Um ano sem Preta Gil: relembre a carreira e o legado
Recorde a carreira, os documentários e as homenagens à cantora

Preta Gil (Instagram)
Um ano depois da morte de Preta Gil, a saudade deixou de ser apenas uma experiência da família, dos amigos e do público. Ela se transformou em filme, série, música, prêmio e memória pública. Nesta segunda-feira, 20 de julho, data em que a morte da cantora completa um ano, a Globo lança duas produções que tentam organizar uma trajetória marcada pela música, pelo Carnaval, pela exposição do próprio corpo e por uma rede de relações que Preta tratava como parte de sua obra.
“Preta – Eu Não Ando Só”, exibido pela TV Globo depois da novela “Quem Ama Cuida”, acompanha os últimos anos da artista a partir de imagens gravadas por ela, familiares e amigos durante o tratamento contra o câncer. O documentário nasceu de um pedido da própria cantora, que queria registrar o processo sem depender apenas de entrevistas formais ou de uma reconstrução posterior.
No Globoplay, “Meu Nome é Preta” segue por outro caminho. A série de quatro episódios revisita sua infância, os primeiros trabalhos, a carreira musical e os embates que enfrentou por causa do corpo, da sexualidade e das escolhas pessoais. O primeiro capítulo ficará aberto também para não assinantes. Os episódios seguintes serão lançados semanalmente, com o encerramento marcado para 8 de agosto, data em que Preta completaria 52 anos.
As duas produções ajudam a evitar que sua história seja resumida à doença. Preta recebeu o diagnóstico de câncer no intestino em janeiro de 2023 e morreu aos 50 anos, nos Estados Unidos, onde realizava uma nova etapa do tratamento. Até os últimos meses, continuou transformando a experiência pessoal em conversa pública sobre vulnerabilidade, medo, diagnóstico e finitude.
Uma assinatura que não cabia em um gênero

Filha de Gilberto Gil e afilhada de Gal Costa, Preta começou a cantar profissionalmente já cercada por comparações. O sobrenome abria portas, mas também estabelecia uma medida difícil de enfrentar. Em vez de tentar reproduzir a música do pai ou buscar a aprovação dos setores mais tradicionais da MPB, ela construiu um repertório que juntava pop, axé, samba, pagode e música de Carnaval.
O primeiro álbum, “Prêt-à-Porter”, foi lançado em 2003 e trouxe Preta nua na capa, usando apenas uma fita do Senhor do Bonfim. A imagem antecipou discussões sobre gordofobia, liberdade corporal e representação de mulheres que não correspondiam ao padrão físico imposto pela indústria. A provocação não estava separada da música: era parte da maneira como Preta decidiu ocupar o espaço público.
Faixas como “Sinais de Fogo”, “Stereo”, “Meu Corpo Quer Você”, “Só o Amor” e “Vá se Benzer” formaram um repertório reconhecível. Preta também criou formatos próprios, como o Baile da Preta e o Bloco da Preta, nos quais seus sucessos conviviam com músicas de Gil, Daniela Mercury, Luiz Gonzaga, Tim Maia e outros nomes. A mistura não era falta de definição. Era sua definição.
Thiaguinho resume essa identidade em “Meu Nome é Preta”. “A Preta era um gênero musical. ‘Sinais de Fogo’ é uma música com a assinatura da Preta Gil”, afirma o cantor. Para ele, a amiga conseguiu desenvolver personalidade vocal e presença de palco mesmo tendo crescido sob a influência de um dos compositores mais reconhecidos do país.
A declaração corrige uma leitura recorrente sobre sua carreira. Preta nem sempre foi tratada pela crítica com a mesma atenção dispensada à sua capacidade de comunicação ou à vida pessoal. Sua principal contribuição musical, porém, esteve justamente na criação de um espaço em que o repertório, a festa, a conversa com a plateia e a diversidade das pessoas no palco tinham o mesmo peso.
Preta Gil: afeto como marca

Antes de estrear como cantora, Preta trabalhou com publicidade e produção audiovisual. Foi sócia da cineasta Monique Gardenberg na Dueto Filmes e participou da realização de trabalhos de artistas como Ivete Sangalo, Caetano Veloso, Marina Lima, Barão Vermelho e Martinho da Vila. Posteriormente, também atuou como empresária, apresentadora, produtora e incentivadora de projetos ligados à diversidade.
Essa rede ficou evidente durante o tratamento. Familiares e amigos se dividiram entre hospitais, viagens e períodos de recuperação. Parte desse material aparece em “Preta – Eu Não Ando Só”, cujo título resume uma ideia que atravessou toda a vida da cantora: ninguém deveria enfrentar sozinho o palco, a doença ou as disputas por espaço.
Gilberto Gil fala da ausência da filha em uma das cenas divulgadas antes da estreia do filme. “Quando ela morreu, quando ela teve que ir embora, o mundo disse: ‘Puxa vida’. Minha menina foi embora… Tenho muita saudade dela”, diz o cantor.
Pai e filha estiveram juntos no palco pela última vez em abril de 2025, durante a passagem da turnê “Tempo Rei” por São Paulo. Preta cantou “Drão” ao lado de Gil cerca de três meses antes de morrer. A apresentação passou a ocupar um lugar central nas homenagens feitas pela família desde então.
Preta Gil na capa da Billboard Brasil

Em dezembro de 2025, Preta Gil foi capa da Billboard Brasil. A edição acompanhou a homenagem feita pelo WME Awards by Billboard, premiação que teve a cantora como embaixadora e apresentadora desde a primeira edição.
A reportagem de capa recuperou as diferentes frentes de sua trajetória: cantora, atriz, comunicadora, empresária, publicitária e articuladora de projetos. Mais do que transformar Preta em uma imagem póstuma, a homenagem procurou dimensionar como ela utilizou a própria projeção para discutir corpo, sexualidade, racismo e presença feminina na indústria musical.
Veja também: Compre a capa da Billboard Brasil em homenagem a Preta Gil
A relação com o WME também mostrava seu interesse por estruturas coletivas. Preta não se limitava a defender a presença de mulheres nos discursos. Apresentava premiações, criava conexões profissionais e emprestava visibilidade a artistas que ainda buscavam espaço.
Legado virou circuito, troféu e música

Nos dias seguintes à morte de Preta, o trajeto dos megablocos do Rio de Janeiro recebeu oficialmente o nome de Circuito de Blocos de Carnaval de Rua Preta Gil. O decreto municipal reconheceu sua participação na retomada do Carnaval de rua no Centro da cidade, onde o Bloco da Preta chegou a reunir multidões.
Em novembro, o Prêmio Potências anunciou que o troféu entregue aos vencedores passaria a se chamar Troféu Preta Gil. A cantora havia apoiado a criação da premiação, voltada ao reconhecimento de profissionais negros em diferentes setores.
A memória também chegou aos discos. Em março de 2026, os Gilsons — trio formado por José Gil, João Gil e Francisco Gil, filho de Preta — lançaram o álbum “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”. A faixa “Minha Flor”, gravada com Caetano, Moreno e Tom Veloso, foi dedicada à cantora.
TRENDING
- Onde e como ver os shows da final da Copa do Mundo 2026 19/07/2026
- Henrique Fogaça lista os 5 discos de rock que mudaram sua vida 13/07/2026
- BTS: veja a performance do grupo no show do intervalo na Copa do Mundo 2026 19/07/2026
- Com direito a R9 e R10, veja imagens dos shows da final da Copa do Mundo 2026 19/07/2026
- BTS: clipe de ‘NORMAL’ bate recorde em 24h no Spotify 18/07/2026