Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Fundo de Quintal leva ao ARVO a energia que só meio século de samba é capaz

fdq

Grupo Fundo de Quintal (Divulgação)

O Fundo de Quintal chegou ao Palco ARVO, em Florianópolis, com a autoridade de quem ajudou a escrever a história do samba. Ainda na turnê de celebração dos 50 anos, o grupo mostrou no palco principal um pagode fiel à tradição que nasceu no Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, berço de uma geração que mudou o cenário com tantã, repique de mão e banjo.

A apresentação foi um passeio pelos grandes sucessos do samba e do pagode. A formação atual, com Sereno no tantã e voz, Ademir Batera na bateria, Júnior Itaguay no cavaquinho e voz, Márcio Alexandre no banjo e voz e Tiago Testa no repique de mão e voz, segue levando o repertório do grupo pelo Brasil e pelo exterior.

No ARVO, a abertura com “O Show Tem Que Continuar” funcionou para abrir os caminhos de maneira simbólica. Depois da morte de Bira Presidente, um dos nomes centrais da linhagem do Cacique de Ramos, a música ganhou peso ainda maior.

Sereno, fundador e integrante mais antigo da formação, sustentou esse legado com vigor. No tantã, instrumento que ajudou a criar e a consolidar, ele conduziu a cadência do show.

“São 50 anos ouvindo o coro de vocês, são 36 álbuns e 7 DVDs. Para agradecer a vocês, agora vamos cantar ‘A Amizade’”, disse Sereno. A plateia respondeu com força no refrão: “A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir”.

O show alternou clássicos próprios, sambas de outros compositores e uma sequência de pagodes que ajudaram a formar o vocabulário sentimental do gênero. Vieram “Coisa de Pele”, “Ex-Amor”, “Lucidez”, “Do Fundo do Nosso Quintal”, “Insensato Destino”, “Nosso Grito”, “Bagaço da Laranja” e “Ô Irene”, entre outras.

O roteiro também abriu espaço para citações e releituras. “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, entrou no repertório como aceno à tradição paulista. Já “Deixa a Vida Me Levar”, de Zeca Pagodinho, fez o público cantar junto.

Tiago Testa é parte da renovação do grupo. Em “É Brasileiro”, música lançada com clipe no YouTube, ele avisou: “O Fundo de Quintal está em clima de Copa do Mundo”. Mais adiante, desceu para o meio do público em “Vou Pedir Pra Você Voltar”, de Tim Maia.

A parte final virou festa. Mulheres do público subiram ao palco em “Ela Não Tá de Bobeira”. “Tá Escrito”, com seu refrão de apoteose (“erga sua cabeça, mete o pé e vai na fé”) virou catarse coletiva. “Madalena do Jucu”, “Vou Festejar” e “Caciqueando” fecharam o show com a energia que só meio século de samba pode trazer. Como diz a música, “isso é Fundo de Quintal, é pagode pra valer!”.