
Peso Pluma no Billboard Latin Music Awards de 2025 (Reprodução)
Copa da Música: em casa, o México canta corrido para o mundo
México exporta corridos tumbados que reinventam o regional e dominam o streaming
O México entra em campo nesta terça-feira (30), às 22h de Brasília, diante do Equador, no Estádio Azteca, na Cidade do México, valendo vaga nas oitavas da Copa do Mundo. Jogar em casa, no estádio que abriu o torneio, tem trilha sonora própria: a música mexicana vive seu momento mais global, puxada pela explosão dos corridos tumbados. A série Copa da Música mostra quem comanda as paradas do país-sede.
Foi no mesmo Azteca que a Copa começou, em 11 de junho, numa cerimônia de raiz mexicana: o rock do Maná com “Vivir Sin Aire”, a cumbia dos Los Ángeles Azules ao lado de Belinda e Alejandro Fernández entoando o hino nacional. Mas a linhagem que define o som atual do país vem de outro canto. Do corrido tradicional de Los Tigres del Norte e da figura mítica de Chalino Sánchez nasceu, por volta de 2019, o corrido tumbado, que trocou a sanfona pelo requinto e somou trap e hip-hop. Natanael Cano acendeu o pavio; uma geração inteira pegou fogo.

Hoje o regional mexicano é para o México o que o sertanejo e o funk são para o Brasil: um som nascido em casa que tomou conta do mainstream e atravessou fronteiras. O ouvinte brasileiro costuma chegar a esses artistas pelo TikTok e pelo streaming, onde nomes como Peso Pluma figuram entre os mais tocados do planeta. O movimento também acumula polêmica dentro do país, alvo de campanhas oficiais por causa das letras que tangenciam o narcotráfico. Abaixo, os craques que mandam na música mexicana de 2026.
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Fuerza Regida
Liderada por Jesús Ortiz Paz, a Fuerza Regida é hoje o projeto mais ouvido do México no streaming, ainda que tenha nascido do outro lado da fronteira, em San Bernardino, na Califórnia. É o caso mais claro de uma música mexicana feita também na diáspora chicana: o grupo despeja faixa atrás de faixa de corrido tumbado e flerta com o urbano, como em “TU SANCHO” e na parceria “Una Cerveza”, com o colombiano Manuel Turizo.
Peso Pluma
Hassan Emilio Kabande Laija, nascido em Zapopan, em Jalisco, é o rosto global do gênero. Foi o primeiro mexicano a alcançar o topo do Top Global do Spotify, com “Ella Baila Sola”, e chegou a ser o artista mais visto do mundo no YouTube em 2023. Depois de um 2025 de pausa, voltou em 2026 com “DINASTÍA”, álbum em dupla com o primo Tito Double P, e uma turnê mundial.
Tito Double P
Primo de Peso Pluma e também de Jalisco, Tito Double P deixou os bastidores para virar protagonista. Emplaca faixas como “ME VALE V” e “PASE Y PASE” e divide com o primo o álbum “DINASTÍA”, prova de que a família virou uma pequena indústria do corrido tumbado.
Neton Vega
De La Paz, na Baixa Califórnia Sul, Luis Ernesto Vega Carvajal é a revelação do momento. Começou como compositor, virou cantor e hoje ocupa o topo das paradas mexicanas com “Nalguita y Teta”. Em “Loco”, trocou o corrido pelo reggaeton sem perder público, sinal da fluidez da nova cena.
Natanael Cano
De Hermosillo, em Sonora, é o pai do corrido tumbado: foi quem, por volta de 2019, fundiu o corrido com o trap e abriu a estrada por onde todos os outros passaram. Segue ativo e relevante, com faixas como “Madonna” e “Perlas Negras”, e também no centro do debate sobre as letras ligadas ao narcotráfico.
Carín León
Outro filho de Hermosillo, Carín León é a ponte do regional mexicano com o mundo. Transita do norteño à balada romântica, gravou com o colombiano Maluma em “Según Quién” e levou o som mexicano a palcos como o Coachella e ao country dos Estados Unidos. É a faceta mais elegante do gênero.
El Bogueto
Da Cidade do México, El Bogueto tem feat. com Pedro Sampaio e é um dos nomes do chamado reggaeton mexa, vertente urbana que cresce ao lado dos corridos. “Cuando No Era Cantante” e seu remix, com Anuel AA e Fuerza Regida, mostram como o perreo ganhou sotaque mexicano e espaço nas paradas.
Macario Martínez
Para ninguém sair daqui achando que o México só canta corrido, Macario Martínez é a prova do contrário. Varredor de rua na capital, viralizou no TikTok com “Sueña Lindo, Corazón” e levou o huapango, o folk e um toque de rock ao streaming. Entrou até na lista de melhores de 2025 da Rolling Stone.