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Festival Favela Sounds 2026 reúne 25 mil pessoas em Brasília

Veja como foi o evento com Bia Soull, Ciça, Gaby Amarantos e mais

Favela Sounds 2026

Favela Sounds 2026 (@luarabaggi)

Ao longo de duas noites, a cena se repetia: artistas descendo do palco emocionados, enquanto, do outro lado, uma plateia jovem, diversa, em êxtase, cantava, dançava e seguia até os últimos minutos de festa. Foi nessa troca, mais difícil de medir do que qualquer planilha, que o Favela Sounds encontrou a melhor tradução para sua edição histórica de 10 anos que, nas noites de 31 de julho e 1º de agosto, levou mais uma vez a periferia para o centro político do país, ocupando a Praça do Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios.

Os números, no entanto, ajudam a dimensionar um pouco do que aconteceu.

O festival reuniu 25 mil pessoas presencialmente, sendo 22 mil pessoas no Baile e outras 3 mil nas atividades do Favela Talks. Gerando 500 postos de trabalho, o festival alcançou mais de 2,6 mil espectadores por meio da transmissão ao vivo no YouTube e mais de 2800 publicações espontâneas nas redes sociais como resposta do público.

A própria estrutura do evento também virou parte do espetáculo. Construída em LED, a cenografia do Palco Petrobras se tornou um dos símbolos visuais da edição, amplamente repostada em conteúdos virais.

Favela Sounds 2026
Favela Sounds 2026 (@luarabagg)

Outro destaque da experiência do público foram os espaços Petrobras, que receberam cerca de 7 mil pessoas ao longo das duas noites. Celebrando as culturas urbanas, o estande montado pela empresa reuniu grafite e pintura ao vivo, customização de peças de streetwear, criação de lambe-lambes digitais e acesso à playlist da Petrobras durante todo o evento.

O festival contou, ainda, com uma área de descanso e photopoint assinados pela marca e instalados no centro da arena, ampliando os pontos de convivência e permanência do público durante o Baile.

A pesquisa realizada com o público da edição também reforçou a conexão do festival com as juventudes e com a diversidade das periferias: 52,7% do público foi composto por mulheres, cis ou trans, 61,8% se declararam pretas ou pardas e 78,2% integram o público LGBTQIA+, considerando orientação sexual e identidade de gênero. A idade média foi de 25 anos, com 83,6% da amostra formada por pessoas de até 29 anos.

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E essa não foi apenas uma comemoração de trajetória. A edição mostrou um festival que cresceu sem abandonar a vocação de misturar gerações, ampliar acessos e colocar artistas ainda em ascensão diante de públicos que normalmente estariam reservados aos grandes nomes do mercado.

Atrações do Favela Sounds 2026

Ao longo das duas noites, 20 espetáculos passaram pelo Palco Petrobras. Entre os artistas já consagrados, Gaby Amarantos é um dos nomes que marcou essa edição.

A paraense transformou a área externa do Museu Nacional em uma grande festa de aparelhagem e recebeu a chegada de seu aniversário, no dia 1º, com direito a bolo e parabéns no palco.

Outro destaque foi a carioca Valesca Popozuda, que mostrou a força de uma carreira que segue arrebatando fãs e conquistando as novas gerações, enquanto o paulista Kyan provocou uma das respostas mais intensas da plateia, ao invadir a arena e cantar em meio à multidão.

Favela Sounds 2026
Ciça no Favela Sounds 2026 (@gustavoalcantarafotografia)

A surpresa também veio de quem ainda está construindo os primeiros capítulos da própria trajetória. Bia Soull, que lançou seu álbum de debut “Pornografia Auditiva” em abril, e Ciça, um dos principais nomes em ascensão no rap nacional, fizeram suas estreias em festivais diante de uma plateia desse porte e terminaram a edição entre os nomes mais comentados. Stefanie também chamou atenção em uma programação que colocou lado a lado artistas consolidados e apostas da nova música periférica brasileira.

“A gente considera que a edição foi um grande sucesso de público e, mais ainda, em seus objetivos de democratização, acessibilidade e diversidade, além de comprovar para a cidade e para o país que visões não-dominantes também podem ganhar vazões ampliadas. Como de praxe, o Favela Sounds marcou a carreira de novos artistas. Bia Soull e Ciça foram arrebatadoras em suas apresentações e chamaram muita atenção, principalmente por estarem fazendo essa estreia para grandes públicos”, afirma Guilherme Tavares, idealizador, diretor artístico e curador do Favela Sounds.

Para Amanda Bittar, idealizadora e diretora-geral do Favela Sounds, o resultado ganha ainda mais significado por marcar o reencontro do festival com o Museu Nacional, depois da edição anterior realizada no CCBB Brasília, em fevereiro de 2025.

“Celebrar dez anos é um marco muito importante para qualquer festival. Foi emocionante voltar ao Museu Nacional e encontrar aquele espaço cheio, com um público atento, participativo e disposto a cantar e dançar até o fim. Os artistas saíram muito tocados pela interação que tiveram. É uma edição que certamente ficará no coração de toda a equipe e, tenho certeza, também no do público”, afirma.

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Favela Sounds 2026 (@vctrdnz)