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Cabelinho, Livinho e Don L cantam Chico Buarque em álbum de releituras

'Chico 2.0' tem Xênia França, Tasha & Tracie, Grag Queen, Budah e TZ da Coronel

MC Livinho e Cabelinho cantam Chico Buarque em 'Chico 2.0' (Reprodução)

MC Livinho e Cabelinho cantam Chico Buarque em 'Chico 2.0' (Reprodução)

De “Construção” a “Cálice”, clássicos do repertório de Chico Buarque vão ganhar novas versões em um álbum que aproxima sua obra do funk, do rap, do trap, do R&B e de outras vertentes da música brasileira atual. Livinho, MC Cabelinho, Dexter, Xênia França, Don L, Tasha & Tracie e Grag Queen estão entre os nomes escalados para “Chico 2.0”, projeto que começa a chegar às plataformas na próxima sexta-feira (21).

O disco também conta com Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, VANDAL, Bela Maria e Maurício Pazz. Produzido pela Favela Records, Tha House e Universal Music Brasil, “Chico 2.0” terá dez faixas e será dividido em duas partes: a primeira sai em 21 de agosto, enquanto a segunda está prevista para outubro.

A seleção aposta principalmente no encontro entre intérpretes de gerações recentes e músicas escritas por Chico Buarque entre as décadas de 1960 e 1970. A direção musical de todas as faixas é de Alê Siqueira e Felipe Poeta.

Entre as combinações está “Construção”, gravada por Dexter, Maurício Pazz e MC Livinho. A composição foi lançada originalmente no álbum homônimo de Chico, de 1971, disco produzido em meio à volta do compositor ao Brasil depois do período de exílio na Itália.

Livinho aparece ainda sozinho em “Pivete”, parceria de Chico com Francis Hime lançada em 1978. A escolha aproxima o funkeiro de uma composição centrada na circulação de um menino pelas ruas do Rio de Janeiro, com referências à Tijuca, ao Borel, à Rua da Carioca e à Frei Caneca.

Capa do disco Chico Buarque de Hollanda lancado em 1966 Dirceu Corte Real Divulgacao
Capa do disco “Chico Buarque de Hollanda” (1966) (Dirceu Côrte-Real/Divulgação)

Chico Buarque: MC Cabelinho e Xênia França regravam ‘Cálice’

Outro encontro do projeto coloca MC Cabelinho e Xênia França em “Cálice”. Escrita por Chico Buarque e Gilberto Gil em 1973, a música foi censurada durante a ditadura civil-militar. Naquele ano, os dois tentaram apresentá-la no evento Phono 73, mas tiveram os microfones desligados. A gravação só seria lançada oficialmente em 1978, com Milton Nascimento dividindo os vocais com Chico.

O rap também aparece em “O Que Será (À Flor da Terra)”, agora interpretada por VANDAL e Don L. A composição foi lançada em 1976 e teve uma de suas gravações mais conhecidas dividida por Chico e Milton Nascimento. Segundo o arquivo oficial do compositor, a música surgiu a partir de imagens de Cuba mostradas a Chico Buarque pelo jornalista e escritor Fernando Morais.

Tasha & Tracie ficam responsáveis por “Deus Lhe Pague”, outra faixa do álbum “Construção”, enquanto Budah assume “Roda Viva”, composição de 1967 feita originalmente para a peça de mesmo nome.

Grag Queen interpreta “Geni e o Zepelim”, número de “Ópera do Malandro”, e Júlia Mestre divide “João e Maria” com TZ da Coronel. A segunda é uma parceria de Chico com Sivuca: a melodia havia sido criada pelo sanfoneiro décadas antes de Chico escrever a letra, como o próprio compositor recorda em seu arquivo oficial.

Completam o repertório Bela Maria, em “Meu Caro Amigo”, e Xênia França, que também aparece sozinha em “Olê, Olá”. “Meu Caro Amigo”, outra parceria de Chico Buarque com Francis Hime, foi lançada em 1976 no álbum de mesmo nome e estruturada como uma mensagem enviada a um amigo que estava fora do país durante a ditadura.

“Chico 2.0” tem direção de Celso Athayde e Fábio Almeida, com direção artística de Athayde, Almeida e Preto Zezé. Camila Rebouças assina a produção executiva.

Veja a tracklist de ‘Chico 2.0’

  1. “O Que Será (À Flor da Terra)”: VANDAL e Don L
  2. “Cálice”: Xênia França e MC Cabelinho
  3. “Construção”: Dexter, Maurício Pazz e MC Livinho
  4. “Deus Lhe Pague”: Tasha & Tracie
  5. “Pivete”: MC Livinho
  6. “Geni e o Zepelim”: Grag Queen
  7. “Meu Caro Amigo”: Bela Maria
  8. “Olê, Olá”: Xênia França
  9. “João e Maria”: Júlia Mestre e TZ da Coronel
  10. “Roda Viva”: Budah