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Coluna: o futuro da arte não está na tecnologia, está na presença

Leia a coluna de Elka Andrello

Música, arte e tecnologia

Música, arte e tecnologia (CDX/Unplash)

Antes de tudo, deixa eu me apresentar!

Faço parte da primeira geração de VJs do Brasil, artistas que manipulam imagens ao vivo, assim como os DJs fazem com a música. Foi uma época em que tudo estava sendo inventado. Não existiam fórmulas, nem tutoriais. Meus amigos mergulhavam nas novas tecnologias, descobriam softwares, criavam linguagens e expandiam os limites dessa arte que nascia.

E eu fiz um caminho diferente.

Enquanto todos olhavam para as telas, eu senti que precisava olhar para dentro.

Fui morar em monastérios budistas. Vivi sete anos entre o Brasil, a Índia e o Nepal. Antes de desenvolver ferramentas, quis desenvolver a mim mesma. Antes de aprender novas tecnologias, quis aprender a cultivar presença e consciência.

Hoje percebo que essa escolha nunca foi um desvio. Foi o alicerce de tudo o que crio.

A tecnologia sempre me fascinou. Mas ela nunca foi o centro do meu trabalho.

O que realmente me move é criar experiências que aproximem pessoas, despertem sensibilidade e nos façam lembrar daquilo que existe de mais lindo em nós.

Porque, no fim, a tecnologia é um meio!

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O que compartilhamos através dela é o que realmente importa.

Talvez por isso eu esteja tão impactada com o momento que São Paulo vive.

Segundo o ranking divulgado pela Time Out em 2026, nossa cidade ocupa a sétima posição entre as cidades mais culturais do mundo. Quem anda por São Paulo percebe isso imediatamente. Estamos vivendo uma explosão de experiências imersivas, instalações incríveis, realidade virtual, video mapping e novas formas de ocupar os espaços da cidade.

Mas o mais interessante não é a tecnologia. É o que ela está permitindo pulsar.

Uma das exposições que mais amo é “Sou o Outro do Outro”, de Es Devlin, na Casa Bradesco, no Cidade Matarazzo.

Es Devlin é uma das artistas que mais influenciam minha trajetória. Sua obra dissolve as fronteiras entre arquitetura, luz, escultura, movimento e narrativa. Ela criou cenários para Beyoncé, Adele, U2, Lady Gaga, The Weeknd e tantos outros artistas, mas seu trabalho vai muito além do entretenimento: ele nos convida a habitar ideias.

Também me encanta ver nascer o Nubank Arte Lab, que inaugura seu espaço permanente com uma experiência imersiva dedicada a Tarsila do Amaral. É sensacional perceber como uma das maiores artistas **mulheres** da nossa história ganha novas camadas através da tecnologia, permitindo que o público literalmente caminhe por dentro de sua obra.

E, enquanto isso, outra revolução acontece na música!

A direção criativa de Nídia Aranha para a nova fase de Anitta mostra que o audiovisual deixou de ser suporte para se tornar linguagem artística. Em “EQUILIBRIVM”, imagem, som, espiritualidade, ancestralidade e tecnologia dialogam como uma única obra, revelando a potência da criação feminina, ancestral e religiosa brasileira.

Anitta
Anitta lança ‘EQUILIBRIUM II’ (André Nicolau/Divulgação)

O que une Es Devlin, Tarsila do Amaral, Nídia Aranha e Anitta não é apenas o talento. É a coragem de construir novas maneiras de sentir.

Durante muito tempo acreditamos que a tecnologia substituiria o humano.

Hoje percebo exatamente o contrário.

Talvez esse seja o verdadeiro papel da arte imersiva. Não nos fazer escapar da realidade, mas nos fazer voltar para ela com um olhar diferente.

Por isso, deixo um convite. Escolha uma dessas experiências. Caminhe entre projeções, pegue na minha mão e vamos juntas!

Boa viagem! Nos encontramos por lá.