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Por que as ações da Universal Music Group despencaram 25%?

Empresa faturou bem, mas lucrou menos que o esperado pelo mercado

Universal Music Group (Divulgação)

Universal Music Group (Divulgação)

As ações da Universal Music Group (UMG) foram duramente penalizadas pelo mercado logo após a divulgação de seu balanço do meio do ano, na última quinta-feira (30).

O preço do papel despencou 25,4% em apenas um dia, caindo de 19,35 euros para 14,44 euros na sexta-feira (31).

Na semana seguinte, a ação seguiu instável: recuou ainda mais na segunda-feira (3), para 14,35 euros, antes de fechar em 14,93 euros na terça-feira (4).

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À primeira vista, os números não pareciam justificar uma queda tão brusca.

A UMG registrou crescimento saudável de receita, de 5,3% (ou 10,8% em moeda constante), somando 6,194 bilhões de euros no período, ante 5,881 bilhões de euros no primeiro semestre de 2025.

Mas o mercado olhou além da receita e reagiu a outros sinais: uma queda acentuada na lucratividade líquida, que recuou mais de US$ 1 bilhão, e a frustração com o fato de a empresa não ter alcançado o consenso de analistas para o crescimento geral, especialmente na métrica mais observada por investidores no setor, o avanço das assinaturas de streaming.

Números de lucro por trás da queda da Universal Music Group

Os números do lucro ilustram bem esse tombo: de 1,432 bilhão de euros no primeiro semestre de 2025 para apenas 223 milhões de euros no mesmo período de 2026.

O lucro por ação diluída seguiu o mesmo caminho, caindo de 0,77 euro para 0,12 euro.

Para piorar, o fluxo de caixa livre também recuou, de 163 milhões de euros para 24 milhões de euros. Em relatório sobre o balanço, o banco Barclays resumiu bem o momento: “A última vez que os resultados foram tão fracos foi no segundo trimestre de 2024”.

Diante do cenário, o diretor financeiro da UMG, Matthew Ellis, reconheceu que há pontos de insatisfação.

“Existem outras áreas com as quais não estamos satisfeitos e já estamos trabalhando para melhorar”, afirmou, segundo transcrição da teleconferência divulgada pelo site Seeking Alpha.

Ainda assim, ele tentou tranquilizar investidores: “Estamos confiantes de que nosso plano estratégico vai gerar um crescimento saudável de receita e lucro em um horizonte de vários anos”.

O lucro operacional também sentiu o impacto, caindo quase 5%, para 901 milhões de euros, o que empurrou a margem operacional de 16,1% para 14,55%.

Parte do crescimento de receita, aliás, só existiu graças à aquisição da Downtown, concluída em fevereiro deste ano, que sozinha trouxe 234 milhões de euros a mais para o balanço. Sem considerar esse negócio, o crescimento teria ficado em apenas 1,34%, bem abaixo dos 6,222 bilhões de euros que analistas projetavam para o semestre.

Mas o principal vilão da lucratividade, segundo o próprio relatório, foram as despesas financeiras e jurídicas, que saltaram de 93 milhões de euros para 627 milhões de euros em apenas um ano.

A UMG não detalhou a origem exata desse salto, mas ele está presumivelmente ligado a três frentes: os custos com a aquisição da Downtown, o programa de recompra de ações iniciado neste ano e processos judiciais envolvendo inteligência artificial relacionados a Drake.

Como a Universal Music Group pretende reverter o cenário?

Essa recompra de ações, inclusive, ajuda a explicar boa parte da pressão sobre o lucro.

O conselho da Universal Music Group aprovou duas rodadas de recompra somando até 1 bilhão de euros, sendo que a primeira já pagou 485 milhões de euros e a segunda, outros 250 milhões.

A ideia é financiar essas recompras com a venda de metade das ações que a UMG detém no Spotify, plano que só começou a andar depois que a empresa rejeitou uma oferta polêmica de Bill Ackman, da Pershing Square, para adquiri-la por valores entre US$ 56 bilhões e US$ 64 bilhões.

Uma análise da própria Billboard mostrou, à época, que a proposta valia, na prática, cerca de US$ 12 bilhões, já que usaria os próprios recursos de caixa da UMG para bancar a maior parte da aquisição.

Até agora, a UMG vendeu apenas um terço das ações do Spotify que planeja se desfazer, movimento que já rendeu 403 milhões de euros. Fazendo as contas, os desembolsos com a recompra ainda superam a receita gerada pela venda das ações em 332 milhões de euros.

Plataforma de streaming musical Spotify. (Divulgação/Spotify)
Plataforma de streaming musical Spotify. (Divulgação/Spotify)

Mas, se a empresa concluir o plano até o fim do ano e o preço da ação do Spotify se mantiver estável, ela deve arrecadar mais 800 milhões de euros, o que pode ajudar a suavizar o resultado quando o balanço anual for divulgado.

Detalhando os números por divisão, a receita com música gravada cresceu 6,83%, para 4,769 bilhões de euros, enquanto a receita com assinaturas avançou 9,02%, para 2,67 bilhões de euros.

Foi justamente essa última categoria que decepcionou o mercado: segundo o Barclays, o crescimento em streaming ficou abaixo até da própria projeção do banco, de 10,5%, e bem distante da expectativa de analistas ouvidos pela Bloomberg, que apostavam em alta de 19,2%. Em moeda constante, a Universal Music Group entregou apenas 14,5%.

Nos outros segmentos, a receita física, somando CDs, vinis e fitas cassete, cresceu 6,55%, para 651 milhões de euros; o licenciamento avançou quase 11%, para 648 milhões de euros; e a receita com downloads, na contramão, caiu quase 34%, para 72 milhões de euros, refletindo a queda constante desse formato de consumo.

Já a divisão de publicação musical cresceu 3,82%, para 1,168 bilhão de euros, puxada principalmente pela atividade digital, que avançou 4,35%, e pelos royalties de performance, com alta de 5,78%. A única exceção negativa nessa área foi o licenciamento para sincronização, que recuou quase 3,1%.

Por fim, as categorias de merchandising e outras receitas tiveram o pior desempenho do balanço, com queda de 12,13%, reflexo de um calendário de lançamentos mais fraco e de uma atividade de turnês menos intensa ao longo do semestre.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].