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COPA DO MUNDO
Autor do gol da Suécia contra o Japão, Anthony Elanga (esq.) é companheiro de brasileiros no Newcastle United, da Inglaterra (Divulgação/Fifa)

Autor do gol da Suécia contra o Japão, Anthony Elanga (esq.) é companheiro de brasileiros no Newcastle United, da Inglaterra (Divulgação/Fifa)

Sueco que ama funk, Elanga mostra que som do Brasil é global

Adotados por atletas e torcidas pelo mundo, hits mostram força cultural do país

Anthony Elanga virou um dos personagens mais brasileiros da Copa do Mundo mesmo sem vestir a camisa pentacampeã mundial. O atacante da Suécia apareceu dançando funk durante a concentração da seleção, ao som de “Simplesmente Ela”, de MC Gabzin, e arriscou um passinho cheio de gingado em vídeo divulgado pela equipe sueca. A cena mostra como a música brasileira entrou de vez no repertório global.

 

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COPA DA MÚSICA: conheça as trilhas das seleções

O que antes dependia de turnês, novelas, rádio ou televisão atravessa o mundo por vídeos curtos, coreografias de atletas e arquibancadas hiperconectadas. A bola sempre foi um dos principais vetores de exportação cultural do Brasil e, com ela, viajam outros costumes e hábitos das terras de Pelé e Garrincha.

Os jogadores brasileiros levam também repertórios, gírias, danças e hábitos de vestiário. Um brasileiro no elenco pode ser ponte informal para uma faixa de funk. Um lateral que coloca pagode no ônibus pode apresentar um artista a colegas de várias nacionalidades. Um vídeo de concentração pode fazer uma música sair do nicho.

O caso de Elanga tem essa explicação de vestiário. Nascido na Suécia, criado na Inglaterra e hoje jogador do Newcastle, ele conviveu com brasileiros em clubes como Manchester United, Nottingham Forest e Newcastle, como Alex Telles, Murillo, Andrey Santos, Gustavo Scarpa, Bruno Guimarães e Joelinton

Elanga nasceu em Malmö, na Suécia, cresceu na Inglaterra e se formou no Manchester United. Depois passou pelo Nottingham Forest e chegou ao Newcastle em julho de 2025. Na Copa, virou uma das armas ofensivas da Suécia ao lado de Viktor Gyökeres e Alexander Isak. Contra o Japão, marcou o gol que manteve a seleção viva:

Hoje, nossa música não aparece apenas quando a seleção brasileira joga ou quando um craque brasileiro comemora gol. Ela circula também por seleções europeias, clubes turcos e arquibancadas italianas. 

Hits brasileiros nas arquibancadas da Turquia e Itália

O Arezzo, clube da Toscana que tem um cavalo como símbolo, adotou “Vai no Cavalinho”, de Gasparzinho com remix de Pedro Sampaio, como trilha de comemoração pelo título da Série C italiana. Jogadores e torcedores cantaram a música em vídeos publicados pelo clube, e o hit brasileiro virou parte da festa do acesso. 

Na Turquia, o funk também virou trilha de campeão. “Vidrado em Você”, de MC Livinho com DJ Guuga, foi usada por jogadores do Galatasaray nas comemorações de uma temporada com dois títulos. 

O impacto saiu do vestiário e chegou ao estádio. Livinho foi convidado a se apresentar em um evento ligado às comemorações do clube, com expectativa de cantar para cerca de 50 mil pessoas. 

Antes do funk, “Ai Se Eu Te Pego” abriu a avenida

O caminho não começou agora. Em 2011 e 2012, “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, virou fenômeno global com ajuda direta do futebol. Cristiano Ronaldo dançou a coreografia em comemoração pelo Real Madrid, ao lado de Marcelo, após gol contra o Málaga, em outubro de 2011. 

A Billboard americana registrou, em 2012, que a faixa havia chegado ao primeiro lugar em 15 países da Europa, Leste Europeu e América Latina desde o lançamento internacional. No mesmo ano, a música entrou na Billboard Hot 100 e alcançou a 81ª posição, feito raro para uma canção brasileira cantada em português. 

Essa exportação é uma forma concreta de soft power cultural. O Brasil continua sendo referência no mundo pelo futebol, mas a música embarca junto na mala. Agora não mais como mero acessório, e sim como ingrediente fundamental da brasilidade.