Fernanda Abreu celebra a evolução da música eletrônica no Brasil
Cantora fala à Billboard Brasil, no Hot Beats Music Conference, sobre a cena

Fernanda Abreu no Hot Beats Music Conference 2026 (@Bruno_contrino)
Rainha da pista de dança há mais de três décadas, Fernanda Abreu viu de perto a transformação da música eletrônica no Brasil – do DJ que tocava discos em festas ao produtor que hoje comanda o pop nacional. Em entrevista à Billboard Brasil durante o Hot Beats Music Conference, evento que reuniu entusiastas e profissionais da cena eletrônica, a cantora avaliou esse caminho com entusiasmo.
“Eu acho que a música eletrônica mudou para muito melhor. Quando eu comecei, lá no meu primeiro disco solo, em 1990, no ‘SLA Radical Dance Disco Club’, a gente tinha alguns DJs que eu já conhecia, que sempre foram importantes para minha carreira – uma galera que eu sempre achei que era vanguarda, que trazia as novidades”, contou.
Fernanda Abreu descreve a virada como uma mudança de função dentro da própria cena. “Ainda era uma galera que botava mais som na pista, nos bailes, nas festas. Depois eu vi essa transição do DJ virar produtor musical, botar a mão na massa na hora de produzir uma faixa e entrar no mundo pop, no mainstream. Isso fez muita diferença para a música pop brasileira”, disse. “Hoje a música pop está totalmente dominada pela produção de beatmakers e DJs – é fundamental para quem quiser fazer música pop.”
Ao repassar a linha do tempo da cena, Fernanda Abreu citou nomes que considera centrais na formação da música eletrônica brasileira, do funk carioca das origens até a nova geração. “Eu conheço desde o [DJ] Malboro, que começou com o funk no Brasil lá atrás, e o Corello e o Meme com a house, até hoje, um clássico da nossa música eletrônica. Mas você tem um Mochakk, uma ANNA, uma galera nova, e o Vintage Culture, que também tesá aí rolando pra caramba”, afirmou.
Em 2021, Fernanda Abreu lançou um disco só de remixes com direção artística do próprio Meme.
A parceria com Meme
Meme está completando 50 anos de carreira, e Fernanda Abreu faz questão de destacar o papel do produtor na história recente da música brasileira. “O Meme é um cara muito importante nessa cena, porque ele talvez tenha sido o primeiro DJ que fez o crossover – que saiu da pista, da festa, e chegou no mainstream como produtor musical, vendendo discos de milhões de cópias, com o Gabriel, o Pensador, o Lulu Santos“, disse. “A gente sempre trabalhou junto.”
Um dos frutos dessa parceria é “Kátia Flávia”, faixa que Fernanda regravou em 1997 sob produção de Meme. “Ele fez um clássico meu, que é ‘Kátia Flávia’, uma música original do Fausto Fawcett. Eu toco esse arranjo até hoje, e ele arrasa . As pessoas amam o show”, contou. Segundo ela, os dois acompanharam junto essa trajetória da cena eletrônica, sempre com um olhar crítico sobre o que viam acontecer.
Direitos autorais, streaming e IA
Para Fernanda Abreu, o avanço do streaming e da inteligência artificial trouxe novos desafios para quem faz música. “Com o streaming, o mundo digital, os direitos autorais no digital e a inteligência artificial, eu acho que fica cada vez mais difícil para a galera entender questões como direito de autor: quem é o compositor, quem é o intérprete, quem são os músicos, como funcionam esses direitos, o que é preciso pra você subir uma música no Spotify. Toda a parte legal e burocrática é importante, porque você está reconhecendo o direito de todo mundo”, afirmou.
Mesmo diante da complexidade, a cantora aposta na força da música brasileira. “Acho que as pessoas vão aprendendo. O que importa mesmo é a música, é o tesão de fazer música nova, de estar sempre inventando uma linguagem diferente. Eu acho que o Brasil é imbatível nisso, porque é um dos países mais ricos musicalmente, tanto de melodia quanto de harmonia, de poesia, de ritmo. Acho que todo mundo que trabalha com música no Brasil deve ficar muito orgulhoso pelo privilégio de viver num país que nos dá tanto subsídio para fazer música.”
Fernanda Abreu também comparou essa riqueza com referências que marcaram sua geração. “A gente sempre teve uma coisa meio de achar que a música americana e inglesa dos anos 80 era a régua – cresci ouvindo funk americano, soul, hip-hop americano, e também o rock inglês. Isso tudo meio que forjou uma geração. Hoje a gente compreende que o Brasil é, pelo menos pra mim, muito mais rico”, concluiu.
Ouça os maiores sucessos de Fernanda Abreu
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