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Após derrota judicial, Suno anuncia princípios e promete limitar downloads de IA

Empresa de música com IA publica diretrizes após perder caso da GEMA

Suno

Suno (Divulgação)

A Suno, empresa de música com IA liderada pelo CEO Mikey Shulman, publicou um conjunto de princípios em seu site na quinta-feira (6).

“Sempre acreditamos que a forma como construímos algo importa tanto quanto o que construímos”, escreveu Shulman em uma postagem no blog da empresa. A lista de princípios incluía as metas declaradas de que “a IA deve permitir a originalidade, não a imitação” e que “mais pessoas criando música deve fortalecer o ecossistema”.

A publicação também reiterou o plano da empresa de limitar os downloads de músicas geradas por IA em sua plataforma — algo prometido inicialmente durante o acordo de licenciamento e resolução de litígio com o Warner Music Group.

A nova publicação surge apenas uma semana depois que a gigante da música com IA, recentemente avaliada em mais de US$ 5,4 bilhões, perdeu uma disputa por violação de direitos autorais contra a sociedade de gestão de direitos alemã GEMA. No processo, a sociedade acusou a Suno de replicar músicas de seus membros, incluindo o clássico “Mambo No. 5”, de Lou Bega. Uma fonte aponta que o anúncio da Suno na quinta-feira já estava sendo preparado antes da decisão judicial.

“A IA deve ajudar as pessoas a criar algo novo, não imitar o trabalho de outra pessoa”, diz a publicação da Suno. “Essa filosofia tem orientado a forma como construímos nossos modelos e nossa plataforma desde o início.”

O texto detalhou ainda as estratégias de treinamento da Suno, chamadas de “Criação Original por Design”, para reduzir a possibilidade de recriação não autorizada de uma música feita por humanos. “Por exemplo, escolhemos intencionalmente não usar nomes de artistas em nossos metadados de treinamento, pois nosso objetivo é ajudar as pessoas a criar músicas originais — e não músicas que soem como as de artistas existentes”, escreveu ele.

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A plataforma da Suno também impede que os usuários digitem nomes de artistas específicos para obter resultados no estilo deles. Isso, no entanto, não evitou todos os casos de replicação não autorizada de obras protegidas por direitos autorais incluídas em seu conjunto de dados.

Até o momento, a empresa enfrentou vários processos por violação de direitos autorais — incluindo os movidos pela GEMA, pela organização dinamarquesa de direitos Koda e pelas três grandes gravadoras: Sony Music, Universal Music Group e Warner Music Group. (Desde então, o WMG resolveu sua parte no processo com a Suno e fechou um acordo de licenciamento. A UMG e a Sony continuam com o processo.)

A publicação no blog da empresa também destacou que limites de download para músicas geradas pela Suno serão implementados em breve. Esse plano foi anunciado pela primeira vez no final de 2025 e era uma condição do acordo da Suno com a WMG. A nova publicação não especifica exatamente quando isso será implementado, mas adiantou que “essas mudanças não afetarão a grande maioria dos nossos usuários, mas tornarão o abuso em larga escala muito mais difícil”, escreveu Shulman.

Ele acrescentou que, “embora não achemos que seja nosso papel decidir o que tem valor artístico, temos a responsabilidade importante de dificultar o abuso de ferramentas de IA de maneiras que prejudiquem um ecossistema musical saudável” — como a exportação em massa de músicas geradas por IA, prática que se tornou um método popular para agentes mal-intencionados disseminarem esquemas de streaming artificial por um grande número de faixas e, assim, escaparem mais facilmente da detecção.

A presença de músicas geradas por IA em serviços de streaming, paradas de sucesso e redes sociais tem sido, há muito tempo, uma preocupação para a indústria fonográfica tradicional. As grandes gravadoras destacaram isso no processo judicial contra a Suno, iniciado em junho de 2024, afirmando que a música de IA “satura o mercado” e “compete diretamente com, desvaloriza e, em última análise, sufoca as gravações sonoras genuínas”.

Desde então, as opiniões das grandes gravadoras sobre o que deve ser feito para conter a enxurrada de músicas de IA divergiram um pouco. A Universal defende firmemente que as empresas de música de IA operem no modelo que seu diretor digital e vice-presidente executivo, Michael Nash, chama de “jardins murados”; ou seja, plataformas que funcionam como ambientes fechados e controlados, sem permissão para downloads.

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Música e inteligência artificial
Música e inteligência artificial (ilustração feita com IA)

Em entrevista à Billboard, Nash foi questionado se o fato de a Suno não adotar esse modelo de “jardim murado” seria o motivo pelo qual a UMG ainda não havia chegado a um acordo com a empresa. Nash respondeu: “Se eu tratasse sua pergunta como retórica, diria que sim; tendo explicado a distinção do ‘jardim murado’ e sua importância [para a UMG], esse é um ponto central na discussão”.

A Warner, por outro lado, concordou em fazer um acordo com a Suno, satisfeita com a promessa de limitação de downloads. A posição da Sony sobre o assunto não está clara.

Em julho, uma coalizão da indústria fonográfica divulgou uma proposta sobre como os serviços de streaming poderiam lidar com o impacto de faixas geradas por IA em suas plataformas. A proposta incluía a sugestão de adicionar identificadores (rótulos) a qualquer gravação gerada ou assistida por IA. A divulgação do uso de IA ficaria a critério do usuário e, embora a proposta tenha recebido amplo apoio das gravadoras, ainda não está claro se algum serviço de streaming concordará em implementar essas ideias.

A abordagem da Suno para gerenciar o rápido aumento de músicas geradas por IA na internet também inclui o uso de “novas técnicas de marca d’água e identificação de impressões digitais”, conforme mencionado na postagem do blog — recursos que, segundo Shulman, devem chegar “nas próximas semanas… para que possamos colaborar ainda mais estreitamente com as plataformas de distribuição no combate a fraudes e usos indevidos”.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].