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COPA DO MUNDO
Jorge Drexler, cantor do Uruguai (Manuel Velez/Divulgação)

Jorge Drexler (Manuel Velez/Divulgação)

Copa da Música: Uruguai tem belo passado e presente incerto

Topo do chart uruguaio hoje é todo importado, mas nomes locais sobrevivem

Nesta sexta-feira, às 21h de Brasília, o Uruguai entra em campo contra a Espanha em Guadalajara precisando vencer para passar de fase na Copa do Mundo: dois empates em dois jogos deixaram a Celeste à beira de uma eliminação precoce no Grupo H. É o tipo de jogo difícil que une o país: é neste tipo de cenário que “garra charrúa” surpreende a todos e vence os grandes favoritos. Em 2026, a música do Uruguai joga com a mesma teimosia da seleção: pequena no tamanho, grande na disposição.

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Assim como no futebol, bicampeão olímpico e bi mundial, a linhagem da música do Uruguai é de respeito. Foi um uruguaio, Jorge Drexler, o primeiro a levar o Oscar de canção original cantando em espanhol, com “Al Otro Lado del Río”. O país exportou o rock irônico de El Cuarteto de Nos, o candombe de Rubén Rada, a tradição da murga e, já no terreno do rock que enche estádios, duas instituições: No Te Va Gustar e La Vela Puerca. Essa base ainda respira no streaming. “A las Nueve”, do NTVG, segue figurando no Top 50 uruguaio quase oito anos depois de lançada, com mais de 11 milhões de plays só por lá.

O presente, porém, é desafiador para o mundo musical no Uruguai. O topo do chart uruguaio hoje é, em boa parte, importado: “Puñaladas”, do argentino Lauta com o chileno Amigo de Artistas, e “UWAIE”, do argentino Max Carra, mandam na parada — a fronteira sonora com a Argentina praticamente não existe.

Mas, logo abaixo desses hits rioplatenses, é que aparece a produção genuinamente charrúa: a plena uruguaia e a cumbia do interior. Para o ouvinte brasileiro acostumado a ver o Uruguai só como rival de campo, é a chance de descobrir um vizinho que faz festa com identidade própria.

A música Uruguai que está no replay agora

The La Planta

Liderada por Nicolás Choca, de Melo, é a banda uruguaia mais ouvida no YouTube e uma das mais sólidas do streaming local. “Cosas Pendientes” acumula passagem longa pelo Top 50 do país, e o grupo virou ponte entre a cumbia uruguaia e o circuito argentino, com colaborações que vão de Néstor en Bloque a Luck Ra.

Matías Valdez

Nascido em Florida, no interior do país, Valdez é o nome que melhor traduz o Uruguai profundo no streaming. Aparece em peso na parada, seja sozinho em “No Te Da” e “Volver a Vernos”, seja emprestando a voz a faixas como “Amor del Agro”. Romântico, de raiz, conecta o campo à playlist do celular.

La Penúltima

Caso raro de longevidade: “Mariposas” passou de 600 dias no Top 50 uruguaio e já soma mais de 5,5 milhões de plays no país. A banda emplaca várias faixas ao mesmo tempo na lista, sinal de que não é hit de uma música só, e sim de um público fiel.

La Misma Cuadra

Companheira de cena da La Penúltima, mantém “Prisionero” e medleys como “Voy A Olvidarme De Mí” entre os títulos mais ouvidos. É a prova de que a cumbia do interior uruguaio deixou de ser fenômeno regional para ocupar o centro do mainstream nacional.

La Nueva Escuela

A plena, batida nervosa e urbana nascida nos bairros, tem aqui um de seus motores. Com faixas como “Maquillaje” e “Los Mayores”, o coletivo soma milhões de reproduções e ajuda a definir o som que toca nas previas e nas festas de Montevidéu.

Juanjo Morgade

Outro pilar do gênero, Morgade circula entre parcerias e faixas próprias como “Love” e “Pa Que Escondernos”, consolidando a plena como o batimento jovem do país. Se o rock foi a cara do Uruguai nos anos 2000, a plena disputa esse posto agora.