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Opinião: indústria da música começa a regulamentar a IA e o que muda?

Rodrigo Lampreia estreia coluna na Billboard Brasil

Indústria da música

Indústria musical (Lee Campbell/Unplash)

A indústria da música começou finalmente a colocar regras na inteligência artificial. É com essa notícia que o diretor artístico Rodrigo Lampreia estreia sua coluna semanal na Billboard Brasil, na qual vai transformar as principais notícias do mercado musical em análise e contexto.

Segundo Lampreia, a Deezer revelou recentemente que músicas geradas por inteligência artificial já representam mais da metade de tudo que chega à plataforma diariamente — mais de 50% dos uploads. “Não é uma projeção, é o número de agora”, destacou o colunista.

As primeiras respostas da indústria da música

Diante desse cenário, a indústria da música começou a agir em diferentes frentes. Um tribunal alemão condenou a Suno por usar músicas protegidas para treinar seus modelos sem autorização — a segunda decisão da Justiça europeia favorável a criadores contra uma empresa de IA generativa. Em seguida, Universal, Sony, Warner, HYBE e outros grupos propuseram que músicas feitas com inteligência artificial sem licenciamento deixem de entrar nas paradas oficiais.

Paralelamente, a indústria fonográfica global anunciou um sistema unificado de etiquetagem para identificar o uso de IA nas gravações, dividido em duas categorias: “gerada por IA”, quando a música foi criada integralmente pela tecnologia, e “assistida por IA”, quando ela participou apenas de parte do processo criativo. A iniciativa reúne organizações como IFPI, RIAA, a Recording Academy — responsável pelo Grammy — além de associações de gravadoras independentes e sindicatos de artistas.

A IFPI também apresentou três critérios para que uma música possa concorrer nas paradas: usar uma ferramenta de IA autorizada, ser substancialmente criada por humanos e não ter manipulação de streams. “Isso é muito importante porque a inteligência artificial já não é mais um experimento. Ela já faz parte da cadeia produtiva da música”, afirmou Lampreia.

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Prédio da HYBE em Seul, na Coreia do Sul
Prédio da HYBE em Seul, na Coreia do Sul (Lee Jae-Won/AFLO via Reuters Connect)

Uma mudança de pergunta

Para o colunista, o ponto central da semana é uma virada de chave na discussão sobre IA.

“Até agora, a discussão era se a inteligência artificial deveria existir ou não. Essa fase acabou. A indústria da música aceitou que ela veio para ficar. A pergunta agora é outra: quais são as regras do jogo?”, disse. Segundo ele, o momento repete um padrão histórico da indústria musical — como aconteceu com o surgimento do sampler, do MP3 e do streaming. “A tecnologia quase sempre chega primeiro, as regras vêm depois.”

Assista ao vídeo de Rodrigo Lampreia sobre a IA na indústria da música