Julgamento de Tupac: réu teria ordenado assassinato como ‘ato de vingança’
Duane Davis é acusado de ordenar assassinato do rapper em 1996

Tupac Shakur (Chi Modu/Divulgação)
O julgamento pelo assassinato de Tupac Shakur (1971 – 1996) começou nesta segunda-feira (17) em um tribunal de Las Vegas, onde os promotores disseram aos jurados que o assassinato do lendário rapper foi “um ato de vingança” realizado pelo ex-líder de gangue de Los Angeles, Duane “Keffe D” Davis.
Nas alegações iniciais de um julgamento que deve durar pelo menos um mês, os promotores disseram aos jurados que Davis havia planejado o tiroteio de 1996 que matou o lendário rapper aos 25 anos, em resposta a uma briga ocorrida mais cedo naquela noite, na qual Tupac atacou seu sobrinho em um cassino de Las Vegas.
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Como esperado, os promotores se basearam fortemente nas próprias declarações de Davis sobre seu envolvimento no famoso crime, incluindo uma entrevista de 2008 e um livro de memórias de 2019, no qual ele admitiu que estava no banco da frente no momento do tiroteio e que havia fornecido a arma ao atirador no banco de trás.
“Sejamos claros: Duane Davis não apertou o gatilho”, disse o promotor Binu Palal aos jurados. “Vocês saberão que, quando surgiu a oportunidade de vingança, Duane Davis garantiu que os atiradores estivessem armados e prontos para executá-la. E, surpreendentemente, vocês saberão disso pelo próprio Duane Davis.”
Os promotores exibiram repetidamente trechos em que Davis discutia seu envolvimento, incluindo entrevistas privadas com a polícia e aparições públicas na mídia enquanto promovia seu livro. Palal disse que eles mostravam sua “raiva visceral” contra Tupac pelo ataque ao seu sobrinho, mesmo décadas depois.
“Duane Davis sabia que, em seu mundo, aquilo exigia uma resposta”, disse o promotor sobre a briga. “Agora, quase 30 anos depois, vamos pedir que vocês finalmente responsabilizem Duane Davis.”
Em resposta, o advogado de defesa de Davis, Michael W. Sanft, disse aos jurados que não havia provas concretas ligando seu cliente ao crime, nem mesmo de que ele estivesse em Las Vegas naquela noite.
Ele pediu aos jurados que distinguissem entre fato e ficção e questionou enfaticamente por que seu cliente não havia sido acusado anos antes com base nas mesmas declarações.
Sanft enfatizou repetidamente o que será sua principal defesa: que Davis, na verdade, criou um relato fictício de seu papel no famoso crime, que não pôde ser corroborado com provas reais. Em um dado momento, ele exibiu uma tela para os jurados com a palavra “Mentira” escrita em branco.
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“Era sabido que Keffe D fazia isso”, disse o advogado aos jurados, apontando para o cartão. “O que vocês vão constatar é que o Estado não pode provar, além de qualquer dúvida razoável, que Keffe teve qualquer envolvimento em um homicídio de primeiro grau.”
A audiência desta segunda-feira (17) marca o início de um julgamento que durará várias semanas e poderá incluir depoimentos do ex-chefe da Death Row Records, Suge Knight, que está preso, e de muitas outras pessoas.
Se condenado, Davis, de 63 anos, poderá ser sentenciado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Tupac Shakur, uma estrela em ascensão no mundo do rap, foi morto a tiros em Las Vegas em 7 de setembro de 1996.
Sua morte ocorreu em meio à infame rivalidade entre as costas leste e oeste do hip-hop, e foi seguida meses depois pelo assassinato de seu rival, The Notorious B.I.G. Ninguém foi acusado por nenhum dos assassinatos, e os dois casos arquivados se tornaram um marco na história cultural americana.
Mas, em setembro de 2023, os promotores apresentaram uma acusação de homicídio contra Davis, um ex-líder da gangue Crips em Los Angeles na década de 1990, alegando que ele havia orquestrado o assassinato como vingança depois que o grupo de Tupac Shakur espancou seu sobrinho naquela mesma noite.
Eles citaram suas próprias palavras como prova, incluindo um livro de memórias de 2019, no qual ele descreveu abertamente seu papel no crime.
Davis desde então desmentiu essas declarações, argumentando que o livro era essencialmente ficcional e mantendo firmemente sua inocência. Mas o juiz permitiu que o livro e outras declarações da mídia fossem citados como provas, deixando para o júri decidir se são verdadeiros.
Após as declarações iniciais desta segunda-feira (17), os jurados ouvirão semanas de depoimentos de testemunhas e, eventualmente, chegarão a um veredicto.
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