Pacto do Trabalho Decente em Grandes Eventos é anunciado durante o WME 2026
Ação foi comentada durante painel do evento na sexta-feira (19)

Mara Natacci, Sylvia Gomes, Etienne Di Stasi e Danielle Burd falam do Pacto do Trabalho Decente em Grandes Eventos no WME 2026 (reprodução)
Quem esteve presente no Women’s Music Event (WME) recebeu em primeira mão uma notícia que promete alterar os rumos do setor de entretenimento no Brasil. Durante o painel “As Donas do Backstage: O jurídico no entretenimento”, realizado na última sexta-feira (19), quatro grandes executivas da área anunciaram a assinatura do Pacto do Trabalho Decente em Grandes Eventos.
A Dra. Mara Natacci, ao lado de Sylvia Gomes (DC7), Etienne Di Stasi (Live Nation) e Danielle Burd (30e), explicou que o projeto nasceu de uma articulação direta no Distrito Federal. Juntas a mais quatro mulheres que lideram a indústria de eventos nacional, elas viajaram a Brasília para expor aos governantes as reais engrenagens e as complexidades logísticas enfrentadas nos bastidores do show business.
Em um encontro estratégico com o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a comitiva de executivas discutiu como funciona a estrutura necessária para colocar um show de grande porte em pé. O principal objetivo foi evidenciar o cenário de insegurança jurídica que o setor enfrenta atualmente pela total ausência de uma legislação trabalhista específica para o mercado de grandes eventos.
Os gargalos burocráticos nos bastidores
Um dos maiores desafios debatidos no painel envolve os modelos de contratação temporária de curto prazo, comuns na dinâmica de festivais e turnês. Atualmente, as produtoras se veem obrigadas a assinar a carteira de trabalho de colaboradores por períodos de apenas dois ou três dias. Essa burocracia excessiva engessa o mercado de grandes eventos, gerando desgastes profundos e custos ineficientes tanto para o empregador quanto para o próprio trabalhador.
A falta de regulamentação também afeta diretamente a segurança operacional. Sem regras sob medida para o entretenimento ao vivo, a fiscalização frequentemente aplica normas da construção civil para a montagem e desmontagem de palcos, que cria exigências a serem cumpridas no cronograma de um show em um estádio que muitas vezes ameaçam inviabilizar a vinda de grandes turnês para diversas cidades brasileiras. Outro ponto crítico levantado foi a barreira legal que impede a contratação de estudantes universitários para estágios práticos de curta duração durante os festivais.
O próximo passo anunciado durante o WME
O início de uma mudança no mercado de grandes eventos começa no dia 25 de junho, quando o grupo assinará oficialmente o documento em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério da Cultura, comandado por Margareth Menezes, que foi convidado a integrar a iniciativa.
A assinatura do documento resultará na criação de uma Mesa Nacional de Discussão. Esse comitê debaterá soluções definitivas para as especificidades da área, englobando novos modelos contratuais, regras de segurança adaptadas e a criação de normas técnicas realistas. O painel do WME reforçou que este é o primeiro passo definitivo para profissionalizar, proteger e viabilizar o fluxo de trabalho de forma adequada na música ao vivo no Brasil.
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