Di Ferrero sobre 4º Rock in Rio: ‘O que me atrapalhava hoje me empolga’
Aos 41 anos, cantor reflete sobre maturidade, novos fãs e o legado do NX Zero

Di Ferrero (Cesinha/Divulgação)
Di Ferrero voltará à Cidade do Rock no dia 4 de setembro, quando abre a programação do Palco Sunset do Rock in Rio 2026. Será a quarta edição brasileira do festival com a participação do cantor, depois de passagens em 2011, 2022 e 2024.
A estreia aconteceu no Palco Mundo, em 2011, com o NX Zero. Naquele ano, a banda abriu o espaço na segunda noite do festival e recebeu Emicida em “Só Rezo”. Em 2022, Di Ferrero dividiu o Sunset com Vitor Kley. Dois anos depois, retornou com o NX Zero para encerrar uma noite do mesmo palco durante a turnê de reunião do grupo.
Em 2026, o músico chega ao festival concentrado na carreira solo e na turnê de “SE7E”. Lançado em 21 de maio, o disco reúne 11 faixas em 34 minutos e inclui músicas como “Universo Paralelo”, “Azul (Oceano)”, “Além do Fim”, “Deixa Sonhar” e “Fim do Mundo”.
Em entrevista à Billboard Brasil, Di Ferrero comparou a insegurança de sua primeira passagem pelo festival com a experiência atual. Também falou sobre a disciplina necessária para manter a intensidade no palco, a transformação do repertório do NX Zero em clássico e a descoberta de sua música por uma geração que não acompanhou o início da banda.
Leia a entrevista com Di Ferrero
Billboard Brasil: Esta será sua quarta edição brasileira do Rock in Rio. O que mudou entre o artista que chegou ao festival em 2011 e o de agora?
É uma diferença total. Tocar no Rock in Rio, principalmente quando é a primeira vez, traz muita insegurança. Agora, com a idade e a experiência, surgem outras questões que, para mim, fazem toda a diferença no palco. Hoje estou mais seguro porque tenho um repertório maior. Consigo colocar no show diferentes momentos da minha vida. O Rock in Rio é uma vitrine e um momento muito importante para o artista. Antes, tudo isso me atrapalhava. Agora, me empolga.
Os shows de “SE7E” são intensos, quase sem pausas. Como prepara o corpo e a voz para manter esse ritmo?
No NX Zero, eu conseguia dividir um pouco a pressão. No meu show, sou eu ali o tempo inteiro. Estou com 41 anos e me sentindo melhor do que antes porque estou mais dedicado. Acho que todo mundo precisa viver suas fases, e eu vivi a fase da loucura intensamente. Mas isso me atrapalhou em vários momentos. Eu chegava para um show rouco e pensava: “Também, fui dormir às seis da manhã, virei a noite e tomei todas”. Há alguns anos, comecei a me dedicar mais. Não deixei de viver ou de sair, mas diminuí. Vejo artistas como Ney Matogrosso e Mick Jagger. Eles continuam vivendo, mas sabem segurar a onda para entregar a performance.
O público de um festival nem sempre está ali exclusivamente para ver um único artista. Como você organiza o repertório para esse contexto?
É montar um quebra-cabeça. Preciso tocar as músicas novas e também os clássicos. Eu tive um trauma no meu primeiro Rock in Rio porque algumas coisas técnicas não deram certo. Precisei cortar música. Hoje, sei que também tenho que pensar nos horários de respirar e ter calma. Não dá para mostrar tudo de uma vez. É preciso realmente pensar em um show para o Rock in Rio.
+ Leia mais: Di Ferrero lança o álbum ‘SE7E’ e amplia nova fase com três faixas inéditas
Como é perceber que o repertório do NX Zero já ocupa uma prateleira de clássicos do rock brasileiro?
Às vezes eu me sinto meio tiozão, mas no bom sentido. Fiz um show em Brasília e chamei uma mãe e um filho para subirem ao palco. O menino tinha sete anos e era o primeiro show da vida dele. Depois, ele começou a entregar a mãe: “Minha mãe amava você quando era mais nova”. Existe essa osmose, essa passagem para a frente. Já virou um clássico, e fico honrado com isso. Ao mesmo tempo, o que me deixa mais feliz é ver a molecada nova chegando.
Também existe um público jovem que conhece primeiro seu trabalho solo e só depois descobre o NX Zero?
Conversei com um menino de 12 anos que falou: “Adorei o seu álbum”. Depois, ele foi descobrir que eu tinha uma banda. Ele começou pelo caminho contrário. Escutou tudo e veio perguntar quando a banda faria show. Isso é muito louco.
Esse movimento ajuda as músicas a permanecerem jovens?
Com certeza. A música vai encontrando audiência e criando uma vida própria. Tem gente que chega pelo NX Zero e conhece meu trabalho solo. Tem gente que faz o contrário. Isso mostra que as músicas continuam circulando e ganhando outros significados.
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