Jorge Drexler fala sobre sua conexão com a música brasileira no ‘Cabos e Cases’
Interesse do cantor pela cultura brasileira vem de longa data, passado pela mãe

Jorge Drexler (Billboard Brasil)
Em entrevista ao podcast “Cabos e Cases”, da Billboard Brasil, o cantor uruguaio Jorge Drexler falou sobre sua longa relação com a música brasileira, o crescimento da música latina no Brasil, o Oscar recebido por “Diários de Motocicleta” e o vínculo cultural entre Uruguai e Brasil.
Drexler contou que seu interesse pela cultura brasileira vem de longa data, passado adiante por sua mãe. “Eu sou uma amante da música brasileira, principalmente, faz muito tempo. Tenho uma relação que é longa. Já vem da minha família. A minha mãe tinha essa fascinação pela cultura brasileira e ela me transpassou essa curiosidade e esse amor”, disse.
O cantor relembrou que começou a trabalhar no Brasil em 2003, convidado por Paulinho Moska para gravar em seu disco, período em que se sentiu acolhido pelos músicos brasileiros, apesar de ser um dos poucos artistas trabalhando em espanhol no país na época.
Sobre o aumento recente do interesse por música em espanhol no Brasil, Jorge Drexler observou uma mudança significativa em relação ao passado.
“Antes eu pensava que a única maneira da música em espanhol entrar no Brasil era através dos Estados Unidos… mas eu acho que Catriel, Paco Amoroso e Milo J têm uma entrada direta”, afirmou, citando também o sucesso de Shakira no país como parte desse movimento.
+ Veja mais: 50 melhores álbuns brasileiros de 2026 (até junho), segundo a Billboard Brasil

A fronteira ‘transitável’ entre Uruguai e Brasil
Jorge Drexler destacou a relação geográfica única entre os dois países: “Uruguai tem sete cidades binacionais, onde você pode botar um pé no Uruguai e outro no Brasil no meio da rua, sem uma fronteira que não seja a selva.” Segundo ele, esse contato constante ajuda a explicar por que aprendeu português cantando, sem nunca ter feito aulas formais do idioma.
“Eu sempre falo que o meu professor foi João Gilberto… aprendi cantando, de tanto ler as letras.”
O cantor também relembrou o primeiro grande prêmio de sua carreira: o Oscar de melhor canção original por “Al Otro Lado del Río”, tema do filme “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles.
“Eu nunca pensei que fosse acontecer isso com a música, mas aconteceu. Foi indicado ao Oscar e ganhou contra toda expectativa. Eu recebi o Oscar das mãos de Prince”, contou. Na noite anterior à entrevista, Jorge Drexler se apresentou no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e dedicou a mesma música a Walter Salles, 21 anos depois da parceria.
Sobre suas idas a rodas de samba durante as visitas ao Brasil, o cantor descreveu a experiência como algo espiritual: “Eu acho a roda de samba um dínamo espiritual, na verdade.”
Jorge Drexler também refletiu sobre as raízes comuns da música latino-americana, resultado da miscigenação entre culturas europeia, africana e indígena, e revelou interesse crescente em pesquisar essa diáspora — tema que o levou a trazer um grupo de tambores de candombe uruguaios para se apresentar ao lado dele no show no Brasil.
Veja a entrevista de Jorge Drexler no ‘Cabos e Cases’
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