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Com shows potentes, ARVO 2026 vive edição histórica e reafirma relevância

Show de Duquesa no ARVO 2026 (Reprodução Instagram)

Show de Duquesa no ARVO 2026 (Reprodução Instagram)

O ARVO Festival chegou à sua 10ª edição neste sábado (16), em Florianópolis, com uma programação que ajudou a explicar por que o evento deixou de ser apenas uma boa agenda local para se firmar como um dos festivais mais relevantes do Sul do país. A escalação reuniu João Gomes, BaianaSystem, Gilsons, Duquesa, Carol Biazin, Fundo de Quintal e Maracatu Arrasta Ilha no palco principal, além de Discoteca ARVO e Beco do Samba.

O dia começou com o Maracatu Arrasta Ilha, em formação numerosa, trajes tradicionais e a presença da Rainha Marivalda Santos, do Estrela Brilhante, de Pernambuco. Carol Biazin assumiu o palco no fim da tarde, em sua primeira apresentação em Florianópolis, diante de uma plateia jovem, com bandeiras lésbicas e LGBTQIA+ na grade. O show teve vocais fortes, repertório na boca do público e uma performance física, especialmente em “Tr*nsANte”, quando a cantora tocou guitarra e seguiu até o fim sem a camisa.

José Gil em show dos Gilsons no ARVO 2026 (Toia Oliveira/Divulgação)
José Gil em show dos Gilsons no ARVO 2026 (Toia Oliveira/Divulgação)

Na sequência, os Gilsons ocuparam o entardecer com outro tipo de energia: menos explosiva, mais solar. José Gil saudou o retorno ao festival depois de 2022, enquanto Francisco Gil lembrou a presença da família na plateia, num show que funcionou como respiro antes da virada popular da noite.

Essa virada veio com João Gomes. O pernambucano transformou o ARVO em uma prévia de São João, emendando piseiro, xote, baião e hits de festival. A participação de Jota.pê, na parte final, levou o show para o universo de “Dominguinho”. Depois da saída do convidado, João ainda puxou um bloco de referências pernambucanas, com acenos a Chico Science e Alceu Valença, antes de abrir espaço para a festa mais direta, do funk de MC Leozinho a Tim Maia.

João Gomes no ARVO Festival 2026 (Maria Antonia Oliveira/Divulgação)
João Gomes no ARVO Festival 2026 (Maria Antonia Oliveira/Divulgação)

O Fundo de Quintal levou ao palco a celebração de 50 anos do grupo e recolocou o samba no centro da noite sem precisar disputar volume com ninguém. Sereno, integrante mais antigo da formação, tocou tantã com vigor e lembrou ao público a história de uma escola nascida no Cacique de Ramos. A roda teve balanço, memória e reverência a nomes como Bira Presidente, Arlindo Cruz e Almir Guineto, citados como parte de uma linhagem que o grupo ainda carrega em cena.

Pouco depois, o BaianaSystem fez o que costuma fazer: alterou a pressão atmosférica do lugar. O grave batia no peito, a guitarra baiana cortava o ar e a plateia respondia em coro. Russo Passapusso, com uma bandeira do Brasil amarrada à cintura com a frase “meu axé é resistência”, conduziu o show.

BaianaSystem no ARVO 2026 (Reprodução Instagram)
BaianaSystem no ARVO 2026 (Reprodução Instagram)

Coube a Duquesa encerrar o palco principal já na madrugada de domingo (17), por volta de 1h10, com a tarefa ingrata de segurar uma plateia atravessada por mais de dez horas de festival. A rapper baiana não apenas segurou: sacudiu a pista. Entre “Fuso”, “Taurus”, “Única”, “Tá eu e a Nicole” e “No Meu Club”, fez do show uma sessão coletiva de autoestima, desejo e afirmação.

A Discoteca ARVO ficou abarrotada em vários momentos do dia, a ponto de haver gente acompanhando os DJs do lado de fora da lona. A programação incluiu Cleiton Rasta, Baile da Brum, Mvuka com Mac Julia, Tropicals e terminou com KL Jay, lenda dos Racionais MC’s, conduzindo a pista até perto do amanhecer.

O Beco do Samba também confirmou sua função dentro do festival. A proposta do espaço era valorizar rodas e coletivos de Florianópolis. Em sua segunda edição, o espaço recebeu Quintal do Fê/Samba do Rosa com Julia Maria e Elô Gonzaga, Samba Informal de Rua com Ju Queiroz, Bastião com Bárbara Damásio e Camélia Martins, além de Juliana D Passos.

A 10ª edição também reforçou a decisão do ARVO de tratar sustentabilidade com o devido respeito. O festival criou um núcleo ESG (Environmental, Social, and Governance), além de seguir com gestão de resíduos com cooperativas, embalagens biodegradáveis, Hub de Educação Socioambiental, Feira Mix e ações de inclusão, como distribuição de abafadores e espaço de regulação sensorial. Tudo entregue de maneira harmônica, promovendo um evento diverso e inclusivo. Que venha logo a 11ª edição!