Hot Beats Music Conference leva DNA educacional sobre música eletrônica ao RJ
Profissionais da música eletrônica se encontram para discutir o setor

Hot Beats Music Conference 2025
Uma quinta-feira chuvosa, num frio de 18°C, parece o sinal perfeito para ficar embaixo das cobertas, tomar um chocolate quente e assistir a um bom filme. Mas esse não foi o roteiro de centenas de pessoas que decidiram se reunir na Hot Beats Music Conference (HBMC), o principal ponto de encontro para profissionais do mercado da música eletrônica.
Marcado entre 21 e 24 de maio, o evento oferece uma imersão completa com mais de 40 painéis e 20 workshops, ministrados por cerca de cem convidados no Hotel Nacional, na zona sul do Rio de Janeiro. É a oportunidade perfeita para quem busca se atualizar, fechar negócios ou simplesmente se inspirar com os grandes nomes da indústria.
Álvaro Olivares, 44, foi ao encontro acompanhado pelos filhos Rodrigo e Maurício. Os gêmeos de apenas 14 anos herdaram o interesse do pai pelas batidas e já começaram a produzir faixas autorais diretamente do computador. “Eu fiz curso de DJ e de produção musical, passei algumas coisas para eles, que também vão pesquisando e aprendendo sozinhos pela internet”, conta o administrador de empresas.
Vindo da Venezuela para o Brasil, Álvaro começou a frequentar a cena eletrônica assim que chegou ao país, há 14 anos. “Tenho muita influência latina, claro, e agrego isso no meu som, mas lá em casa costumamos misturar as sonoridades, porque todos gostam de vertentes diferentes”, explica. Enquanto Rodrigo foca no hip hop, Maurício prefere o new metal. “Geralmente, pegamos uma ideia e a produzimos em três estilos diferentes”, revelam os adolescentes, que confirmaram o desejo de seguir carreira na indústria fonográfica.

Para quem já está na estrada, o evento funciona como um termômetro de evolução. Sô Lyma, de 36 anos, DJ e produtora, foi selecionada para se apresentar na edição anterior da HBMC e lembra com carinho da estreia no gênero, já que antes tocava ritmos variados no formato open format. Ela voltou em 2026 para entender a perspectiva de quem tem mais tempo de estrada, pois, apesar dos dez anos de carreira na noite, mergulhou de cabeça nas vertentes eletrônicas há apenas um ano.
“Foi totalmente satisfatório o meu avanço, eu até conversei com meus amigos sobre isso. Hoje estou muito grata por ter vindo novamente e encontrado novos aspectos sobre a discotecagem e a criação. Como não estou comandando as picapes hoje, consegui absorver muito conhecimento e ter mais direcionamento para minha trajetória. É sempre bom entender aquilo que falta e buscar evoluir”, detalha a artista.

A paixão pelas pistas também une profissionais que mantêm a música como uma segunda atividade. Julio C, de 36 anos, começou a tocar e produzir durante a pandemia como um hobby, conciliando os equipamentos com seu trabalho fixo. Ao circular pelos corredores do Hotel Nacional, ele se impressionou com o intercâmbio cultural do público. “Eu aprendi a tocar vendo o Jayboo, por exemplo, assistindo aos vídeos dele no YouTube. Estar aqui do lado dele hoje é uma experiência incrível”.
Já Doguez, de 27 anos, atua há 12 anos na cena como DJ e produtor. Sempre atento aos novos equipamentos e ferramentas tecnológicas, ele participa do encontro pela segunda vez focando no networking. “Aqui conhecemos pessoas fundamentais e podemos, no futuro, fechar parcerias com outros artistas, produtores de eventos e gravadoras. É essencial fazer parte deste movimento.”

Para Rafael Nazareth, um dos organizadores da conferência, o volume de interessados em discutir o mercado cresce a cada ano. Ele ressalta a importância de profissionalizar o setor e transformar o Rio de Janeiro em um polo internacional do gênero.
“O nosso DNA partiu da escola [Aimec Rio de Janeiro], continua sendo educacional, mas agora expandiu. Nossa essência é justamente essa: conectar pessoas, unir, fortalecer, educar e transmitir cultura. Com o crescimento do projeto, focamos também no turismo para atrair o público de fora para o Brasil e para a cidade, impulsionando a economia local através da música. Estamos no começo e nossos números avançam rápido, mas a meta é gerar o mesmo impacto de grandes convenções mundiais. Contamos com o apoio e o patrocínio da Prefeitura, que já entendeu o nosso potencial de fomento para o setor”, conclui.
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