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Crítico japonês exalta a ‘ousadia tropicalista’ de Luísa Sonza e Catto

Luísa Sonza e Catto (Pam Martins e Juliana Robin)

Luísa Sonza e Catto (Pam Martins e Juliana Robin)

O jornalista cultural japonês Ikkei Kazama publicou uma análise em sua conta na rede social X exaltando a liberdade criativa e a ousadia estética da música pop e vanguardista brasileira contemporânea. O ensaísta e curador usou as trajetórias recentes das cantoras Luísa Sonza e Catto para ilustrar ao público asiático como o mercado musical do Brasil consegue unir o sucesso de massa à tradição artística sem os purismos rígidos encontrados no Japão. A manifestação ocorreu após a repercussão internacional da apresentação de Sonza no festival Coachella, nos Estados Unidos, onde a artista consolidou sua projeção global. O crítico estrangeiro argumenta que essa maleabilidade criativa é um reflexo direto da herança cultural deixada pelo movimento Tropicália na década de 1960.

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Herança brasileira no pop de arena

Em seu texto, Kazama enfatizou que a mistura de gêneros tradicionais com o pop moderno não é vista no Brasil como um alinhamento ao conservadorismo. O jornalista exemplificou essa tese ao citar o fato de Sonza transitar entre o topo das paradas e parcerias com lendas vivas da MPB. De acordo com o crítico, a facilidade com que a cantora transita por esses universos demonstra a força de uma indústria que permite aos jovens astros explorar a história do país sem amarras institucionais.

Essa flexibilidade musical mencionada ficou evidente nos últimos lançamentos de Sonza. A artista gaúcha expandiu seus horizontes estéticos com os álbuns “Brutal Paraíso” e “Bossa Sempre Nova”. O último projeto cumpre a promessa de imersão total no gênero carioca, incluindo gravações de clássicos e parcerias com Roberto Menescal e Toquinho.

Veja a performance de Luísa Sonza no Coachella 2026

A estética da rebeldia

O jornalista japonês também apontou a cantora gaúcha Catto como uma das principais herdeiras da rebeldia tropicalista na atualidade. Kazama indicou um artigo da Rolling Stone focado na artista para explicar como a vanguarda brasileira continua a romper fronteiras de gênero e comportamento. Para o ensaísta, a cantora representa a continuidade de uma tradição musical transfronteiriça que utiliza a dramaticidade e a fusão de estilos como uma forma de manifesto político e social.

Essa potência cênica e musical elogiada internacionalmente guia os trabalhos de estúdio mais recentes da intérprete trans não binária. Catto lançou o aclamado álbum “Caminhos Selvagens”, projeto que funde arranjos orquestrais de piano com guitarras expressivas inspiradas no rock alternativo dos anos 1990. O disco dá sequência à elogiada turnê em que ela homenageou o repertório de Gal Costa, consolidando sua posição como uma das vozes mais viscerais e sofisticadas da atual cena independente nacional.

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Ouça “Caminhos Selvagens”, de Catto