‘O Legado’: Falcão celebra Dia dos Pais com show na Fundição
Cantor estreia a turnê, reflete sobre paternidade, amizade e as novas gerações

Marcelo Falcão estreia da turnê “O Legado” no Rio de Janeiro. (Divulgação)
A relação entre pai e filho será um dos elementos especiais por trás da estreia da turnê “O Legado”, de Marcelo Falcão. A apresentação está marcada para este sábado (8), na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, e acontece na véspera do Dia dos Pais (9).
Tom Falcão tem sete anos, começou a estudar piano e, segundo o pai, não consegue escutar uma música sem acompanhar o ritmo com o corpo. Coruja, o cantor reconhece no filho um comportamento que sua própria mãe identifica como herança direta de sua infância.
+ Leia Mais: Como será a turnê de ‘O Legado’, de Marcelo Falcão
“Minha mãe fala que, quando eu era menor, eu era igual ao meu filho: ele não consegue ouvir música parado. Ele não anda… Ele vai dançando, vai na frente da gente fazendo o swing. Botou uma música, acabou”, conta o cantor em entrevista à Billboard Brasil.
Dentro de casa, Falcão procura apresentar a música a Tom sem transformar o interesse do menino em obrigação. Ele mantém os instrumentos de seu estúdio disponíveis mesmo quando não está trabalhando, para que o filho possa entrar, experimentar e descobrir o espaço no próprio ritmo.
“Eu deixo o estúdio ligado: piano, bateria, tudo ligado. Quando ele chega, já entra, já se sente. Eu falo: ‘Isso aqui é teu, cara, isso aqui é o teu negócio’”, explica. “Acho que o Tom já tem isso de natural, como foi natural em mim. Ele ouve uma música, gosta da batida, da melodia e cai para dentro. Eu não imponho. Prefiro deixar ele nesse meio.”
Tom pode participar do show de Marcelo Falcão
A possibilidade de uma participação mais do que especial de Tom na Fundição Progresso existe, mas depende mais da disposição do pequeno do que do planejamento do espetáculo. Falcão lembra que o filho costuma dormir cedo e afirma que não pretende levá-lo ao palco caso o menino não esteja com vontade.
Essa regra já produziu um dos momentos mais marcantes da relação dos dois com a música. Durante um show em São Thomé das Letras, em Minas Gerais, Tom ficou encarregado de anunciar a entrada do pai. Antes da apresentação, os dois haviam ensaiado no quarto, usando uma lata de desodorante como microfone.
“Ele chegou no dia do show e não falava de outra coisa: ‘Pai, está tudo certo? Eu vou apresentar, né?’”, recorda Falcão. Tom entrou no palco, fez uma pausa e anunciou: “Boa noite, São Thomé! Com vocês, Marcelo Falcão!”.
“Aí eu entrei chorando. Sete anos de idade, o moleque entrou no palco comigo. Fiquei muito emocionado”, diz o cantor. Para a apresentação carioca, a decisão continuará nas mãos do filho: “Se ele estiver na vibe, vai rolar. Agora, se falar ‘não vou’, não posso obrigar. Tem que ser dele”.
Tom já participa publicamente do trabalho do pai. Ele aparece no videoclipe de “Legado” ao lado de Xande, filho de Chorão. Dirigido por Mess Santos, o vídeo usa o encontro dos dois como representação da passagem de histórias entre gerações. A faixa-título também traz a voz original do vocalista do Charlie Brown Jr., morto em 2013.
Da paternidade musical à nova geração
“O Legado” tem 11 faixas e reúne artistas de diferentes gerações, entre eles L7NNON, Cynthia Luz, Orochi, Major RD, Tales de Polli e Toni Garrido. Essa circulação entre passado e presente também orienta a forma como Falcão fala sobre a paternidade.
Falcão também associa a ideia de paternidade às pessoas mais experientes que o acolheram durante a construção de sua carreira. Tom Capone e o poeta Waly Salomão, morto em 2003, aparecem entre os nomes que ajudaram O Rappa a reconhecer o valor de seu trabalho quando a banda ainda buscava espaço.
A lista inclui ainda Lula Queiroga, a quem Falcão recorre durante processos de composição. “Tem a paternidade familiar e tem a paternidade musical, as pessoas que a música me deu. O Tom Capone e o Waly Salomão estão aí, e, hoje em vida, o Lula Queiroga. São pessoas que fazem toda a diferença na minha vida.”
Com o passar dos anos, o cantor percebe que mudou de posição nessa cadeia. No álbum “O Legado”, aproximou-se de nomes como L7NNON, Orochi, Major RD, Cynthia Luz e do produtor Dallass, responsável por fazer algumas dessas conexões.
Falcão afirma que a proximidade não nasceu de uma tentativa de reproduzir a linguagem dos artistas mais jovens, mas de conversas e relações construídas fora do estúdio. Ele diz ter ouvido de alguns deles que nunca os tratou de forma diferente ou estabeleceu uma hierarquia baseada no tempo de carreira.
“É como se eu tivesse vivido de novo aquilo com o Tom Capone e com o Waly. Só que agora eu sou o Waly, eu sou o Tom, e eles são o Falcão começando”, compara. “Acho que é bola baixa mesmo: a gente conversa de bola baixa, ninguém é mais que ninguém, e a gente fica amigo.”
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Serviço: Marcelo Falcão no Rio de Janeiro
Turnê: “O Legado”
Data: 8 de agosto de 2026, sábado
Local: Fundição Progresso
Endereço: Rua dos Arcos, 24, Lapa, Rio de Janeiro
Abertura dos portões: 20h
Início do show: 22h
Ingressos: Eventim (pista a partir de R$ 72,50, no valor de meia-entrada)
Classificação: pessoas de 5 a 15 anos devem estar acompanhadas pelos pais ou responsáveis; jovens de 16 e 17 anos podem entrar desacompanhados.
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