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Terra tremendo e corpos em transe: ARVO vira panela de pressão com BaianaSystem

BaianaSystem no ARVO 2026 (Reprodução Instagram)

BaianaSystem no ARVO 2026 (Reprodução Instagram)

O BaianaSystem transformou o ARVO Festival em uma gigantesca panela de pressão. No palco principal da 10ª edição do evento, realizada neste sábado (16) em Florianópolis, o grupo baiano entregou aquilo que virou sua marca: graves tremendo a terra e corpos em transe.

O DNA BaianaSystem apareceu misturando berimbau, bateria, MPC, guitarra baiana e seção de metais. Reforçando, assim, a ponte entre rua, carnaval, sound system e música pop que já virou uma especialidade da casa.

Russo Passapusso entrou em cena de boina branca, jaqueta bomber preta com detalhes quadriculados na manga e uma bandeira preta e branca do Brasil amarrada na cintura. No lugar de “Ordem e Progresso”, a frase dizia: “meu axé é resistência”.

E não faltou axé. “Alfazema” e “Reza Forte” abriram os caminhos pedindo licença. Também entraram no fluxo “A Vida É Curta Pra Viver Depois”, “Saci”, “Capim Guiné”, “Lucro (Descomprimindo)” e “Miçanga”. Em “Saci”, o palco ganhou ainda um dançarino vestido como o personagem, fumando um cachimbaço.

A cantora “brachilena” Claudia Manzo acompanhou a banda. Ela adicionou uma salsa latina ao tempero baiano, como em versões de clássicos como “Quizás” e “Gracias a La Vida”

O vocalista Russo Passapusso (Mateus Campos)
O vocalista Russo Passapusso (Mateus Campos)

O show também trouxe material recente. “O Mundo Dá Voltas”, faixa-título do álbum lançado em 2025, apareceu dentro do repertório. Na pista, a resposta foi imediata. Corpos suados se agrupavam em rodas enormes, abrindo e fechando o espaço-tempo conforme o grave batia.

De fato, o BaianaSystem costuma ter esse efeito na audiência: não há espaço para contemplação no Navio Pirata, o show exige participação plena. O público realmente entra no pulso da percussão.

Não sou cientista, longe disso, mas tenho a impressão de que a única coisa capaz de alcançar a mesma energia do BaianaSystem em cima de um palco é o Colisor de Hádrons, na Suíça. O axé do BaianaSystem é um fenômeno a ser estudado pela ciência.