Direitos autorais batem recorde no Brasil: R$ 2,1 bilhões arrecadados em 2025
UBC distribui mais de R$ 1 bilhão pela primeira vez

Foto de Andre Taissin na Unsplash
Se a expansão do streaming mudou a maneira de ouvir música, ela também começa a redesenhar, de forma cada vez mais visível, a conta que chega aos titulares de direitos autorais. Em 2025, a União Brasileira de Compositores (UBC) ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão distribuído a associados e titulares representados, resultado 8% superior ao do ano anterior. Sozinha, a entidade respondeu por 62% de todo o dinheiro distribuído pelas sete associações que integram o Ecad no período.
Os números fazem parte do Relatório Anual 2025 da UBC e ajudam a dimensionar um mercado que cresceu tanto nas telas quanto nos palcos. A arrecadação total do sistema brasileiro de gestão coletiva atingiu R$ 2,105 bilhões, quase 15% acima de 2024. O valor distribuído pelo conjunto das associações chegou a R$ 1,725 bilhão, uma alta de 9,95%.
“A distribuição recorde reflete o cuidado com nossa rotina de processos, nosso investimento contínuo e cada vez mais material em tecnologia e inovação, além da reafirmação de uma sociedade de gestão progressista, inclusiva, diversa e com uma identidade construída em quase 85 anos de um olhar para o presente e para os desafios do futuro”, afirma Marcelo Castello Branco, diretor-executivo da entidade.
O principal motor dessa expansão foi o digital. A arrecadação proveniente de serviços que incluem streaming de áudio e vídeo avançou 47,2% em um ano e passou a representar 33,6% do total arrecadado. Shows e eventos aparecem em seguida, com participação de 19,5%, numa fotografia da indústria que combina o hábito cada vez mais consolidado de consumir música pelas plataformas com a retomada definitiva das grandes turnês e festivais.
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Na hora de repartir os direitos autorais, essa transformação também aparece. O streaming de vídeo respondeu por 13,43% dos valores distribuídos no país em 2025, e o de áudio, por 10,11%. Em comparação com o exercício anterior, o primeiro cresceu 15,97%; o segundo, 6,99%. Para a UBC, os dois segmentos já formam parte importante da sustentação econômica dos criadores no ambiente digital.
Mas 2025 não foi só um ano de playlists. O relatório mostra que a música ao vivo continuou ganhando força: os valores da rubrica cresceram 20,99%, enquanto o segmento específico de shows avançou 15,81%. As grandes festas brasileiras também aparecem com números expressivos. As distribuições relacionadas às festas juninas aumentaram 40,56%, e as do Carnaval, 34,83%, indicadores do peso econômico de manifestações que tradicionalmente são vistas antes de tudo por sua relevância cultural.
“O ano de 2025 representou mais um marco na trajetória de crescimento e fortalecimento da UBC. Em um ambiente de constantes transformações na indústria da música e no consumo de conteúdo audiovisual, reafirmamos nosso compromisso com a excelência na gestão coletiva dos direitos autorais”, afirma Fábio Geovane, diretor de Operações da UBC. Segundo ele, a intenção é seguir investindo em “inovação, tecnologia, transparência e excelência operacional”.

O salto não está apenas nos valores. A UBC terminou o ano com 3.054.853 obras cadastradas, um aumento de 10%, e 1.684.164 fonogramas, alta de 23%. O número de associados diretos chegou a 71.027, 5% acima do ano anterior. Foram ainda R$ 128,9 milhões em direitos autorais retidos liberados, resultado do trabalho de identificação de obras, execuções e titulares que permite direcionar valores anteriormente sem destino definido.
Entre os beneficiados pelas distribuições da entidade estão 32.809 titulares nacionais e 206.174 estrangeiros. A abrangência é possível por meio dos acordos de representação com sociedades de outros países, que permitem que uma música brasileira executada no exterior, ou uma obra estrangeira tocada no Brasil, encontre o caminho até quem detém os seus direitos autorais.
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