouco sobre esse tipo de salto de fé. Apresentado em 2008 como parte do grupo de K-pop SHINee, a voz de TAEMIN (na época ainda em desenvolvimento) mal aparecia em seu single de estreia, “Replay”. No entanto, por meio de uma poderosa combinação de habilidades de dança incomparáveis e uma visão criativa inovadora, ele se tornou um dos solistas mais requisitados do K-pop.
Após 16 anos sob a tutela da tradicional empresa de gerenciamento SM Entertainment, o cantor optou por não renovar seu contrato solo em 2024, assinando com a gravadora menor BPM Entertainment. (Ele se transferiu novamente para a Galaxy Corporation, casa de outro veterano do K-pop e artista do Coachella 2026, G-Dragon, há apenas um mês.)
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Considerando a recente mudança de gravadora, parece um milagre que o show do TAEMIN no festival tenha acontecido, e ainda mais que tenha sido tão bem-sucedido. Como sempre, o perfeccionista tem algumas observações para o segundo fim de semana. Mas, de uma perspectiva externa, o show afirmou de forma convincente seu status como artista entre os idols, desde a elaborada cenografia e iluminação até a entrega total em cada movimento, com um comprometimento absoluto com a arte.
Além dos antigos sucessos “WANT”, “Advice”, “IDEA” e “MOVE” — cuja contenção coreografada foi tão inovadora que inspirou uma onda de imitações após seu lançamento em 2017 — TAEMIN apresentou seis faixas de um projeto futuro: “Permission”, “Parasite”, “Frankenstein”, “Let Me Be the One”, “Sober” e “1004”.
Mesmo em uma indústria sufocante, TAEMIN sempre definiu a si mesmo e sua trajetória em seus próprios termos. Agora, após sua passagem histórica como o primeiro solista masculino coreano de K-pop a se apresentar no Coachella — e o primeiro solista do gênero com uma exposição dedicada a ele no Museu Grammy — o “ídolo dos ídolos” está pronto para dar o próximo passo.
“Embora eu não esteja focado em resultados, quero que minha equipe e eu conquistemos algo tangível juntos”, disse ele à Billboard, apontando para futuras turnês e prêmios como seus objetivos mais imediatos. Mas há uma aspiração ambiciosa que o cantor almeja para o futuro: “Quero ser alguém que seja lembrado quando as pessoas pensarem em arte”.
Abaixo, ele explica o processo criativo por trás de sua apresentação de 50 minutos no Coachella — e o que significou ser um dos dois artistas da segunda geração do K-pop a se apresentarem no fim de semana.
Billboard: Como você está se sentindo depois da sua estreia no Coachella?
TAEMIN: Eu estava muito nervoso, mas agora que o primeiro fim de semana acabou e os vídeos que as pessoas gravaram estão aparecendo no meu feed, estou menos ansioso. Para este segundo fim de semana, acho que vou me divertir mais e espero compensar minhas falhas.
Como foi o processo de preparação? Quando você começou a montar o setlist?
Comecei a planejar o setlist no ano passado, mas os detalhes foram definidos por volta de janeiro, principalmente fevereiro. Para ser sincero, eu já estava pronto para me apresentar no Coachella desde o início. Então, sempre que eu corria ou me exercitava desde então, eu ouvia minhas músicas e imaginava uma boa maneira de apresentar cada canção. Há um verso em “Demian”: “O pássaro luta para sair do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer precisa primeiro destruir um mundo.” Isso me inspirou muito, então o incorporei ao conceito da performance e do meu álbum. Algo sobre sempre insistir e quebrar paradigmas, mesmo em um mundo desconhecido, ressoou em mim.
A produção de “Parasite” também foi incrível. O que te inspirou?
Sinto que, quando era mais jovem, eu era mais tranquilo. Mas agora, existe muita pressão e enfrento ódio e negatividade com mais frequência. Quis retratar isso artisticamente através da minha música. Me dói ver tanto ódio no mundo. Isso me entristece, e fiz essa música para expressar meus sentimentos genuínos. Refleti bastante sobre isso, então é gratificante saber que a música está sendo apreciada.
This is what real live vocals sound like. Singing live like this is insane..
Taemin and live vocals never miss 🙂↕️#TAEMIN#TAEMCHELLA #TAEMIN_COACHELLA
pic.twitter.com/TUdBplwfmO— Taemlover (@Loya_Taemint) April 19, 2026
Uma das maiores reações do público foi para “MOVE”. Como você se sente em relação à resposta a essa música, agora que já se passaram quase dez anos desde o seu lançamento?
Honestamente, é uma música icônica e uma das primeiras que as pessoas associam a mim. Então, achei que definitivamente deveria apresentá-la — mas, como é uma música antiga, já a apresentei muitas vezes. [Desta vez], pensei em repaginá-la de alguma forma. Há uma sensualidade que vem da contenção dos movimentos, então eu esperava dar um toque mais moderno à música, preservando essa essência.
O arranjo ao vivo de “IDEA” também é um dos favoritos dos fãs. Você consideraria gravar essa versão?
Nunca pensei nisso. Sempre ouvi as pessoas dizerem que, se a música é muito intensa, cansa os ouvidos. Pessoalmente, gosto de ser um pouco mais radical. Então, a versão mais contida é a que gravo, enquanto a versão ao vivo reflete mais o estilo que eu quero. Mas, ouvindo você dizer isso, se a oportunidade surgir, acho que seria uma boa ideia gravar a versão ao vivo dessa música e de algumas outras.
O que te motivou a tocar piano durante esse show?
Apresentei muitas músicas novas desta vez. A versão gravada será mais calma — novamente, eu queria dar tudo de mim na apresentação ao vivo. Passando de “Frankenstein” para “Advice” e depois para “Idea”… Eu acredito que desenvolver uma jornada emocional é muito importante — não apenas ao longo de toda a apresentação, mas dentro de cada seção. Eu me perguntava como mostrar algo que as pessoas nunca tinham visto antes, e foi assim que o piano entrou na história. Eu queria começar com um momento mais intimista, para que, conforme o show avançasse, as coisas fossem se intensificando e explodissem no final.
Conte-me sobre “1004”, a música que encerra o show.
A data é 4 de outubro [dia de São Francisco de Assis]. Em coreano, 1004 também soa como anjo. Sou católico e meu nome de batismo é Francesco, então há um elemento pessoal nisso. Eu queria imaginar os fãs me vendo, como eles me veem da perspectiva deles, e foi daí que surgiu a música.
Achei que seria uma boa maneira de encerrar o show — tem uma coreografia, mas dá mais ênfase aos seus vocais e ao quanto você evoluiu como cantor.
Na verdade, eu só queria começar a apresentação com muita energia. Não era necessariamente para ter mais vocais no final. No início da apresentação, achei que todos — incluindo o público — poderiam estar um pouco ansiosos. Então, com o começo do show, quis aliviar essa tensão e criar uma atmosfera mais agradável. Mas é bom ouvir você dizer isso sobre a minha voz. [Risos]
Como você achou que foi a apresentação? Vi que você se deu uma nota 5/10.
Não consegui ensaiar direito porque não tive tempo. Tive alguns problemas técnicos com a iluminação — com “Parasite”, por exemplo, não foi a apresentação que eu tinha imaginado, então fiquei com um pé atrás. Por isso dei uma nota 5, e quero tentar chegar o mais perto possível de 10. Como estou menos nervoso neste fim de semana, acho que vou me sair melhor.
O que você mudaria em “Parasite” para o próximo fim de semana?
A performance apresenta projeções de palavras e citações filosóficas que me inspiraram. Mas, como o público não conseguiu vê-las, não consegui transmitir a mensagem completa. As palavras descem enquanto também há efeitos de trovão, relâmpago e chuva. Eu queria que as palavras retratassem o ódio descendo e subindo novamente no final da música, mas lamento que as pessoas não tenham conseguido ver isso.
O homem estava completamente INSANO 🤯#TAEMCHELLA #TAEMIN_COACHELLA #COACHELLA#COACHELLA2026 #TAEMIN #태민 #Goodjob_TAEMCHELLA
pic.twitter.com/vk2iznvoop— TAEMIN BRASIL (slow) (@TaeminBrasil_) April 19, 2026
De quem eram as citações?
Não sei bem os nomes. [Para sua equipe] Posso verificar meu celular? Não diz quem é o orador, mas há frases como “o capitalismo transforma as pessoas em objetos” e “estamos na prisão representando a liberdade”. “No momento em que paramos de pensar, o mal começa a crescer lentamente” e “as pessoas nascem livres, mas onde quer que vamos, ainda estamos acorrentadas”.
Por que essa é a mensagem que você queria transmitir?
É diferente dependendo da cultura, mas na Coreia, é difícil para cantores e ídolos expressarem sua verdade. Tudo precisa ser cuidadosamente elaborado e apresentado — é assim que se evitam mal-entendidos e interpretações equivocadas. Achei que usar essas citações seria uma maneira mais acessível de expressar meus pensamentos. Então, me apropriei dessas palavras.
Vi que você assistiu ao show do Justin Bieber, que, para mim, pareceu uma reflexão sobre crescer sob os holofotes e ter todos esses registros online para relembrar. Já que você tem a mesma idade que ele e também ficou famoso no início da adolescência, isso te tocou?
Enquanto assistia [à apresentação], senti que reagiria de forma diferente de qualquer outra pessoa. Realmente me vi refletido nela. Claro, o idioma e o país são diferentes, mas também revejo meu eu mais jovem através de vídeos. Não posso dizer nada, mas assisto de fora. Acho que Justin Bieber provavelmente sentiu emoções semelhantes e as expressou no palco. Eu realmente quero torcer por ele. Pensei que deve ter sido muito difícil. Toda essa atenção, por mais grato que ele seja por ela, provavelmente foi muito difícil para uma pessoa só suportar. E apesar disso, através da boa música, ele continuou a inspirar. Quero agradecê-lo por isso.
O BIGBANG também se apresentou no fim de semana. Como foi ver a segunda geração do K-pop tão bem representada no Coachella?
É uma sensação ótima. Há tanta coisa em que podemos nos identificar. Não há muitas pessoas — nem mesmo ao meu redor — que realmente consigam entender e se solidarizar com essa experiência e com aqueles tempos. Nós sobrevivemos e, com muita perseverança, chegamos até aqui. Em 2008, o mercado americano parecia tão distante. Somos a geração dos sonhos que se tornam realidade. Sou grato por podermos celebrar essas alegrias e conquistas juntos.
Depois da sua apresentação, vi pessoas comparando seu estilo de performance com o do Michael Jackson. E, por coincidência, sua exposição no Museu Grammy fica bem ao lado da dele.
Eu sonhava em me tornar um músico como ele. Fui muito influenciado por ele — você segue o que gosta e isso se torna parte de você. Há momentos em que eu [deliberadamente] homenageio o Michael Jackson, mas mesmo quando não é minha intenção, existem semelhanças porque ele faz parte de mim. Como fã, é realmente emocionante ouvir as pessoas dizerem que sou parecido com ele ou estar tão perto dele na exposição do museu. Que fã é tão bem-sucedido quanto eu? Ter nossos figurinos de palco expostos juntos é como um sonho.
A exposição se chama “TAEMIN: Performer. Artista. Ícone.” O que cada um desses títulos significa para você?
Parece que é a mesma coisa. Música é expressão. Tento transmitir minhas emoções através da música e, visualmente, através da performance. É um dos fundamentos que busco alcançar e uma característica dos artistas que admiro.
O que você está tentando expressar agora?
Já trabalhei com muitos conceitos abstratos e ambíguos, usando minha música para desenvolvê-los e compartilhá-los como uma história ou ficção. Agora, estou tentando transmitir quem eu sou e o que sinto de forma mais tangível através da minha música.
Qual legado você espera deixar como artista?
Seja um artista como David Bowie ou na moda, a arte é algo que se experimenta com todos os cinco sentidos. Quero ser alguém que seja lembrado quando as pessoas pensarem em arte. Mesmo quando provarem algo, quero que as pessoas pensem em mim — que digam: “Isso, essa sensação, é como Taemin.” Quero ser esse tipo de artista sensacional e icônico enquanto estiver vivo.
[Este conteúdos foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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