Shakira e o Brasil: um amor antigo

Shakira
A cena é relativamente comum: o artista gringo desembarca no Galeão, compra uma camisa verde e amarela bem clichê, come coxinha, bebe guaraná, aprende a falar “obrigado” e sai por aí se sentindo mais brasileiro do que o Cristo Redentor. Com Shakira, no entanto, a história é outra. A relação da colombiana com o Brasil não nasceu agora, nem foi forjada pelas agências de publicidade. Ela é anterior até mesmo à imagem de estrela pop global que a cantora consolidou a partir dos anos 2000. O megashow gratuito em Copacabana no projeto Todo Mundo no Rio e “Choka Choka”, parceria lançada com Anitta no mês passado, apenas reforçam essa antiga e frutífera relação.
O Brasil foi um mercado muito importante para a expansão internacional da artista. Em meados dos anos 1990, os brasileiros foram os primeiros latinos a abraçar a música da jovem de Barranquilla fora da sua região. Shakira ainda vivia a fase de “Pies Descalzos”, antes de se tornar a figura global por quem o mundo se apaixonou poucos anos depois.
Essa construção passou, primeiro, pela estrada. Em 1996, ela incluiu cidades como Manaus, Goiânia, Belém, Barretos (SP), Brasília, Maringá (PR), Belo Horizonte, Salvador e Recife no seu roteiro. Fez show em kartódromo, passou por casas e ginásios fora do eixo tradicional e se apresentou em cidades do interior paulista, num circuito que hoje parece improvável para uma estrela desse porte, mas que ajuda a explicar por que a identificação brasileira com Shakira veio cedo.
A TV aberta também foi fundamental para sua popularidade, já que nos anos 1990 ainda funcionava como a principal máquina de audiência em escala nacional. Em 1997, Shakira apareceu no “Domingo Legal”, ao lado de Gugu Liberato. Dali em diante, o circuito foi amplo: Ana Maria Braga, Faustão, Hebe, Raul Gil, MTV, “Programa Livre”, “H” e Jô Soares, entre outros.
Em 2016, Shakira disse ao “Jornal Hoje” que o Brasil foi determinante em sua história musical, que se sente em casa quando volta ao país. Ela contou que aprendeu português em apenas um mês, aos 18 anos, fazendo turnês por aqui. No ano passado, já às vésperas de abrir a Las Mujeres Ya No Lloran World Tour no Brasil, ela reforçou a ideia dessa dívida afetiva e histórica com o público brasileiro.
Mesmo quando entrou de vez no circuito global, o Brasil ainda manteve destaque na rota. Em 2011, a cantora trouxe ao país a Sale El Sol Tour, com datas em Porto Alegre, São Paulo e Brasília, e ainda subiu ao palco do Rock in Rio, onde dividiu “País Tropical” (de Jorge Ben Jor) com Ivete Sangalo. Em 2014, apareceu num evento de escala planetária, o encerramento da Copa do Mundo no Maracanã, quando cantou “La La La” com Carlinhos Brown.
A escolha de abrir a Las Mujeres Ya No Lloran World Tour no Rio em 2025 não foi casual. Shakira disse em entrevistas ao “Domingão com Huck” e à CNN Brasil que queria iniciar a série no país porque o público brasileiro segue sendo central para ela. A apoteose prevista para a Praia de Copacabana em 2026 será a coroação deste relacionamento.
Em vez de forçar a barra como alguns colegas de estrelato internacional quando vêm se apresentar no Brasil, Shakira chega ao megapalco de Copacabana com a intimidade de uma velha amiga do público local. Afinal, são mais de 30 anos de uma intensa e calorosa convivência.
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