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‘É um sonho’: Ekanta celebra expansão do trance e união na cena

À Billboard Brasil na Hot Beats Music Conference, DJ analisa nova era das raves

Ekanta no Hot Beats Music Conference (@bruno_contrino)

Ekanta no Hot Beats Music Conference (@bruno_contrino)

Com mais de três décadas de carreira na música eletrônica, a DJ e produtora Ekanta resume sua trajetória com a frase “30 years opening portals through music” (em português: 30 anos abrindo portais através da música), presente em sua descrição oficial de perfil. Ekanta é apontada como uma das desenvolvedoras do movimento trance no Brasil, além de ter participado da criação do festival Universo Paralello e de gerenciar frentes na cena como a gravadora Vagalume Records.

Com apresentações recentes no mercado internacional, incluindo passagens pela Europa e Ásia, Ekanta segue ativa no circuito de festivais. Durante o Hot Beats Music Conference, evento que reuniu entusiastas e profissionais da cena eletrônica, em entrevista para a Billboard Brasil, a DJ analisou o atual momento do psytrance, que vem registrando maior circulação e misturas com vertentes como o techno e o house.

Na conversa, Ekanta detalhou as mudanças no comportamento do público e a manutenção da cultura de festivais no país.

Billboard Brasil: Como você enxerga esse momento de maior presença e visibilidade do trance no cenário nacional e internacional?

Ekanta: Este momento está excelente para nós. A música está sendo muito mais ouvida e vários DJs de outras vertentes estão tocando psytrance, tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Estamos reabrindo um espaço que estava meio perdido há alguns anos. É o retorno desse grande movimento, o que é muito positivo.

E como você avalia essa tendência de artistas misturando o psytrance com outros gêneros, como o techno, que tem aparecido muito nos sets atuais?

Eu adoro e acho maravilhoso. Sempre que um artista de techno, house ou de qualquer outra vertente toca psytrance, a pista responde muito bem. Acho incrível observar o que acontece e ver a transcendência que o psytrance consegue proporcionar nesse ambiente. Hoje, o público parece escutar de tudo, sem ficar preso a apenas um estilo. Quem consome techno também ouve psytrance, house e transita por todas as vertentes.

Você faz parte do início de tudo isso e ajudou a pavimentar essa estrada. Qual é a importância de estar nessa caminhada desde o começo e continuar batalhando por esse espaço?

Na verdade, nossa luta não é necessariamente para ser o protagonista da cena, mas para que o som permaneça vivo. E, além da música em si, lutamos pela preservação da cultura que envolve o psytrance. Isso engloba a experiência dos festivais, o acampar, o espírito de comunidade, a meditação e a transcendência. Nosso propósito vai muito além do simples ato de tocar.

O Alok tem desenvolvido o projeto “Rave The World”, que resgata essa essência de respeito e liberdade das raves para apresentar ao mundo. Como é fazer parte disso e quais são os planos, sabendo que há o Rock in Rio pela frente?

É a realização de um sonho. Ver que a semente que plantamos há 30 anos se transformou em uma floresta hoje em dia é inexplicável. Viver isso ao lado da minha família e ver esse legado ser transmitido para a nova geração é gratificante, até porque muitos jovens não conheciam a real essência das raves. Ver esse resgate acontecer é fantástico. É um projeto de forte impacto que une a minha família, o que me deixa extremamente feliz.

Ouça os maiores sucessos de Ekanta