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MC DR explica sucesso do Coral das Quebradas: ‘A simplicidade trouxe o impacto’

Após viralizar nas redes, grupo prepara expansão para os palcos

MC DR (de vermelho) contou à Billboard Brasil como criou o Coral das Quebradas (Reprodução)

MC DR (de vermelho) contou à Billboard Brasil como criou o Coral das Quebradas (Reprodução)

Idealizado por MC DR, o Coral das Quebradas reúne funkeiros em uma espécie de formação vocal. Um artista assume o verso enquanto os demais improvisam uma percussão feita com as mãos. Nas primeiras gravações, realizadas na região de Cangaíba, na Zona Leste de São Paulo, estavam nomes como MC Zignani, Oracioh MC e MC Kauan PV, trio que também aparece como “Os Mlks da Medley”. Depois, a formação passou a receber artistas como MC Chaverin e MC Collin, além de convidados.

O resultado atingiu rapidamente o público, para além daqueles que já acompanhavam os MCs. Vídeos passaram a acumular milhões de visualizações nas redes sociais, foram replicados por páginas de música e famosos como o piloto de F1 Lewis Hamilton e ganharam novas versões. MC DR, que também comanda a Progresso Funk, viu uma prática já incorporada ao cotidiano do gênero ganhar identidade própria nas redes.

 

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Em conversa com a Billboard Brasil, MC DR revelou que pretende incorporar o Coral das Quebradas aos próprios shows e um álbum do projeto está em planejamento.

A intenção é reunir o núcleo que consolidou o formato e aproximar nomes já estabelecidos do funk. Para ele, parte da resposta está justamente na falta de artifício.

“A simplicidade trouxe realmente o impacto real. É o que o povo consegue se conectar melhor, eu acredito”, diz MC DR em entrevista

Coral das Quebradas prepara álbum e chegada aos shows

O Coral das Quebradas não surgiu do nada. As chamadas medleys na palma fazem parte da circulação do funk há anos. Com YouTube e celulares, o formato passou a servir tanto para reapresentar sucessos quanto para mostrar músicas ainda inéditas. Artistas como Guimê, Rodolfinho e Lon já apareciam em registros do gênero no início da década passada; gerações posteriores mantiveram a prática.

DR já utilizava essa linguagem nos vídeos que fazia com artistas de sua empresa. Segundo ele, a transformação em coral veio depois de encontrar na internet uma referência de pessoas cantando coletivamente na rua.

“Eu pego meus artistas, todos aqueles artistas da quebrada, sou empresário deles. Antes de fazer o Coral das Quebradas, eu já trabalhava a carreira deles. A gente já fazia vídeo direto, quase todo dia, batendo palmas”, conta.

Para MC DR, essa redução aos elementos básicos também aparece como contraponto ao volume de conteúdos produzidos ou modificados digitalmente nas redes.

“A gente está numa era da tecnologia, com bastante conteúdo de IA. Quando as pessoas acham algo raiz, vêm os influenciadores que vieram da periferia fazendo algo com que elas conseguem se conectar. A gente está ali fazendo o que sempre gostou de fazer: bater palmas e cantar nossos versos, nossas rimas.”

De Claudinho e Buchecha a Arnaldo Antunes

O repertório também mudou conforme o projeto Coral das Quebradas cresceu. Inicialmente, cada MC gravava suas próprias composições. Depois, versões de funks clássicos como “Fico Assim Sem Você”, de Claudinho e Buchecha, que também ganhou versão famosa de Adriana Calcanhotto. Uma participação ligada à TV Cultura abriu outra possibilidade: aplicar a mesma linguagem a uma música conhecida por gerações que cresceram assistindo ao “Castelo Rá-Tim-Bum”.

O Coral das Quebradas cantou “Lavar as Mãos”, de Arnaldo Antunes, faixa lançada na trilha do programa infantil em 1995.

DR conta que inicialmente pretendia deixar a performance restrita à participação televisiva. Gostou tanto do resultado que resolveu publicar a gravação em seu próprio perfil, mas não sem alguma dúvida sobre como seu público receberia funkeiros cantando uma música infantil.

“Nós pensamos que ia ser meio zoado um pouco, mas foi totalmente diferente. Todo mundo apoiou porque é uma cultura brasileira, é uma música que todo mundo conhece.”

A aposta deu resultado. Em 31 de julho, a publicação de “Lavar as Mãos” já registrava mais de 600 mil curtidas e ultrapassava 1 milhão de visualizações no Instagram. MC Hariel estava entre os artistas que elogiaram publicamente o grupo.

Nos dias seguintes, o Coral das Quebradas também levou para o formato “Banho é Bom”, outra música associada ao “Castelo Rá-Tim-Bum” e ao personagem Ratinho, ampliando ainda mais o repertório para fora das composições originais do grupo..