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ARVO 2026: Carol Biazin estreia em Floripa em fase de consolidação da carreira

Paranaense leva ao festival show de trabalho indicado ao Grammy Latino

Carol Biazin, atração do ARVO Festival 2026 (Iris Alves/Divulgação)

Carol Biazin, atração do ARVO Festival 2026 (Iris Alves/Divulgação)

Carol Biazin chega ao ARVO Festival 2026 em um momento de consolidação dentro do pop brasileiro, sustentado por uma trajetória que saiu dos realities para um projeto autoral cada vez mais definido. Finalista do The Voice Brasil 2017, a artista construiu uma base de público fiel ao longo dos anos e hoje apresenta um repertório que combina exposição emocional, ambição estética e circulação crescente em palcos maiores.

No festival, Biazin leva o show de “No Escuro, Quem É Você?”, trabalho que marcou uma virada recente na carreira e rendeu indicação ao Grammy Latino de 2025. Em conversa com a Billboard Brasil, a paranaense explicou que a proposta se traduz em um espetáculo que alterna momentos de intensidade e vulnerabilidade, com foco em temas geracionais como trabalho, afetos, sexualidade e identidade. Em formato de festival, a artista adapta a apresentação para um público mais amplo, apostando em dinâmica, presença de banda e variações de energia ao longo do set.

O ARVO Festival 2026 acontece em 16 de maio, em Florianópolis, e reúne nomes como BaianaSystem, Gilsons, Duquesa e João Gomes em uma programação voltada à música brasileira contemporânea. O evento mantém a proposta de integrar diferentes cenas e públicos, com ingressos disponíveis pela plataforma Shotgun.

ARVO: Entrevista completa com Carol Biazin

A curadoria do ARVO gosta de apostar na diversidade de sonoridades na hora de escalar os headliners. O que o público pode esperar do seu show?
Primeiro de tudo, é a primeira vez que eu vou tocar em Floripa, então já estou muito ansiosa. Quando eu vi o line, fiquei muito feliz também, porque são artistas e grupos que eu admiro muito. O meu show é um show de pertencimento. É um show para você se identificar com cada momento. O “No Escuro, Quem É Você?”, que é o show que a gente tem uma proposta dinâmica. Ao mesmo tempo que pode ser muito para cima, ele tem momentos de vulnerabilidade total. É um álbum que trouxe muito essa questão geracional, de como lidar com o trabalho, com o sonho, com as demandas, com família, com amor, com a aceitação da sua sexualidade. Acredito que é um show para as pessoas saírem de alma lavada. Eu sempre tento levar esse lugar.

Você vem de uma turnê acústica recente. O que muda na sua abordagem quando o contexto é um festival, e não uma apresentação própria?
Muda muito. Eu acho que muda tudo, na verdade. No festival, além dos fãs que já te acompanham, tem todos os tipos de público possíveis, e esse já é o grande diferencial. Eu boto muita fé que o festival precisa e merece esse dinamismo, de diferentes influências. Eu gosto de levar muito instrumento para o palco e deixar isso na cara.

E qual a maior diferença?
A grande diferença para o show acústico é que o acústico é quase um show nu. É vulnerável, o erro faz parte do espetáculo, é um show mais humano. Quando eu penso em acústico, penso numa troca ainda mais direta com o público. O público faz parte do espetáculo até pelos momentos de silêncio, de troca de instrumento. No show com banda, sempre tem um espaço sendo tomado por alguma convenção, por um interlúdio, por um texto, por alguma coisa no telão, por uma luz. O show acústico tem o silêncio. Você tem que lidar com ele, brincar com ele e fazer ele parte do espetáculo. E tem também controlar o palco sozinha. No fim das contas, essa é a grande diferença.

Carol Biazin, atração do ARVO Festival 2026 (Iris Alves/Divulgação)
Carol Biazin, atração do ARVO Festival 2026 (Iris Alves/Divulgação)

Você chega ao ARVO em um momento de crescimento na carreira. Como define esse momento da sua vida artística?
Tem sido muito gratificante. Acho que a indicação ao Grammy veio muito para mostrar que não era só um projeto que estava para acontecer, mas um projeto que já estava acontecendo, que a gente planejou aquilo, que era nosso mérito e que a gente merecia viver aquele momento. Foi um processo árduo, de lidar com as minhas inseguranças durante todo o processo e, ao mesmo tempo, acreditar que aquilo era eu e que aquilo era o melhor para o projeto. Então, quando vai para a estrada e você dá de cara com o público, você comprova isso e talvez até anule suas inseguranças. Você pensa: “Tá, que bom, eu acertei”. Eu consegui trazer a conexão que eu tanto queria com o público.

“No Escuro, Quem É Você?” rendeu indicação ao Grammy Latino de 2025. O trabalho mergulha em temas mais íntimos. Como isso se traduz no palco?
O show veio muito para me mostrar que a temática geracional do álbum chegou de uma forma muito forte. Quando eu vi a galera gritando muito as músicas em todos os shows da turnê, para mim ficou muito claro. Foram shows que pareciam shows de rock, com a galera pulando muito. Meus shows sempre tiveram essa energia, mesmo quando tinha 50 ou 100 pessoas, mas quando você vê a galera gritando as músicas muito alto, isso não tem preço. E ver as casas de show crescendo, a gente conseguindo fazer lugares maiores e chegando a outros lugares, como Florianópolis, é muito massa. Sou muito grata ao “No Escuro, Quem É Você?” e a tudo que ele tem me proporcionado.

Você vem de uma trajetória que passa por realities. Como essa experiência moldou a artista que você é hoje?
A gente entra nesse universo e o perfeccionismo entra num estágio mais avançado, de você realmente não poder deslizar. Veio uma cobrança maior, claro, mas isso também está no meu DNA, não culpo só o The Voice por isso. Minha experiência inicial com a música veio dali. Eu já tocava em barzinhos desde os 13, 14 anos, fazia repertório grande, já tinha uma experiência como cantora, mas ainda era algo no “vamos ver se vai acontecer”. O The Voice foi a primeira vez que eu me vi sendo vista mesmo e entendi o que poderia ser possível para mim. Talvez eu chegasse aqui por outro caminho, porque sempre fui muito persistente, mas o programa foi um ponto de impulso. Me fez acreditar mais em mim e confiar que eu realmente era boa naquilo que fazia. Também me trouxe o público, o primeiro público, que está comigo até hoje. 

Já são quase dez anos desde o The Voice 2017, né?
Eu era outra artista naquela época, estava sendo lapidada, por mim e por outras mãos, e essas pessoas tiveram a paciência de acompanhar esse processo. Foi uma vitrine importante, me deu experiência, me deu casca.

Pensando além do ARVO, qual é o próximo passo que você quer consolidar em 2026? Quais os projetos em mente?
É um ano em que não estou com pressa para fazer projetos grandes. Eu vivo em estúdio, fazendo coisas. Vai sair um lançamento em breve, não é solo, é uma parceria com uma marca que ainda não posso revelar. É uma música que eu gosto muito, que tem muito do meu DNA, independentemente do elo comercial. Também tenho vontade de fazer um projeto colaborativo. Tenho conversado com o Baco Exu do Blues, a gente já tocou juntos. Existe essa ideia de fazer algo mais robusto como um EP, mas não posso prometer para este ano. Eu já sinto um caminho para um próximo projeto maior, mas ainda preciso estudar, viver mais coisas, para que ele seja diferente do “No Escuro, Quem É Você?”.