‘Guerreiras do K-pop’ no Women in Music 2026: leia o discurso completo
Cantoras receberam o principal prêmio: Mulher do Ano

Audrey Nuna, EJAE e Rei Ami – as vozes das integrantes do HUNTR/X de 'Guerreiras do K-pop' (Grosby Group)
Ejae, Rei Ami e Audrey Nuna, de “Guerreiras do K-pop”, foram homenageadas como Mulheres do Ano pela Billboard, recebendo a principal honraria no evento Billboard Women in Music 2026, na noite desta quarta-feira (29), com um discurso poderoso e carregado de emoção.
As cantoras e compositoras são, claro, as vozes do grupo fictício de K-pop HUNTR/X, protagonistas do filme musical animado da Netflix “Guerreiras do K-pop”, de 2025.
Desde que a produção chegou às telas e dispositivos, o trio vem quebrando barreiras, batendo recordes e acumulando prêmios.
Ao longo do caminho, o HUNTR/X fez história quando “Golden” venceu o Oscar de Melhor Canção Original, marcando a primeira vez que uma música de K-pop ganhou um Oscar. A faixa também venceu o Grammy de Melhor Performance Pop de Duo/Grupo, outra conquista inédita para o gênero.
Na noite desta quarta-feira (29), as artistas fizeram história novamente no evento, realizado no Hollywood Palladium, nos Estados Unidos.
A trajetória até o topo não foi fácil. Foi marcada por autoconfiança, recomeços, reajustes e muito trabalho.
“Trabalhar com música não é fácil”, afirmou EJAE. “E, como mulher asiática, a falta de representatividade sempre foi evidente para mim. Crescendo nos Estados Unidos, raramente via artistas que se parecessem comigo nos palcos ocidentais. Então tentei me tornar uma idol de K-pop. E quando isso não deu certo, achei que tinha acabado. Mas quando encontrei a composição, percebi que a música nunca me questionou. Porque a música não enxerga raça ou gênero. Ela só pede verdade.”
A artista britânica de R&B Ella Mai, vencedora do Grammy, entregou o prêmio — mas antes disso, EJAE, REI AMI e AUDREY NUNA apresentaram o hit “Golden”, que passou oito semanas no topo do Billboard Hot 100.
Leia abaixo o discurso completo:

EJAE:
“Uau. Meu Deus, gente. Obrigada, pessoal. Obrigada, Billboard, por essa honra incrível, e só de estar nesta sala com tantas mulheres incríveis trabalhando na indústria já é uma honra por si só. Trabalhar com música não é fácil. E, como mulher asiática, a falta de representatividade sempre foi evidente para mim.
Crescendo nos Estados Unidos, eu raramente via artistas que se parecessem comigo nos palcos ocidentais. Então tentei me tornar uma idol de K-pop. E quando isso não deu certo, achei que tinha acabado. Mas quando encontrei a composição, percebi que a música nunca me questionou. Porque a música não enxerga raça ou gênero. Ela só pede verdade. E quando levei toda a minha verdade para ela — minha voz, minha essência, minha condição de mulher — tudo começou a mudar. Percebi que, como mulheres, nosso poder nunca esteve em nos encaixar, mas na nossa resiliência em falar a nossa verdade.
Então quero dizer a toda mulher que possa se sentir invisível: sua voz merece ser honrada. Sua história não deve ser diminuída, mas amplificada. E sua identidade não é uma barreira, é o seu poder.
Porque quando criamos sem pedir desculpas, ocupamos espaço e elevamos umas às outras, não fazemos apenas música — mudamos o som dela.
Também quero reconhecer algumas das mulheres incríveis por trás de “Guerreiras do K-pop”: a diretora Maggie Kang, Spring Aspers, Michelle Wong, Sunny Park e tantas outras.
E, claro, essas mulheres lindas aqui ao meu lado, Audrey Nuna e Rei Ami. Amo muito vocês. Vocês fazem toda essa jornada valer a pena. E, claro, nossas mães, nossas heroínas.”
REI AMI:
“Obrigada por essa honra incrível. Quero agradecer a Deus, à minha mãe, a essas duas mulheres incríveis ao meu lado. Obrigada, Billboard. Obrigada à Republic Records, à minha equipe, família, amigos e fãs. Ser mulher em uma indústria dominada por homens é difícil, às vezes até injusto. Temos que trabalhar o dobro, com um sorriso no rosto, enquanto o mundo critica cada detalhe nosso. Primeiro somos magras demais, depois gordas demais. Vai de “ela não entrega nada” para “por que ela está exagerando tanto?”. Parece impossível simplesmente existir.
E Deus nos livre de sermos confiantes — somos julgadas por isso. Mas acho que é por isso que ficam tão obcecados, porque não há nada mais intimidador do que uma mulher confiante que sabe o que quer.
Nossa capacidade de perseverar e continuar é um verdadeiro superpoder. Então obrigada a todas as mulheres nesta sala por usarem seus superpoderes para inspirar, liderar e proteger. Não somos demais. Não somos barulhentas demais. Somos exatamente quem pensamos que somos.”
AUDREY NUNA:
“Estou muito emocionada hoje. Sempre fui conhecida como a menos emotiva do grupo, mas hoje estou sentindo tudo isso intensamente, então obrigada, Billboard, por isso. Obrigada às outras homenageadas do Women in Music. É uma honra estar nesta sala com mulheres que trazem liderança, luz, ousadia, excelência e mudança.
Desde que comecei a lançar música em 2019 até agora, nunca me identifiquei com os padrões impostos às mulheres coreano-americanas. E, sinceramente, nem sabia por onde começar a tentar me encaixar nesses padrões.
Receber esse prêmio e representar uma música em um filme que reforça a ideia de que o mundo precisa que as mulheres se apresentem como são — em sua forma mais completa, mais autêntica, até mais estranha — é algo indescritível.
Elas nunca me viram chorar na vida real, então isso não vai acontecer hoje.
Acho que todas nós crescemos ouvindo ideias sobre qual deveria ser o nosso papel como mulheres. E algo que essa indústria me mostrou na prática é que mulheres são líderes naturais — e excelentes nisso.
Quando mulheres se apoiam genuinamente, isso se torna uma das forças mais transformadoras e revolucionárias que existem.
Quero dedicar esse prêmio à minha equipe de mulheres visionárias. Paula Park também está sendo homenageada hoje — eu nunca conseguiria fazer isso sem você.
Obrigada Nina Lee, Ashley Chu, Sarah Tehrani, Carolyn Massey, Mary Hannon, Grace Lee. Minha equipe é praticamente toda formada por mulheres — e provavelmente é por isso que estou vencendo tanto.
Obrigada, EJAE. Obrigada, Rei. Vocês são minhas musas e algumas das almas mais puras que já conheci. Obrigada à minha mãe e à minha tia, que estão aqui hoje. Vocês me mostraram o que significa ser uma mulher empática e poderosa.
Obrigada às executivas que lutam constantemente por mais equidade — isso significa muito. E eu adorei o que Zara Larsson disse sobre ser a única mulher na sala. Vocês fazem isso por nós, nós vemos vocês e valorizamos isso. Nossa empatia é um ativo, nossa humanidade é um motor de mudança. Muito obrigada.”
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Confira “Guerreiras do K-pop” no Billboard Women in Music 2026
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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