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Spotify avança sobre vídeos e ingressos em disputa por fãs

Upload de vídeos longos por artistas e ingressos reservados são apostas

Spotify

Spotify (Reuters)

O Spotify está acelerando sua transformação de aplicativo de streaming em plataforma de relacionamento entre artista e fã. Em uma mesma semana, a empresa colocou em movimento duas frentes que ajudam a explicar essa mudança: o teste de upload direto de vídeos longos por artistas e o lançamento do Reserved, recurso que reserva ingressos para fãs mais engajados antes da venda geral.

O Reserved estreou nos Estados Unidos em 18 de junho, em parceria com a Live Nation e a Ticketmaster. O primeiro artista do programa é Role Model, nome artístico do cantor indie-pop Tucker Pillsbury. Pela ferramenta, assinantes Premium considerados elegíveis podem receber a chance de comprar até dois ingressos de uma turnê antes da abertura da venda ao público.

A novidade chega no mesmo momento em que o Spotify abriu, em beta, a possibilidade de artistas enviarem vídeos longos diretamente pelo Spotify for Artists. O recurso permite subir clipes oficiais, covers, sessões de estúdio e performances ao vivo vinculadas a músicas ou lançamentos específicos.

As duas apostas apontam para a mesma direção. O Spotify quer deixar de ser apenas o lugar onde a música é ouvida e passar a controlar mais etapas do ciclo de consumo: descoberta, vídeo, engajamento, dados de superfãs e acesso ao show.

Spotify testa vídeos longos enviados por artistas

O teste de vídeos longos marca uma mudança importante na estratégia audiovisual do Spotify. Até aqui, a plataforma já vinha trabalhando com videoclipes entregues por gravadoras e distribuidoras. Agora, artistas selecionados no beta também podem fazer o upload direto pelo Spotify for Artists.

Segundo a empresa, os vídeos aceitos nesta fase precisam ter relação direta com uma música ou lançamento. Entram no formato clipes oficiais, apresentações ao vivo, covers e sessões acústicas ou de estúdio. Ficam de fora, por enquanto, lyric videos, visualizers, shows com várias músicas e vídeos sem música.

O Spotify afirma que esses vídeos podem gerar royalties e podem ser elegíveis a charts, dependendo das regras aplicáveis. A empresa também diz que, depois que um fã assiste a um vídeo, tende a ouvir mais aquela música e o restante do catálogo do artista nas semanas seguintes.

Para o artista, esse é o ponto central. O vídeo deixa de ser apenas uma peça de divulgação em outra plataforma e passa a fazer parte da mecânica de consumo dentro do próprio Spotify. A faixa, o clipe, o perfil do artista, as playlists e os dados de audiência passam a operar no mesmo ambiente.

Disputa com YouTube entra em nova fase

A comparação com o YouTube é inevitável. O YouTube é, há anos, o principal destino de videoclipes, registros ao vivo, visualizers, bastidores e sessões de artistas. Também é uma plataforma de busca aberta, recomendação algorítmica e monetização em vídeo.

O Spotify não substitui esse modelo de imediato. O beta ainda é limitado, e o formato aceito pela plataforma não contempla shows longos ou conteúdos audiovisuais mais livres. Mas a empresa tenta ocupar uma parte estratégica desse território: o vídeo musical diretamente ligado ao consumo da faixa.

Na prática, o Spotify não precisa virar um novo YouTube para mudar o jogo. Basta se tornar um destino relevante para o vídeo que acompanha lançamentos. Isso já altera planejamento de campanha, cronograma de entrega e orçamento de artistas, selos e distribuidoras.

No caso brasileiro, a mudança deve ser acompanhada com cautela. O upload direto ainda não é uma ferramenta aberta para todos os artistas, e a disponibilidade por mercado varia. Mas o movimento antecipa uma discussão inevitável: se o Spotify ampliar o recurso, o clipe poderá deixar de ser pensado apenas para YouTube, TikTok e Instagram.

Reserved leva o Spotify para a bilheteria

A outra frente é o Reserved. O recurso usa dados de engajamento no Spotify para identificar fãs considerados mais próximos de um artista e reservar até dois ingressos para compra antes da venda geral.

A elegibilidade leva em conta sinais como streams, saves, compartilhamentos e histórico de engajamento. O Spotify diz que também monitora atividade suspeita para evitar bots e revenda profissional. A compra, no entanto, não acontece dentro do Spotify: ela é processada pelo parceiro de bilheteria, no caso inicial, a Ticketmaster.

O lançamento começa nos Estados Unidos, dentro de uma parceria plurianual com a Live Nation. O programa é exclusivo para assinantes Premium maiores de 18 anos e, por enquanto, vale para artistas e turnês selecionados.

A diferença em relação a uma pré-venda comum está no uso de dados de escuta como critério. Em vez de apenas distribuir códigos promocionais, o Spotify tenta transformar comportamento de fã em acesso. A plataforma passa a dizer, com base em seus próprios dados, quem são os ouvintes mais engajados de determinado artista.