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Shakira: a força de uma artista que eu aprendi a admirar de perto

Sarah Oliveira e Shakira se encontraram diversas vezes desde a época da MTV (Arquivo pessoal)

Sarah Oliveira e Shakira se encontraram diversas vezes desde a época da MTV (Arquivo pessoal)

Shakira sempre me chamou atenção por um motivo simples: ela nunca pareceu se encaixar em nenhuma categoria pronta. Desde os anos 90, quando “Estoy Aquí” começou a tocar sem parar no Brasil, já dava para perceber que havia algo diferente ali. Uma artista jovem, compositora, com uma mistura de referências que não obedecia a fronteiras: pop latino, rock, folk, influências do Oriente Médio… E talvez seja por isso que, tantos anos depois, ela continue mobilizando multidões com tamanha naturalidade.

A trajetória dela é marcada por fases muito distintas, mas todas com a mesma assinatura. “Pies Descalzos” apresentou ao mundo uma Shakira que escrevia sobre o que vivia, com franqueza e identidade. Pouco depois, “Laundry Service” abriu as portas do mercado global com “Whenever, Wherever” e, a partir dali, vieram sucessos que moldaram o pop dos anos 2000: “La Tortura”, “Hips Don’t Lie”, “Waka Waka”. Cada um desses momentos ampliou o alcance dela sem apagar suas raízes latinas — pelo contrário, reforçou.

As parcerias contam outra parte importante dessa história. Alejandro Sanz, Wyclef Jean, Rihanna, Karol G, Anitta, Bizarrap. Shakira sempre soube circular entre gerações e estilos, e isso explica por que continua relevante mesmo em um cenário pop que muda o tempo todo. E não é só isso: ela também abriu portas para artistas que hoje dominam o mercado. Quando dividiu o palco do Super Bowl com Bad Bunny, em 2020, apresentou o porto-riquenho a um público global que ainda não o conhecia naquela escala — um gesto que diz muito sobre seu papel como ponte dentro da música latina.

O engajamento social acompanha essa trajetória desde cedo. A Fundação Pies Descalzos, criada por ela em 1997, se tornou um dos projetos educacionais mais consistentes da América Latina. A iniciativa constrói escolas públicas em regiões vulneráveis da Colômbia, com foco em infraestrutura digna, formação de professores, alimentação adequada e apoio às famílias. Hoje, já são mais de 20 escolas entregues e outras em construção, beneficiando centenas de milhares de crianças e impactando mais de um milhão de famílias. Em muitas dessas comunidades, a taxa de conclusão escolar chega ao dobro da média nacional, e a maioria dos alunos segue para o ensino superior — números que mostram a profundidade desse trabalho.

Shakira inaugura escola na Colômbia (Reprodução Instagram)
Shakira inaugura escola na Colômbia (Reprodução Instagram)

Desde 2003, Shakira também atua como Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF, defendendo educação e primeira infância em fóruns internacionais. Ela já discursou na ONU sobre a urgência de investir em nutrição, estímulo cognitivo e acesso à escola, pressionando governos e usando sua visibilidade para temas que, para ela, são estruturais. A fundação atua alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com foco em educação, redução da pobreza e diminuição das desigualdades.

O encontro no Masp

O Brasil ocupa um lugar especial nessa relação. Shakira aprendeu português, frequentou programas de TV, voltou inúmeras vezes ao país. Em uma dessas visitas, encontrei com ela, um dia antes de uma gravação ao vivo na MTV, por acaso no MASP, enquanto nós duas visitávamos uma exposição de arte egípcia. Eu já a havia entrevistado, mas não esperava que ela se lembrasse de mim. Ela lembrou. Conversamos em português e eu disse que estava animada em entrevistá-la novamente. No dia seguinte, ela chegou feliz ao estúdio e apresentou o programa comigo do início ao fim, generosa, curiosa, atenta a tudo. Essa memória sempre volta quando penso no carinho que ela tem pelo público brasileiro. A fase atual mostra uma artista em plena atividade criativa. O álbum “Las Mujeres Ya No Lloran” e singles recentes revelam uma Shakira conectada ao presente, confortável no diálogo com o reggaeton e com a nova geração de artistas latinos. Ela segue lançando músicas, fazendo parcerias e ocupando espaços que antes pareciam restritos ao pop anglo-saxão.

Enquanto este texto é publicado, preparo um especial sobre ela para meu programa “Minha Canção”, na Rádio Eldorado, revisitando essa trajetória com a profundidade que ela merece. E, às vésperas do que promete ser mais um megashow de uma diva em Copacabana, o que se vê é uma artista que continua relevante, criativa e capaz de mobilizar multidões. E certamente ainda há muito por vir.