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Estudo mostra ascensão da música eletrônica no Brasil

Levantamento mapeia crescimento do setor e desafios estruturais para expansão

Festa de música eletrônica (créditos reprodução Unsplash)

Festa de música eletrônica (Unsplash)

O Brasil figura como o 9º maior mercado fonográfico do mundo, segundo a associação Pro-Música, com um setor de música eletrônica consolidado, diverso e em crescimento. O país combina grande público, festivais internacionais, artistas com alcance global e cenas locais inovadoras. Com o objetivo de mapear esse ecossistema em 2025, analisando oportunidades, desafios e os principais atores do setor, a União Brasileira de Compositores, em parceria com a Brazil Music Conference, lança o relatório ‘Mapa da Música Eletrônica no Brasil’, que será apresentado pela primeira vez no Hot Beats Music Conference.

A partir de dados de mercado e entrevistas com profissionais da indústria, o estudo revela que o mercado de música eletrônica no Brasil vive uma fase de consolidação e transformação, marcada pelo fortalecimento de artistas nacionais, expansão internacional e mudanças no comportamento do público.

Nos últimos anos, o país deixou de ser apenas consumidor de tendências internacionais para se tornar também exportador de artistas e sonoridades, com nomes brasileiros ocupando posições de destaque em festivais e plataformas de streaming ao redor do mundo.

Esse movimento, descrito no estudo como “Brazilian Storm”, reflete a ascensão de DJs e produtores nacionais, que passaram a atrair grandes públicos e a competir em visibilidade com artistas estrangeiros. Hoje, o line-up de grandes eventos no país já não depende exclusivamente de atrações internacionais para garantir público. E festivais internacionais como Coachella, Primavera Sound e Sonar passaram a contar com DJs brasileiros como principais atrações, a exemplo de Vintage Culture, ANNA, Alok, Mochakk, Clementaum e Cashu.

Outro destaque é o perfil do público brasileiro, caracterizado como jovem, conectado e altamente engajado. Fãs de música eletrônica no país consomem, em média, mais de 16 horas semanais do gênero e demonstram forte presença nas redes sociais, que se consolidaram como principal canal de descoberta musical — especialmente entre a Geração Z.

Mochakk (Foto: @iosolini)
Mochakk (Foto: @iosolini)

A digitalização, aliás, é um dos principais vetores de transformação da cena. A experiência musical, antes centrada na pista de dança, passa a incorporar elementos visuais e digitais, com eventos cada vez mais pensados para gerar impacto nas redes sociais e engajamento online.

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles, o alto custo de produção de eventos, a dificuldade de captação de patrocínios fora de segmentos tradicionais, a falta de dados estruturados sobre o mercado e entraves relacionados à arrecadação de direitos autorais. Além disso, há uma concentração crescente em grandes festivais, o que dificulta a sustentabilidade de iniciativas menores e mais experimentais.

Por outro lado, o estudo aponta oportunidades relevantes, como a expansão para novas regiões do país, o fortalecimento de colaborações entre artistas brasileiros e internacionais e a integração com outros gêneros musicais, como funk, pop e sertanejo — característica que reforça o potencial criativo e híbrido da música eletrônica no Brasil.

Entre as recomendações, o relatório destaca a necessidade de maior organização do ecossistema, investimento em dados e pesquisas, além de estratégias mais conectadas à cultura local por parte de players internacionais.

Com um público fiel, artistas em ascensão global e forte presença digital, a música eletrônica brasileira se consolida como um dos segmentos mais dinâmicos da indústria cultural no país — e um vetor estratégico de inovação, exportação e impacto econômico.

“A música eletrônica é um segmento de grande relevância também econômica e cultural, movimentando globalmente mais de 15 bilhões em toda sua cadeia de eventos. Por isso um estudo e consequente diagnóstico do seu status no Brasil tem muito impacto no nosso setor. Temos enormes desafios de uma correta arrecadação e mais ainda distribuição e este diálogo aberto e franco com o mercado é o caminho mais curto para aproximar distâncias e buscar novas instâncias de colaboração conjunta. O estudo comissionado pela UBC tem este papel, como sociedade de gestão coletiva líder e como maior representante deste repertório internacional e nacional , afirma Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC.

Encomendado pela UBC, o estudo Mapa da Música Eletrônica no Brasil foi desenvolvido por Camilo Rocha, Claudio da Rocha Miranda Filho e Mauricio Soares, profissionais com atuação reconhecida e de longa data no mercado local, em diferentes frentes.

DJ Vintage Culture
DJ Vintage Culture
(Fabrizio Pepe/BillboardBR)

O Mapa da Música Eletrônica traz contexto e perspectiva, por meio de informações qualitativas de um mercado que tem alcance nacional, atravessa gerações, inspira tendências, atrai marcas e exporta talentos.

“Uma das coisas que chama a atenção, reflexo dessa penetração em diferentes recortes de público, é a riqueza e criatividade da produção artística, que inclui híbridos entre techno, house e funk, interfaces com a MPB e o pop, assim como de trabalhos mais experimentais e alternativos. Em termos gerais, é um cenário diverso e mais do que consolidado, se pensarmos que a música eletrônica movimenta os brasileiros desde a década de 1990, comenta Camilo Rocha.

Para Maurício Soares, O Mapa da Música Eletrônica Brasil 2025 chega em momento oportuno para um segmento que movimenta multidões, mas ainda carece de dados estruturados e reconhecimento institucional.

“O estudo confirma o que o mercado já sente: o Brasil deixou de ser importador de tendências para se tornar um exportador global de talentos e sonoridades. Entre os achados mais relevantes, destaca-se o engajamento excepcional do público e o que isso representa para setores como turismo, comércio e serviços.”

Mais de 60% dos frequentadores viajam entre estados para assistir a festivais, retrato de uma audiência fiel e disposta a investir em experiências. O relatório também evidencia oportunidades ainda subutilizadas, como os crossovers entre a eletrônica e os demais gêneros da música brasileira, e aponta desafios reais para o segmento. Um ponto de partida concreto para decisões de negócio à altura do que a cena já representa.