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Cat Dealers exaltam recepção no exterior: ‘O Brasil está muito em alta’

Em entrevista à Billboard Brasil, dupla de DJs discute nova fase

Cat Dealers no Hot Beats Music Conference (@bruno_contrino)

Cat Dealers no Hot Beats Music Conference (@bruno_contrino)

Formado pelos irmãos Lugui e Pedrão, o Cat Dealers consolida seu nome como um dos grandes representantes da música eletrônica brasileira no cenário internacional. Cria legítima da cena carioca, a dupla alcançou projeção global ao longo de uma década de estrada, acumulando apresentações em grandes festivais ao redor do mundo e um catálogo que transita por diferentes vertentes do house.

De volta à sua cidade natal para participar do Hot Beats Music Conference, evento que reuniu entusiastas e profissionais da cena eletrônica, Cat Dealers conversaram com a Billboard Brasil sobre o atual momento da carreira, a transição de meros espectadores a mentores da nova geração e a forte presença da identidade musical brasileira no mercado estrangeiro.

A participação no painel da conferência trouxe um sentimento de nostalgia e realização para os irmãos, que recordaram as dificuldades do início da carreira, quando frequentavam eventos do gênero apenas como público na esperança de fazer contatos.

Pedrão relata que, na época, Cat Dealers não tinha acesso aos profissionais do mercado: “Cara, a gente fica realmente muito feliz, porque quando a gente começou, a gente não tinha acesso, não conhecia ninguém, não tinha acesso a muita coisa e isso daqui para a gente era tudo. A gente literalmente sabia as coisas online ali no YouTube na época.”

Graças à conferências como a Hot Beats, o público da cena eletrônica passou a ter um local como ponto de encontro para fazer networking. Na falta de transporte estruturado, a locomoção até o hotel onde ocorriam os encontros era feita de forma simples, mas cheia de força de vontade.

Lugui recorda com precisão o esforço daquela época: “A gente ia de bike para a conferência e era o acesso que a gente tinha e aquilo inspirava muito. Conversar com outros artistas que eram nossos ídolos, nossas referências, para poder entregar nosso CD. Na época era CD, né? Hoje em dia nem pen drive é mais. Pen drive está velho, mas enfim, entregar o CD para a galera, ter feedback em tempo real ali de verdade, se sentir parte da cena, né? Porque você se sente meio excluído quando está começando, está no teu quarto. Então aqui você se sente parte, é bem inspirador.”

Hoje, a dinâmica mudou e os papéis se inverteram. Ocupando a posição de palestrantes, Cat Dealers enxergam com naturalidade a missão de compartilhar o aprendizado acumulado em dez anos de trajetória para desmistificar o mercado de produção musical.

Pedrão reflete sobre o valor dessa troca: “Eu acho que foram muitos anos de carreira e deu para aprender muita coisa que a gente viu, que a gente acha que fez bem, que a gente acha que a gente poderia ter feito melhor. Então, eu acho que é mais fácil você começar a fazer alguma coisa se você tem referência já, se você já tem dicas de quem já fez. E acho que a nossa missão aqui é essa, da mesma forma que a gente teve algumas dicas quando começou de outros DJs que estavam nessa posição, agora é a nossa vez de devolver isso.”

Ele complementa destacando a proximidade dos Cat Dealers com o público iniciante: “Então, a gente realmente fica muito feliz, cara. Eu e o Pedrão, particularmente, a gente gosta muito de compartilhar, de trocar ideia. Normalmente, quando as pessoas vêm atrás perguntar, independentemente se está na conferência ou não, a gente para, responde. Então, gostamos de compartilhar experiências assim no geral. É muito maneiro ver a galera que está começando ali com brilho nos olhos, ouvindo o que você tem para falar. Então, isso para mim é o que vale tudo já.”

Essa troca com a nova geração coincide com um momento de renovação estética da própria dupla, que recentemente carimbou seu espaço com lançamentos em gravadoras internacionais de prestígio, incluindo parcerias e a chancela de ícones como Axwell.

Sobre essa nova identidade sonora, Pedrão pondera que a tecnologia transforma os arranjos, mas preserva a essência das produções: “Eu acho que fase nova foi o que você falou: o som muda muito, a música, a tecnologia, os timbres, vai tudo mudando muito. Então, naturalmente a música ela vai mudando de cada artista individualmente, né, não só da cena, mas a gente como artista. Só que eu acho que a identidade fica, porque é a mesma pessoa que está produzindo, e cada um tem a sua maneira de produzir, tem seus vícios e isso acaba sendo reproduzido mesmo com tecnologia diferente, num outro momento.”

De acordo com o produtor, o caminho exige um processo contínuo de autodescoberta: “E muito o gosto pessoal também, né, porque todo mundo faz o que gosta. Então acho que é bom, na verdade, essa mudança da cena, um negócio vai puxando a música, está sempre indo para a frente, está sempre evoluindo. Eu e o Luccas a gente já teve nossos momentos mais confusos, mais encontrados, porque como você falou, toda hora muda, então toda hora você tem que se adaptar. Mas faz parte também, todo esse processo faz parte”.

“Eu acho que a identidade inclusive é esse processo: se perder, se encontrar, se perder, se encontrar. E foi muito legal falar sobre isso, que a gente já tá dez anos aí… Acho que vocês conseguem reconhecer o nosso som, mesmo a gente tendo passado por várias fases diferentes. E a gente fica muito feliz para ajudar as pessoas a desmistificar um pouco também, porque todo mundo acha que é um bicho de sete cabeças, na verdade é só a vida acontecendo.”

O amadurecimento musical dos Cat Dealers acompanha o bom momento que as produções brasileiras vivem no mercado externo. Prestes a embarcar para apresentações nos Estados Unidos, os irmãos testemunham o interesse crescente dos estrangeiros pelo país, impulsionado pela popularização de ritmos locais e vertentes como o afro house.

Pedrão aponta que a visibilidade do país é uma realidade incontestável: “Cara, o Brasil está em alta, não só musicalmente. O próprio Rio de Janeiro, assim… A gente estava aqui há uns dias atrás, só tem gringo na praia, só tem gringo andando. Acho que recentemente até com a sonoridade, né… Essa parada do funk deu uma popularizada legal. Muitos gringos estão realmente mandando, tem muito produtor que a gente está falando que vem falar de funk, vem mandar ideia já com essa pegada.”

Ele relembra que esse movimento de exportação já dava sinais claros em temporadas passadas: “Mas acho que até um pouco antes dessa onda que já existia, eu diria que na época em que o afro house deu uma bombada, o Brasil também teve uma representatividade muito boa com Maz, com Antdot, vários outros artistas. Isso traz um pouco de atenção também para a casa, pô. O país é conhecido por ser muito animado, por ser a galera muito feliz, sacou? Uma energia boa. Então, isso consequentemente ajuda a galera olhar para cá com bons olhos”.

“E toda vez que a gente fala que a gente é do Brasil, todo mundo sorri. Acho que as pessoas só olham com bons olhos para o Brasil, realmente. A gente é um lugar que todo mundo quer vir, só que as pessoas sentem a vibe boa do brasileiro. E é isso.”

Com uma presença cada vez mais constante nos palcos globais, Cat Dealers reforçam, em tom de brincadeira, que o público do país se faz notar com muita facilidade em qualquer festival do planeta.

Ouça os maiores sucessos de Cat Dealers