Apertem os cintos, o vocalista sumiu. Mas o substituto dá conta
'Masters of Voices' traz cantores que substituíram lendas do rock pesado

Tim "Ripper" Owens (Clovis Romain/ Divulgação)
Tim “Ripper” Owens podia jurar que tinha ganho na loteria. No ano de 1996, ele foi escolhido para substituir nada menos que Rob Halford –os agudos mais melódicos do heavy metal– no posto de vocalista do Judas Priest, a banda que deu régua e compasso para o rock pesado atual. Owens cantou em dois discos de estúdio, “Jugulator” (1996) e “Demolition” (2001), além de ter participado de dois álbuns ao vivo – “Live Meltdown”, de 1998, e “Live in London”, de 2002, mas não conseguiu fazer o público esquecer do antigo vocalista e muito menos recuperar a popularidade do conjunto. No dia 11 de julho de 2003, Halford estava de volta.
“Os meus anos de Judas foram, coincidentemente, o momento em que o heavy metal esteve em baixa”, justifica Owens, em entrevista exclusiva para a Billboard Brasil. “Se eu estivesse me unido a eles em outros tempos, creio que a situação seria diferente.” A pouco inspirada (pelo menos em popularidade) passagem de Owens pelo Judas não tira, de modo algum, seu talento como cantor, que será demonstrado na turnê “Masters of Voices”, que se inicia no dia 11 de julho e passa por oito cidades brasileiras (veja abaixo os locais e o serviço para a compra de ingressos).
O vocalista terá como parceiros –cada um fazendo seu próprio set, diga-se– Eric Martin, ex-Mr. Big, e outros dois sujeitos que conhecem de cor e salteado os desafios de substituir um ícone do canto. Edu Falaschi entrou no Angra em 2001 no lugar de Andre Matos, tido como referência do metal melódico brasileiro. Jeff Scott Soto, por seu turno, assumiu os vocais do Journey (função exercida por Steve Perry, outra lenda) e chegou a ser considerado como substituto de Freddie Mercury e Paul Rodgers no Queen. O quarteto será acompanhado por Felipe Andreoli (baixo) e Marcelo Barbosa (guitarra), que ocuparam os lugares de Kiko Loureiro e Luís Mariutti no Angra, e Edu Cominato, que assumiu as baquetas do Mr. Big depois da morte do baterista Pat Torpey. “Os integrantes da banda que irá nos acompanhar são até mais famosos que eu”, brinca Owens.
No universo do showbiz, a troca de qualquer integrante de uma formação consagrada costuma ser complicada. Há de se lidar, principalmente, com a sensação de perda e de luto do fã, seja qual for o estilo professado pelo combo musical. Por exemplo, em 1999 Emanuelle Araújo entrou na Banda Eva no lugar de ninguém menos que Ivete Sangalo. O queixume, claro, foi geral. “A gente perguntava ao público o que achava de Emanuelle, e as pessoas diziam que sentiam falta de Ivete”, diz Maurício Magalhães, um dos sócios do Eva. Três anos depois, quando partiu para a carreira solo, ela já tinha conquistado o público. “Minha despedida teve fã emocionado, gente gritando e muito chororô”, diz a cantora em entrevista exclusiva à Billboard Brasil.
No heavy metal, gênero que conta com os admiradores mais xiitas do universo, a sensação de luto é ainda maior. Mas há quem tire de letra. “Eu apareço e faço o meu trabalho, sem me preocupar com as pessoas que não estou impressionando, e concentro-me naquelas que acompanham cada palavra minha. Não dá para desperdiçar o tempo – que deveria ser de diversão e de proporcionar alegria – tentando constantemente agradar a quem não estará do seu lado”, diz Jeff Scott Soto. Uma opinião bem parecida com a de Ripper Owens, por sinal. “Sou um fã de Judas Priest e minha função era fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Se tinha gente que não gostava de mim, paciência. Eu também não era ou sou obrigado a gostar deles”, despacha.
Os grupos substituem seus vocalistas pelos mais diferentes motivos: morte, divergências musicais e/ou profissionais ou necessidade de partir para outros horizontes. Os casos mais bem-sucedidos são aqueles em que a banda adota outro estilo de composição. O Iron Maiden, por exemplo, com a entrada de Bruce Dickinson –que tinha mais técnica e potência vocal do que seu antecessor, Paul Di’Anno, mais influenciado pelo punk rock– conquistou o sonhado mercado americano. O Black Sabbath mudou os temas de suas letras e ganhou velocidade quando trocou Ozzy Osbourne por Ronnie James Dio. Já na equipe do “Masters of Voices”, Edu Falaschi foi peça fundamental na nova fase do Angra, que passou a soar mais progressivo e técnico –além de gerar hits que duram até hoje, como “Bleeding Heart” (que ganhou até versão forró) e “Nova Era” e “Rebirth”.

Tim “Ripper” Owens até conseguiu imprimir seu estilo. Os dois que gravou ao lado do Judas Priest são mais pesados e agressivos que o da fase de Rob Halford –por exemplo, “Burn in Hell”, canção que fará parte do setlist dele no projeto, ao lado de sucessos de seu ex- grupo como “Breaking the Law”. Jeff Scott Soto, escaldado de suas passagens por Journey e Queen, dá sua fórmula para colocar personalidade própria nas canções. Quando eu cantava todas as músicas do Journey, minha voz soava ‘como na música original’, e não necessariamente como a do cantor. Ou seja, eu cantava como se estivesse emulando o estilo e a forma de frasear de Steve Perry, incorporando sua influência e sua abordagem. Para os meus ouvidos, eu estava executando a música exatamente como ela sempre foi ouvida, mas, claramente, minha voz não soava como a de Perry. Adoto a mesma abordagem ao cantar Queen: canto quase fielmente à original, com a mesma emoção e as mesmas inflexões, mas, obviamente, não vou soar como Freddie –e graças a Deus por isso. Adoro poder cantar essas músicas com segurança, mas jamais gostaria de ser um imitador vocal, pois isso faria com que minha própria identidade se perdesse”, explica.
O mais importante é que, embora tenha substituído alguém durante alguma fase de suas carreiras, Tim “Ripper” Owens, Jeff Scott Soto e Edu Falaschi possuem trabalhos solo relevantes. “Ripper” colocou a canção “Nuclear Messiah” nas plataformas de streaming e pensa em recriar o repertório de “Jugulator” –que criminosamente está fora de catálogo– em disco. Soto promete um disco solo para 2027 e Falaschi acaba de encerrar sua trilogia de mitologia à brasileira com “Mi’raj”. Enquanto esses momentos não chegam, “Master of Voices” é uma saborosa incursão pelos diferentes estilos do rock pesado.
Masters of Voices
Com Eric Martin, Edu Falaschi, Tim “Ripper” Owens e Jeff Scott Soto
11/07 — Santo André, SP — Santo Rock Bar
Ingressos: https://ingressomaster.com/comprar/153/masters-of-voices
13/07 — Porto Alegre, RS — Teatro Araújo Vianna
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/118912/d/377724
15/07 — Curitiba, PR — Hard Rock Cafe Curitiba
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/mastersofvoicescuritiba
17/07 — Belo Horizonte, MG — Mister Rock
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/mastersofvoices-belohorizonte
18/07 — São Paulo, SP — Tokio Marine Hall
Ingressos: https://www.ticketmaster.com.br/event/masters-of-voices-tokio-marine-hall
19/07 — Limeira, SP — Mirage Eventos
Ingressos: https://www.circleofinfinityproducoes.com/ingressos/
24/07 — Brasília, DF — Capital Moto Week
Ingressos: https://www.bilheteriadigital.com/capital-moto-week-ingresso-pedestre-2026-24-de-julho
25/07 — Catanduva, SP — Sesc Catanduva
Ingressos: https://www.sescsp.org.br/programacao/catandupedras-25-7-jeff-stars-korzus-masters-of-voices/
SETLIST
Tim “Ripper” Owen
Hellion/Electric Eye (Judas Priest)
Burn in Hell (Judas Priest)
Painkiller (Judas Priest)
Breaking the Law (Judas Priest)
Living After Midnight (Judas Priest)
Heaven and Hell (Black Sabbath)
Eric Martin
Daddy, Brother, Lover & Lil’ Boy (Mr. Big)
Take Cover (Mr. Big)
Wild World (Mr. Big)
Colorado Bulldog (Mr. Big)
To Be With You (Mr. Big)
Addicted to That Rush (Mr. Big)
Green Tinted Sixties Mind (Mr. Big)
Jeff Scott Soto: I’ll Be Waiting (Talisman)
Stand Up (RockStar)
Medley: I’m a Viking + I’ll See the Light Tonight (Yngwie Malmsteen)
Coming Home (Sons of Apollo)
Separate Ways (Journey)
One Love (W.E.T.)
Edu Falaschi: Rebirth (Angra)
Heroes of Sand (Angra)
Millenium Sun (Angra)
Waiting Silence (Angra)
Bleeding Heart (Angra)
Acid Rain (Angra)
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