Gerson Dias fala sobre a trajetória do festival Psica no ‘Cabos e Cases’
Festival foi criado em Belém em 2012

Gerson Dias no 'Cabos e Cases' (Billboard Brasil)
Em entrevista ao “Cabos e Cases”, podcast da Billboard Brasil, Gerson Dias contou a trajetória do festival Psica, criado em Belém em 2012, que saiu de uma primeira edição para 300 pessoas até reunir 120 mil na última edição — e chegou recentemente a levar artistas amazônicos para se apresentar na China.
Segundo Gerson, o festival nasceu da falta de espaços que acolhessem jovens da periferia de Belém. “A gente gostava de dar rolê pela cidade, só que os espaços não eram feitos para acolher pessoas como a gente. Então a gente pensou: precisamos criar o nosso espaço onde a gente vai ser bem recebido”, contou.
Desde então, o Psica passou por quatro grandes transformações de formato, incluindo um período de crise após a edição de 2022, que deixou o festival com uma dívida considerável. “Quando a gente tá no fundo do poço, parece que tem uma mola que catapulta a gente e muda. O Psica sempre se reinventa”, disse ele no “Cabos e Cases”.
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Para Gerson, o crescimento do festival está diretamente ligado ao sentimento de pertencimento que ele oferece ao público paraense, com programação gratuita e a aparelhagem — tradição musical amazônica dos anos 1940 — como protagonista. “A gente quer que o nosso público, os nossos artistas, tenham essa autoestima de chegar e falar: eu sou muito bom, eu mereço estar em vários palcos”, afirmou.
No “Cabos e Cases”, o organizador também destacou o papel do Psica na valorização das aparelhagens, tradição que passou a integrar line-ups de eventos como Virada Cultural e Carnaval nos últimos anos. Em 2021, o festival foi pioneiro ao colocar o Crocodilo — uma das aparelhagens mais conhecidas — em seu line-up. “Antes, esse movimento era relegado à periferia… a gente traz para quebrar esse paradigma.”
Gerson revelou, com exclusividade, um novo projeto do Psica: um festival itinerante no Marajó, terra da família do organizador, batizado como uma espécie de “verão amazônico”. A ideia partiu de uma provocação da Petrobras, patrocinadora do evento desde 2023. “A gente pensou: vamos nacionalizar o verão amazônico, criar uma nova rota turística”, explicou ele no “Cabos e Cases”. O evento acontecerá em uma vila de 2 mil habitantes, com expectativa de receber um público até três vezes maior que a população local.
Além do novo projeto, o Psica também organiza eventos como o Círio de Nazaré e a feira de música Motins e Aposta Psica, que conecta a cena amazônica com programadores da Colômbia, Peru, Venezuela e Caribe.
Veja a entrevista no ‘Cabos e Cases’
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