The Weeknd transforma estádio em karaokê gigante na primeira noite em São Paulo
O popstar canadense repetiu o feito histórico de 45 anos atrás do grupo Queen

The Weeknd no Estádio do Morumbis (Brazil News)
Em 1981, o quarteto inglês Queen fez duas performances histórias no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Diante de um público médio de 100 000 pessoas por noite, eles executaram um número musical que se tornaria simbólico –”Love of My Life”, canção na qual o estádio inteiro virou um karaokê.
É bem provável que o canadense Abel Makkonen Tesfaye, mais conhecido como The Weeknd, não atinja o nível de adoração de Freddie Mercury (1946-1991) vocalista do Queen (são outros tempos e também não sabemos se essa é sua intenção). Mas o que aconteceu ontem no mesmo local –e deve se repetir hoje à noite– foi bem próximo da façanha do grupo Queen.
É a terceira vinda do astro canadense em três anos, sempre com a mesma turnê, “After Hours Til Dawn”. Visualmente, é um espetáculo majestoso, criado em parceria com a agência de design Tait Tower. O palco traz dezessete mini-edifícios, que criam uma distopia entre o purgatório e o pecado (temas presentes em “Dawn FM” e “Highlights”). Uma das inspirações para o cenário foi “Metropolis”, de 1921, produção futurística e apocalíptica do cineasta alemão Fritz Lang (1890-1976). O segundo cenário, por sua vez, traz uma mulher robô de mais de sete metros de altura, criada pelo desenhista japonês Hajime Sorayama, conhecido por suas ilustrações hiper-realistas e futuristas.
The Weeknd é um popstar dos novos tempos. Ele se permite passar vários números musicais escondido por uma máscara: seria uma forma de criticar o culto à celebridade e a superficialidade dos tempos atuais (é também uma pequena homenagem ao rapper MF Doom, morto em 2020, e que também utilizava esse recurso cênico). Sua performance de palco é muito diferente à de um Bruno Mars, por exemplo (para ficarmos entre outro astro que, assim como Abel, está tirando passaporte brasileiro): enquanto o primeiro é um entertainer, joga para o público, The Weeknd privilegia o roteiro e a força dramática de sua atuação. Em respeito à história que está sendo contada no palco, ele esconde a banda embaixo e/ou por trás dos mini-edifícios e às vezes opta pelos vocais pré-gravados ao invés de utilizar seus dotes de soulman –que, verdade seja escrita, são inúmeros.
A apresentação de quinta-feira foi reforçada pela presença de Anitta, que interpretou “São Paulo” e deu um gostinho da inédita “Rio” ao lado do cantor. The Weeknd começou com três canções de seu mais recente disco, “Hurry Up Tomorrow”, lançado em janeiro de 2025: foram elas “Baptized in Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”. “Starboy”, tocada na sequência, incendiou o público de vez. Em “I Feel it Coming” e “Out of Time” ele foi, literalmente, para os braços do povo, e cantou junto com parte da plateia. Uma sacramentação do karaokê gigante que foi toda a sua performance no estádio –que virou seu território da mesma maneira que havia virado feudo do Queen, 45 anos atrás. Hoje tem mais.

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