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Coluna: por que o Brasil nunca precisou soar americano para conquistar o mundo

Relatório Mid Year 2026 da Luminate acaba de ser publicado

Anitta é tema da coluna de Rodrigo Lampreia

Anitta na divulgação de 'EQUILIBRIVM' (André Nicolau/Divulgação)

Leia a coluna de Rodrigo Lampreia na Billboard Brasil.

O Brasil é um dos países que menos consome música estrangeira no mundo e, ao mesmo tempo, um dos que mais exporta música para o mundo. Parece contraditório, né? Mas talvez esse seja exatamente o motivo. O relatório Mid Year 2026 da Luminate acaba de ser publicado. É um dos levantamentos mais importantes da indústria musical global.

E dois gráficos chamaram muito a minha atenção. O Brasil aparece em 8º lugar no ranking global de exportação musical. É o terceiro ano consecutivo de crescimento. Em 2024 éramos o 10º, em 2025 éramos o 9º e agora 8º.

Ultrapassamos países como Austrália, Suécia, Portugal, Bolívia e Argentina, que aparecem como os principais mercados consumidores da música brasileira. A própria Luminate destaca Alok e Anitta como alguns dos principais motores desse crescimento. Mas o dado que mais me interessa está em outro gráfico. O Brasil aparece ao lado de Índia, Japão, Coreia do Sul, entre os mercados mais insulares do mundo. Na prática, isso significa que cerca de 3/4 de tudo que ouvimos por aqui é música brasileira.

Alok é uma das atrações do Tomorrowland Tailândia 2026 (divulgação)
Alok é uma das atrações do Tomorrowland Tailândia 2026 (Divulgação)

Durante muito tempo, existiu a ideia de que, para conquistar o mercado internacional, era preciso soar internacional. E esse relatório sugere exatamente o contrário. Quando um país consome intensamente a própria cultura, ele deixa de perseguir tendências e começa a criar as suas próprias.

E isso fortalece uma identidade musical inteira, uma música com personalidade, com sotaque, com referências que não imitam ninguém. E é justamente essa autenticidade que atravessa fronteiras.

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É claro que artistas como Alok e Anitta ajudam a abrir portas, mas nenhum artista sustenta sozinho o crescimento internacional de um país inteiro por 3 anos consecutivos.

Anitta
Anitta lança ‘EQUILIBRIUM II’ (André Nicolau/Divulgação)

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Isso aponta para um movimento muito maior, o funk, o pagode, o forró, o pop com raízes afro-brasileiras, a música eletrônica com DNA brasileiro. Você tem noção da diversidade, da pluralidade, da riqueza musical brasileira? A gente é o país mais criativo do mundo. E tudo isso começa a circular cada vez mais pelo mundo.

Portugal lidera esse consumo, o que faz sentido pela língua, mas a Bolívia e a Argentina aparecem logo atrás. Isso já não é uma questão de idioma, é uma questão de identidade cultural. O Brasil nunca precisou soar americano para ser relevante. E talvez o maior aprendizado desse relatório seja justamente esse.

Os países que deixam uma marca no mundo são aqueles que primeiro constroem uma identidade forte e relevante dentro de casa. E talvez nunca tenhamos soado tão brasileiros e, justamente por isso, talvez nunca tenhamos sido tão ouvidos lá fora.

Veja a coluna de Rodrigo Lampreia na Billboard Brasil

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