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Anderson Foca e Fabrício Nobre transformam inquietações em garage punk visceral

Dupla transforma amizade de décadas em EP direto e sem filtros

Fabrício Nobre e Anderson Foca

Fabrício Nobre e Anderson Foca (Divulgação)

Depois de anos atuando nos bastidores da música independente brasileira, Anderson Foca e Fabrício Nobre se encontram pela primeira vez em estúdio no projeto “Varado”, que chega às plataformas digitais pelo selo Dosol. O EP de estreia, homônimo, nasce desse encontro direto e sem mediação – mais próximo de um impulso do que de um planejamento.

“Esse EP coroa minha amizade com Fabrício Nobre. Já fizemos muitas ações culturais juntos e, mesmo tendo bandas ativas, nunca nos reunimos num projeto musical. Essa banda nos dá esse presente”, afirma Foca.

Com cinco faixas, o disco foi gravado em menos de dez horas no Estúdio Costella, em São Paulo, praticamente ao vivo e sem polimento. A produção é de Anderson Foca, com coprodução de Carlos Fermentão e colaboração de Gabriel Zander e Alexandre Capilé.

“A gente optou por fazer o simples, o mais próximo do ao vivo possível. Compus todas as músicas pensando na voz do Fabrício e as letras refletem nossas inquietudes”, explica.

Essa abordagem atravessa toda a sonoridade do EP, que se apoia no rock e garage punk como linguagem direta – mais gesto do que referência. Ao longo das cinco faixas, o projeto percorre diferentes atmosferas: “Fenda Vil do Tempo” reflete sobre a relação com o tempo e os papéis sociais, enquanto “Sente-se” tensiona o presente e o papel do homem em meio às transformações contemporâneas.

Em “Água Parada”, o foco recai sobre o envelhecimento e a necessidade de movimento, enquanto “Pensamento Linear” parte para um ataque direto ao pensamento rígido e reacionário. Encerrando o EP, “De Volta ao Começo” mergulha em ciclos de excessos e consumo, entre o químico e o digital. O resultado é um trabalho que os próprios artistas definem como “urgente e desvairado”.

A capa, assinada por Caio Vitoriano com ilustração de Anderson Foca, remete a processos manuais como a mimeografia, em contraste com o excesso de tecnologia atual. No audiovisual, o projeto segue a mesma lógica: vídeos com estética “garage”, sujos e diretos, produzidos pelo próprio Foca.

Além da abordagem estética, “Varado” também carrega uma dimensão geracional clara. “Nunca é tarde para fazer o que você está a fim com música. Ter uma banda nova depois dos 50 anos é uma delícia”, destaca.