O que esperar de BaianaSystem com Makaveli e Kadilida no C6
Grupo baiano fecha o sábado, 23 de maio, no Ibirapuera

BaianaSystem no João Rock 2025 (Thiago Duran, Denilson Santos e Paduardo/Divulgação)
O BaianaSystem convidou para o C6 Fest 2026 Makaveli e Kadilida, dois MCs da cena singeli de Dar es Salaam, na Tanzânia. O grupo soteropolitano se apresenta no sábado, 23 de maio, às 18h50, na Arena Heineken do Parque Ibirapuera, em São Paulo. O encontro ao vivo entre os artistas é inédito, mas tem precedentes no estúdio.
Em 2021, o grupo gravou “Nauliza”, do álbum “OxeAxeExu”, com Makaveli e o DJ-produtor Jay Mita, contato feito pela internet com a mediação do agitador cultural tanzaniano Abbas Jazza.
Na faixa, a guitarra baiana dialoga com a estética acelerada do singeli. O show de São Paulo promete materializar pela primeira vez essa conexão fora do estúdio, com a adição de Kadilida ao circuito.
Artistas colaboraram em álbum de 2021
“Passei muito tempo pesquisando músicas africanas” disse Russo em 2021, ao responder como conheceu os colegas que irá encontrar no palco. “Deixei meu computador no reprodutor automático, enquanto fazia outras coisas do meu dia a dia. De repente, me deparei com esse pessoal da Tanzânia, do movimento Singeli Music.” Foi assim que chegou a Makaveli, autor da letra de “Nauliza”. A palavra do idioma suaíli significa “para onde vamos”. A coincidência impressionou o cantor brasileiro: “‘Para onde vamos’ é algo que costumo gritar do alto do trio elétrico, navegando sobre aquele mar de gente do carnaval de Salvador”.
“O Mundo Dá Voltas” é o disco que sustenta esta temporada do grupo de Russo Passapusso. Quinto álbum de estúdio do BaianaSystem, sequência declarada de “O Futuro Não Demora” (2019), traz 13 faixas e participações de Gilberto Gil, Emicida, Pitty, Anitta, Melly, Seu Jorge, Manoel Cordeiro, Dino d’Santiago e a dupla Antônio Carlos e Jocafi. O calendário recente passou por Austrália em junho de 2025, dez cidades europeias em setembro (Londres, Amsterdã, Berlim e Barcelona, entre outras).
Makaveli e Kadilida são MCs do singeli, gênero surgido em meados dos anos 2000 nos bairros operários da periferia de Dar es Salaam. Fazem uma fusão de taarab, bongo flava e mchiriku que ultrapassa 300 BPM e trabalha com a dança chura. Makaveli é figura veterana do movimento, ligado ao Sisso Studio e ao Pamoja Records, casas que organizam a cena tanzaniana junto ao coletivo Singeli Movement, ativo desde 2017 e distribuído internacionalmente pelo selo ugandense Nyege Nyege Tapes.
Kadilida, também de Dar es Salaam, é uma das vozes femininas mais ouvidas hoje no singeli, com faixas como “Singeli Poli”, “Kwetu”, “Naumia” e “Kipele”, além de circulação por festivais como Nyege Nyege (Uganda), Kappa Music (Itália), Dour (Bélgica) e Sauti za Busara (Zanzibar).
O que esperar: BaianaSystem com Makaveli & Kadilida no C6 Fest 2026
Prever setlist de um show do BaianaSystem é sempre uma furada. O grupo opera há mais de uma década na lógica jamaicana de sound system: o setlist varia conforme o humor da banda. Encontros com convidados, como BNegão, Marcelo D2, Melly e Antônio Carlos e Jocafi, costumam acontecer dentro do tecido do show, não como ponto isolado de uma programação rígida. Russo Passapusso sustenta a banca de mestre de cerimônia, ditando entradas, derrubando o som, conduzindo as rodas que se abrem no público. Essa energia rendeu, em 2025, a canção “Um baiana” composta por Caetano Veloso para a banda.
A base do repertório se distribui entre os cinco discos de estúdio do grupo. “Lucro (Descomprimindo)”, de “O Futuro Não Demora” (2019), segue como hino quase obrigatório nos shows desta temporada, ao lado de “Sulamericano”, do mesmo álbum, que abre passagem para tudo o que o BaianaSystem tem de pan-americano. O setlist do show de Brasília em maio de 2025, registrado no setlist.fm, inclui ainda “Cabeça de papel”, “Capim Guiné”, “Reza forte”, “Jah Jah Revolta” e “Calamatraca” . A integração mais provável com os convidados passa por “Nauliza”, de “OxeAxeExu” (2021), em que Makaveli já tem versos gravados em suaíli, e por aberturas de dub feitas a partir de faixas com pegada ragga.
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